Elle Brasil (Maio de 1995)

Quem é Vanessa Paradis?
Nos anos 50, foi Brigitte Bardot. Na década de 70, apareceu Isabelle Adjani. Agora, em plenos 90 acontece uma nova paixão francesa: Vanessa Paradis. Tudo começou, quando ela cantava o hit Joe le taxi nas rádios do planeta. Hoje, bem crescidinha, ela arrasa em Elisa, filme de Jean Becker, dividindo a cena com ninguém mais ninguém menos que Gerard Depardieu. Essa moça vai longe…

A gente pode dizer que a trajetória da francesinha Vanessa Paradis parece com uma estrada cheia de lombadas. Num instante ela vai que vai, desfilando glorias como a badalada parceria com o americano Lenny Kravitz – além de gravar um disco juntos, eles namoraram bastante. No minuto seguinte, ops! um obstáculo a faz bancar a malabarista para desviar dos desaforos arremeçados pela mídia – foi considerada cantora sofrível e péssima atriz depois de seu filme de estréia Noce Blanche, de Jean-Claude Brissean.

A vingança da gatinha manhosa
Mais adiante, outro hype garota-propaganda exclusiva da maison chanel, substituindo a demitida Inês de la Fressange. Apareceu como ave do paraíso, dentro de uma gaiola dourada, abraçada a um frasco gigante do perfume, fotografada pelo extravagante Jean-Paul Goude. Quer mais? Então lá vai. Vanessa Paradis foi a última ninfeta a inspirar canções do deliciosamente maldito Serge Gainsbourg – aquele do clássico Je t’aime, moi non plus. Mesmo assim, a crítica francesa não fez as pazes com a moça. Seria rancor? Inveja?

Ela diz não fazer ideia do porquê de tantos ataques: “EU ME VI EM UM MUNDO QUE PARECE SER MUITO BONITO MAS, NA REALIDADE, É MUITO, MUITO CRUEL!”. Garante que, para ela o importante é sempre dar a volta por cima e provar, de uma vez por todas, que veio para ficar.

Em Elisa, seu novo filme, Vanessa é uma jovem rebelde que quer matar o pai, a quem acusa de ter sido responsável pela morte da mãe. Pela primeira vez ela abandona o ar de garotinha manhosa para assumir o tom grave que a personagem exige. O roteiro assinado pela dupla Becker e Corazzo, parece ter sido feito sob encomenda para dar a mademoiselle Paradis a oportunidade de ser considerada uma verdadeira atriz do cinema francês. Qual será a próxima etapa então? Depois de Elisa, alguns diretores e alguns jornalistas passaram a adorá-la. Mas ela parece não ligar para todo esse amor. Talvez por achar mais fácil lidar com o desprezo. Vanessa gosta de driblar os problemas com classe. Quando a acusarm de impostora -por bancar a cantora e iniciar-se como atriz à la Bardot- ela justificou: “NÃO TOMEI O LUGAR DE NINGUÉM, NEM TIVE TEMPO DE TER AMBIÇÃO, TUDO FOI FEITO SEM MIM”.

Uma vida “calma e chata”
Quando perguntaram a ela se é a nova estrela do cinema francês, ela se esquiva: “ESTRELA NÃO É UMA PROFISSÃO. O QUE É UMA ESTRELA? NADA MAIS QUE UMA PALAVRA. PARA MIM, O QUE INTERESSA É CONTINUAR FAZENDO AQUILO QUE EU GOSTO”. Evidentemente é uma bela definição, perspicaz e bem humorada. No entanto, Vanessa Paradis jura que tem muito mais a dizer – mas parece que até agora ninguém perguntou. A mídia insiste em diminuí-la ao nível onde eles se limitam a olhar: diga-me quanto você ganha, com quem você namora e com o que você se droga, e eu te direi quanto você vale no ranking das estrelas…

Fora o profissionalismo, a beleza e a pitada de sorte que a vida lhe deu de presente, Vanessa ainda conta com a melhor das proteções: quanto mais ela avança, mais duvida da sua própria capacidade. Talvez por isso é que ela vai longe, porque ignora até onde pode ir. Desde os 14 anos tudo veio à ela de maneira tão imprevisível quanto natural. Esta é a primeira vez que Vanessa tem tempo para respirar e pensar no seu caminho. Como ela vê a vida hoje? “Calma e chata”, ela responde. “MAS ISSO NÃO VAI DURAR”, filosofa. “QUANDO TUDO ACELERAR NOVAMENTE PARA 100 POR HORA, VOU SENTIR SAUDADE DESSA TRANQUILIDADE MAL APROVEITADA”.

O tempo de descanso tem sido preenchido principalmente, com sessões de vídeo e muita música. Livros estão definitivamente fora da seu cardápio de hobbies: “TENHO PROBLEMAS COM A LEITURA”, resume. Talvez se começasse a ler, ela não tivesse tempo de se preocupar com bobagens como a obsessão de ter filhos antes do mundo acabar. Ou com seu complexo por não ter terminado os estudos (pois não pode continuar frequentando a escola devido ao enorme sucesso, e depois por preencher todo seu tempo com trabalho). E teria mais tempo para realizar todos os seus desejos. Entre eles a vontade de encerrar a carreira bem velhinha, assim como ela começou tão jovem.

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