Tradução: 7 Jours, Canadá (1990)

“Eu entrei nessa profissão muito inocente, cheia de admiração, grandes olhos redondos e tudo o mais. Eu rapidamente percebi que na França, quando você é nova e tem muito sucesso, as pessoas não gostam.”

Crianças prodígio sempre são um pouco perturbadoras. Lembre-se de Mozart. Mas Vanessa Paradis tem a cabeça sobre os ombros. Atirada em um mundo de adultos que às vezes a olham como se não pertencesse àquele lugar, Vanessa sabe como segurar seu lugar nesse mundo. E melhor ainda: ser essencial à ele.

À que você atribui o seu imenso sucesso, Vanessa?
Eu espero que tenha talento. Mas o que tenho certeza é que tenho muita sorte.

Conte-me sobre a sua infância.
Tive uma infância muito feliz porque tenho pais incríveis. Espero criar meus filhos do mesmo jeito que eles me criaram. Na nossa casa, não tinham assuntos que eram tabus. Normalmente, quando pais estão com amigos e estão falando sobre certos tópicos, eles mudam de assunto quando uma criança entra no cômodo. Ou, eles a mandam subir para dormir. Isso nunca foi o caso em nossa casa. Quando meus pais discutiam sobre drogas, sexo, ou violência, por exemplo, nós todos falávamos sobre o assunto juntos.

Como você reage com adolescentes viciados em drogas?
Eu tenho muito compaixão por eles. Quando você vê pessoas daquele jeito, você quer ajudá-los, não afastá-los. Até não muito atrás, eu não sabia em que ponto o uso de drogas ficava tão sério. Você conversa sobre isso com amigos, mas você percebe que você é muito pequena na cara dessa enorme peste. Têm tantos problemas nesse mundo que me movem…

Por exemplo?
O meio ambiente, a ecologia…Tem um grande número de queimada todos os anos na Europa. Quando uma floresta queima, é como se seu espírito estivesse indo embora em fumaça. Vai chegar um dia que não terá mais árvores, mais nenhuma floresta: elas terão sido substituídas por concreto, e isso quebra meu coração.

Você é próxima à natureza?
Sim. Eu amo flores, animais, pássaros…Algo que é totalmente natural nunca deveria ser destruído ou mudado.

O mundo te desaponta em alguma coisa?
Sim. Quando eu entrei nessa profissão, com 14 anos, eu era muito nova, muito inocente, e eu acreditava que todo o mundo era bom. Eu gostava de todos e achava que todos se gostavam. Eu percebi que não era verdade, e isso é uma pena. Eu olho para este mundo, e toda a esperança para ele é que não fica pior. Pessoalmente, eu faço a minha parte, eu participo intensamente no Restaurants of the Heart, na França.

Eu te escuto e te acho um pouco pessimista, não?
Não. O mundo pode não ser ótimo, mas minha vida é. O mundo pode não ser confiável, mas meus amigos e minha família são pessoas muito confiáveis. E eu sou muito feliz com eles. Naturalmente, quando digo que minha vida é ótima, eu não devia exagerar, tenho momentos não tão ótimos, como todos. Você não pode escapar deles. Mas as pessoas que me rodeiam estão lá para o que der e vier e para ser um ombro amigo em qualquer circunstância.

Se falarmos sobre Quebec… Do quê você gosta em particular daqui?
As pessoas. Elas são muito gentis e particularmente hospitaleiras. Quando vim aqui no ano passado, foi tão mágico. As pessoas de Quebec são muito agradáveis.

É fácil ser uma estrela na França?
Para começar, eu não gosto da palavra estrela… mas não, não é fácil. Como te disse, eu entrei nessa profissão muito inocente, cheia de admiração, grandes olhos redondos e tudo o mais. Eu rapidamente percebi qua na França, quando você é nova e tem muito sucesso, as pessoas não gostam.

A imprensa te criticava muito?
Absolutamente. E é uma briga longa. Mas de qualquer jeito, em uma profissão ou outra, sempre terá batalhas na vida.

Nós te vimos pelada em um filme. Você vai continuar a aceitar esses tipos de filme?
Não. Eu penso que nessas horas você não tem que ficar nua para ser uma atriz. Foi uma estréia, e eu tive que aprender.

Quando comete um erro, você acredita que é para o melhor, eventualmente?
Sim. Desse jeito você aprende mais rápido: tomando alguns golpes. Quando você faz coisas estúpidas, você aprende a não repeti-las.

Você acredita que a vida vai continuar sendo linda para você?
Eu não sou a Senhorita Luz do Sol, mas espero que sim. Não importa o que aconteça, quando alguém faz algo ruim para mim ou me faz infeliz, eu sei que vão pagar um dia. É como as coisas funcionam.

Você pode se definir em poucas palavras?
Eu sou de Capricórnio e Sagitário ao mesmo tempo. Portanto, sou sincera, espontânea, intuitiva, generosa, e trabalhadeira. Eu acredito fortemente no poder dos planetas sobre a gente.

O quê é a coisa mais importante para você na vida?
Ter pessoas sinceras comigo. Mas mais importante ainda é o amor, a amizade, e as minhas relações com amigos e família.

É possível ter amigos verdadeiros no mundo que vive?
Eu sei que é possível pois tem alguns. Eu sei que posso contar com eles, ele me provaram. E uma vez meu amigo, sempre meu amigo.

Desse modo você é fiel?
Sim. Eu não suportaria alguém que tivesse me traído.

Um dia na vida de Vanessa Paradis, como é isso?
Primeiramente, sou uma pessoa da noite. Portanto, eu nunca acordo antes das 11 da manhã. Aí, tem divulgação: rádio, TV, etc. Outros dias tem compras. Ou, eu vou ver meus pais no interior. Por fim, tem certos dias que não tenho nada para fazer, então eu descanso. Escuto música. Eu adoro Mozart, Pavarotti, the Rolling Stones, Prince, etc.

Você tem um hobby?
Eu ando de moto. Eu amo sentir o vento no meu rosto. Quando estou dirigindo uma moto, me sinto sinceramente livre.

Se você se reencarnasse em um animal, qual escolheria?
Uma gata, porque ela é livre. E independente. E ela abraça o dia todo.

Você viaja muito, o quê fica na sua cabeça sobre suas diferentes viagens?
As diferenças. Por exemplo, quando eu venho aqui, mesmo sendo um país frio, é o calor que me lembro quando vou para casa. Com Nova York, é a loucura, o tamanho, as coisas impressionantes. Aqui também, é o tamanho. Em Paris, quando você quer estacionar, é necessário dar 40,000 voltas antes de achar um lugar… aqui, é espaçoso. Você não se sente sufocado. Finalmente, o que mais me lembro é como são os arredores. Quando estou na Itália sinto que estou em um filme.

Quando você for mais velha, não vai sentir que não teve uma adolescência?
Sou incapaz de falar sobre o futuro. Estou consciente que tudo pode acabar amanhã. Se alguém me disser: “Você ficou muito rápida, os anos estão voando”, eles estão certos, talvez. Mas o que sei é que se tudo acabar amanhã, eu vou ter feito muitas coisas e vou ser muito feliz em as ter feito. Minha adolescência terá sido bem vivida.

O que você faz com o dinheiro que ganha Vanessa?
Eu só tenho acesso à 20%. O resto está bloqueado, eu vou pegar depois. Dinheiro é como sucesso, é tão fugaz, amanhã você pode se ver sem nenhum centavo. Por quê o fazer tão importante?

O quê é felicidade para você?
Quando visito meus pais no interior. Não tem barulho, tem um celeiro, um ribeiro que passa lá perto, uma casinha bonita…

Uma garota como você ainda pode ter sonhos?
Tantos sonhos se tornaram realidade até agora. Se tivesse somente um sonho sobrando seria nunca deixar aqueles que amo. Minha carreira freqüentemente me deixa longe da minha família. Não quero perder mais um só minuto. Eu não quero me ver com 40 anos de idade percebendo que não tem mais muito tempo para passar com eles.

Para acabar Vanessa, se eu te perguntasse o que te move mais nessa vida, qual seria a resposta?
Crianças. Não tem nada mais lindo do que crianças.

Obrigado, Vanessa.

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