Tradução: Elle França (31/08/1992)

Qualquer coisa de Vanessa
Com 19 anos, a “Paradis” é já uma grande dama da música. Estrela aqui, um pouco aclamada por toda a Europa e mesmo nos EUA, pra onde partiu há 06 meses, por trocar ideias, diz ela e gravar seu novo álbum em inglês. Vanessa está de volta em suas pompas e transbordando de projetos. Música!

Quem teve a ideia do encontro com Lenny Kravitz?
Eu. Eu queria trabalhar com um produtor americano para fazer um álbum em inglês. Me propuseram vários nomes e a única pessoa que me interessava era Lenny. Mas eu achava que seria impossível. E depois nos encontramos, nós fomos jantar, e realmente não falamos sobre música, mas falamos de nós para ver se nos entenderíamos ou não. Nos encontramos várias vezes e começamos a trabalhar juntos em Nova York. Foi magnífico.Você está separada de seus amigos, de sua família…
Eu estava abrigada junto com meu empresário que é também meu tio, e nos comunicávamos com a França por fax! Todos os dias nós escrevíamos, nos falávamos por telefone. Eu queria aprender a viver sozinha. Porque mesmo que eu tenha saído da casa dos meus pais com 16 anos, eu estava muito protegida na França.

Você tomou essa decisão como?
Eu funciono a base de encontros. Minha vida e meu trabalho são muito ligados. Eu sei o que eu quero e sigo meu instinto.

É verdade que uma vez, nos muros do seu prédio, as pessoas escreveram: “Vanessa Paradis é uma vadia?”.
Sim, foi ruim. Porque sentimos realmente a necessidade de cuspir seu veneno. Eu não sou um anjo. Há pessoas que eu detesto, mas eu não tenho vontade de me aproximar deles. Então essas pessoas que me mostram seu ódio na cara, eles tem vontade de se aproximar de mim mesmo assim. Quinze dias antes de eu partir para os EUA, me cuspiram no pescoço, em plena rua! Isso me empurrou a ir embora mais rápido.

Você mudou muito desde seu início?
Eu cresci… mas eu não acho que minha cabeça mudou. Eu não posso ter uma cabeça aberta, porque eu estou muito bem cercada. Normalmente as pessoas mudam porque são mal acompanhadas. Eu, eu tenho minha família, meus amigos. Eles são verdadeiros comigo e me dão um equilíbrio formidável. É isso que faz ainda que eu não me perdido!

Você não se sente longe de perder a cabeça?
Como todo mundo, há manhãs onde eu me revelo e onde eu vejo tudo cinza. Quando eu estava em Nova York, por exemplo. Há momentos onde temos o desejo de deixar sair a infelicidade que temos em si.

O que você faz então?
Eu choro todo tempo! Eu fico sozinha. Eu escuto músicas tristes. Eu falo com minha mãe e alguns amigos que tenho.

Seus pais tem o ar de ter um papel muito importante.
Nós estamos cada vez mais próximos. Mamãe não me vê como uma estrela, ela vê o que está acontecendo comigo, mas ela me diz: “de toda maneira, você será sempre meu bebê”. E quando eu tiver 40 anos, ela me dirá a mesma coisa! Ela me dá conselhos, mas ela respeita minha vida e minhas decisões. Quando eu viajo, ficamos com lágrimas nos olhos, mas ela sabe que é a vida que eu amo, então ela me deixa livre.

E o fato de não ter uma adolescência?
Eu tive uma. No mundo dos adultos, onde eu cresci, eu era uma pirralha no meio dos outros. Mas havia o mundo adulto que me agradava. Mesmo assim teve momentos que eu lamentei. Eu achava que estava indo muito rápido. Mas no final das contas, não me arrependo de nada.

Qual é a questão que sempre te fazem e que sempre te incomoda?
Quando se metem na minha vida pessoal.

Dizem que você está com Lenny Kravitz, isso te incomoda?
Sim (risos). E EU NÃO ESTOU COM LENNY KRAVITZ (claro). As pessoas não tem o direito de entrar nessa parte da minha vida. Tenho dificuldade em falar com meus próximos, então… e depois, eu não quero existir para relatar isso! É insuportável. Eu não posso me sentar ao lado de um homem conhecido sem que digam que eu estou com ele! Todas as semanas me colocam com alguém diferente. Eu entendo porque tenho uma reputação de vadia em toda a França! Não é porque sou jovem, cantora, conhecida que tenho vontade de me relacionar com todos os homens no mundo. Eu, eu quero um só! E quero estar tranquila.

Você tem a impressão que domina tudo que acontece com você?
Sim. Porque é por minha causa que isso acontece.

Você tem medo que isso acabe um dia?
Não. A coisa mais magnífica que poderia me acontecer, seria me casar e ter filhos. Pode ser, é mais fácil falar isso no momento onde tudo vai bem…

Você fica sozinha?
Sim. Eu escrevo, eu penso muito. Isso borbulha na minha cabeça. Eu faço letras de músicas, por exemplo, mas eu não mostro para ninguém porque eu tenho vergonha. É muito difícil acabar depois de Roda-Gil e Gainsbourg! Mas eu vou fazer um dia, é uma das coisas mais importantes que eu tenho para provar agora.

O que faz você se manter interiormente?
O amor da minha vida, o amor dos meus pais, o amor da minha irmã mais nova. A educação que eu recebi desde pequena.

Quem cuida do seu dinheiro?
Minha mãe. É melhor, porque se estivesse comigo (risos)… eu estou contente em ter para fazer compras e presentes, mas é um dos maiores venenos no nosso mundo. Isso estraga muitas pessoas.

Você sabe quanto você tem?
Não.

Você se interessa pela indústria na Europa?
Eu não entendo nada. É triste dizer isso, mas não me interessa. Eu não leio jornais. Eu fico preocupada quando tem pessoas que conheço que morrem de câncer ou aids. Ou pelos animais que são torturados, as florestas sendo destruídas… mas as histórias políticas, me desculpa, mas não me deixo concentrar nisso.

E a droga? Há rumores também sobre você.
Eu pareço uma drogada? (ela me mostra os braços e ri). Mas, aqui também, meus pais foram formidáveis, sempre comentamos. Eu já vi muito os desgostos que isso traz. E depois, eu tenho vontade de fazer filhos saudáveis.

Você tem vontade de dizer ok, e de se submeter a isso de uma vez?
Não nesse momento. Eu tenho muitos projetos. Eu tenho para ao menos dois anos. Pode ser que depois eu faça enfim esse bebê que eu tanto falo.

E os projetos no cinema?
Eu não deixei de ler histórias que não me animaram. Eu tenho vontade de um papel de completo, onde eu tenha trabalho pra fazer, de me tornar uma verdadeira atriz e de sofrer um pouco! Quando estava nos EUA e eu lia na França um canal filmava um telefilme, eu estava triste e me dizia: “porque não eu? Ninguém me quer”. Mas é melhor! Com isso, eu não faço loucuras.

Te ouvir cantar em inglês, você sente o que?
Eu amo. É outra maneira de cantar e fazer soar as palavras. Eu sempre tive uma voz de bebê! Sempre me deixa chocada. É como quando eu me vi a primeira vez em um palco, eu vomitei.

E o palco, você vai encarar?
Sim. No ano que vem. No início.

Você se sente forte?
Não (risos), mas eu vou o transformar. Eu tenho um trabalho enorme a fazer. A escrita dos meus textos e o palco. É lá onde todo mundo me espera.

Ainda um novo desafio?
Sim (risos), mas é mais fácil de fazer as coisas magníficas quando trabalhamos com pessoas também talentosas como aqueles que eu trabalhei. Mas, antes de tudo, eu não faço as coisas por obrigação, mas unicamente pelo prazer. Jamais faria alguma coisa porque vai vender. Jamais! É a truque de base: trair ou não trair. Eu não quero enganar!

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