Tradução: Interview, EUA (Junho de 1991)

Os franceses tem uma palavra para isso – lollycéenne. Partes iguais de pirulito e lycéenne (estudante), com uma coisa de Lolita malcriada, isso descreve a cultura singular da nação de princesas pop. Garotas precocemente sexuais que inspiram pensamentos impuros enquanto elas ceceiam letras contestáveis poe entre teimosos biquinhos permanentes, suas carreiras podem normalmente ser medidas em semanas.

Então o que faz Vanessa Paradis diferente? Quando ela começou sua carreira com 14 anos com o hit “Joe le Taxi,” poucos seriamente esperavam ter bastante quilometragem daquela familiar menina jovem e bela. Mesmo que ela floresça na beleza que você vê diante de si, todos os movimentos de Pardis parecem confirmar o esteriótipo de lycéenne: um romance com o pop star Florent Pagny, aí uma colaboração com Serge Gainsbourg.

Paradis, entretanto, era algo a mais. A não ser as marcas de ninfeta, ela certamente tinha sofisticação, algo em seu demeanor que dava um sinal de que grandes coisas viriam. E de algum jeito ela se segurou em uma fama que provou ter dois lados – não era incomum para ela ser vaiada na rua com gritos de “vadia”, e no festival francês MIDEM, sua pequena voz foi afundada pelas vaias da audiência cética.

O anúncio de sua iniciação no cinema não gerou um frenesi de antecipação. O filme de Boda Branca de Jean-Claude Brisseau era para falar do romance entra um professor de 49 anos e sua pupila Mathilde de 17, e com certeza o filme era previsível, conectando todos os pontos usuais com a sua trajetória trágica. Bem, deram um limão para Vanessa e ela fez uma limonada. Sua vívida emoção de heroína em conflito – uma antiga viciada em droga e prostituta – deu à ela o Cesar de “Melhor Revelação Feminina,” fazendo os críticos a compararem com Bardot e Adjani. Talvez um pouco mais exatamente, a presença de intrusa debilitada lembra Winona Ryder.

Um nome estabilizado com 18 anos, Paradis poderia muito bem se tornar uma instituição nacional se ela jogar suas cartas corretamente – e a mão atual parece muito impressionante. Muitos grandes produtores estão em fila para o começo de sua carreira nos EUA, e ela está sob a consideração de ser a garota do perfume para Chanel. Nó nos encontramos no Crillon hotel no Place de la Concorde, em Paris, onde Paradis imediatamente pediu uma Coca e o que ela prometeu ser “o melhor creme brulee do mundo.”

Você teve alguma preocupação em trabalhar com Serge Gainsbourg em seu último álbum? O homem tem uma reputação e tanto…
Eu não estava com medo. Eu só queria o conhecer e ver como era – e ele era maravilhoso, um homem muito agradável. Ele explicou que tinha duas personalidades: o verdadeiro Gainsbourg e GainsBarre [um trocadilho do nome do antigo 1º ministro francês], o homem que faz seu trabalho na frente da câmera, o provocateur.

Como sua versão de “Walk on the Wild Side” aconteceu?
Meus amigos são muito mais velhos do que eu, então eles me ensinaram sobre Lou Reed. Nos últimos 1 ou 2 anos, eu descobri toda a época dos Stones, Velvet Underground, The Doors, e The Clash – essa é a música que amo. Recentemente vi o vídeo de Woodstock e queria tanto estar lá.

Quais aspectos da indústria musical que você não gostam?
Eu conheci muitas das pessoas que admirava quando menor e percebi que alguns deles são como monstros – tão cabeça grande. Se as pessoas que estão ao seu redor dizem que te amam, que você é a melhor, está errado. Meus amigos e as pessoas que trabalham comigo tem que me dizer quando estou ótima e quando estou ruim. É assim que aprende a ser melhor, a se desenvolver.

Por quê você escolheu Boda Branca como seu 1º filme?
Eu sabia da 1ª vez que li o script que poderia não mudar a cabeça das pessoas, mas faria elas fazerem perguntas sobre mim. E eu pensei que se tivesse que me provar como atriz, Mathilde seria perfeita para mim porque ela é tão complexa. Eu não pensei muito sobre a trama, só sobre ela.

Você estava incomodada com as cenas de nudez?
Eu era muito inocente sobre cinema, então eu as fiz. Era um problema primeiro, mas a personagem era tão ótima que eu penso que tinha que aceitar. Agora sei que não tenho que fazer de novo. Eu quero fazer outro filme, mas os scripts que as pessoas me dão são tão ruins. Todos querem fazer Boda Branca 2, 3 e 4.

Como se sentiu sobre a reação do filme?
Eu estava tão feliz quando estava fazendo entrevistas para Boda Branca, porque tanta gente mudou de idéia e disse, “Eu sempre soube que você era ótima.” Eu acho que essa foi minha melhor vingança, eu não tive que ser agressiva, eu só tinha que sorrir. Imagine que você é a pessoa que escreveu as piores coisas sobre mim e estamos falamos juntos depois que mudou completamente de idéia. Agora você me ama muito e eu estou tipo [entediada]: É, é, OK” Foi tão ótimo! Quando eu estava fazendo isso eles se sentiram tão desconfortáveis porque não sabiam como reagir na minha frente. [risadas]

No passado você também teve problemas com jornalistas invadindo sua privacidade.
Bem, eu disse à eles que eu faço meu trabalho e eles podem me perguntar qualquer coisa sobre isso, mas minha vida privada é minha. Eu não te pergunto se tem mulher e filhos.

Seu namorado, Florent Pagny, até escreveu uma música sobre a mídia quebrando – se minha tradução me serve corretamente – suas bolas.
É, porque Mathilde era tão diferente do papel de Vanessa Paradis como uma cantora. Eu tinha uma imagem muito ruim antes. Quando as pessoas me viam na TV eles diziam, “Essa é a menininha que eu quero que seja minha filha.” Mas eu não quero ser assim, e se as pessoas me ama elas tem que me aceitar do jeito que sou. Eles não podem realmente entender minha personalidade, porque mesmo que eu fala sobre muitas coisas na vida, minha cara parece de um bebê. Quando você está entre 15 e 18 anos você está entre a infância e a fase de mulher, e é muito ambíguo.

Você já quis parar?
Talvez uma ou duas vezes, mas amo tanto o que estou fazendo. Essa é a vida que sonhei. Eu não posso me imaginar em um escritório. Mesmo se minha carreira morrer, eu vou lidar com isso. Não vai ser problema.

Você se arrepende de fazer tanto tão nova?
Não. Eu acho que mesmo que você faça coisas ruins você vai ficar mais forte, você entende muitas coisas antes.

Por que a pressa?
Porque eu sei que esse trabalho pode acabar amanhã. Muitas pessoas dizem, “Você trabalhou com tantas pessoas ótimas e só tem 18 anos – o que vai fazer no futuro?” Eu digo, “Eu não sei, nós veremos.” Eu odeio falar sobre o futuro; eu adoro falar sobre o presente, e o passado também. Mas eu não gosto de saber o que vou fazer amanhã. Eu amo surpresas. Como está o creme brulée?

Ótimo. Você vai terminar o seu?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s