Tradução: Paris Match (15/03/1990)

Ela ainda mantém a fragilidade da adolescência mas já possui a aura indefinível de uma verdadeira mulher atraente que seduz os homens. Com 17 anos, Vanessa definitivamente provou que ela tem o feitio de uma estrela imensa, e ninguém mais pensa em discutir o talento que ela ela impõe com uma corajosa determinação. Não satisfeita com a coleção de sucessos no Top 50, a jovem estrela apareceu em seu primeiro filme, Boda Branca, como uma atriz excepcional em um papel cheio de obstáculos. O público não se enganou e reservou um triunfo para ela. A família do cinema decretou à ela o mais merecido dos prêmios: o Cesar de Melhor Esperança Jovem Feminina.

Para Paris Match, Gainsbourg, o anjo escuro, entrevista Vanessa, a Lolita, para quem ele escreve novas músicas.

O encontro ocorre no bar do luxuoso hotel Parisiense Raphael. Gainsbourg toma um drinque, Vanessa almoça.
Serge Gainsbourg: Eu nunca vou esquecer nosso primeiro encontro… Duas pessoas modestas se olhando cara a cara… O mais intimidado de nós dois…
Vanessa Paradis: Era eu…
S.G.: Não!
V.P.: Eu cheguei na sua casa, o grande mausoléu, e não disse nada por uma hora. Meus olhos estavam grandes, minha boca caída.
S.G.: Mas também era eu, você me surpreendeu. Seu produtor nos fez escutar a música do seu álbum. Nada a criticar. Bom trabalho. No começo, eu estava para escrever as palavras de uma ou duas músicas, e no fim da hora você me tinha: tive que escrever todas as letras.Vanessa-Gainsbarre, o dueto do ano! Para te falar a verdade, eu estava fissurado da primeira vez que te ouvi no rádio. Eu senti imediatamente que havia algo na sua voz, algo que faz a pessoa reconhecer um cantor em somente dez segundos. E quando você ronronca em inglês, bem…
V.P.: É normal. Com sete anos de idade eu já cantava em inglês! (Risada.) Eu repetia fonéticamente as músicas que escutava. Isso não significa nada, de verdade, mas só para dizer que eu não tinha um sotaque ruim: algumas pessoas acreditavam que meus sons eram a verdadeira letra…
S.G.: E na escola, você se defendeu?
V.P.: Eu não era uma má aluna, mas depois de “Joe le Taxi,” eu senti que não havia mais nada para mim lá.Eu continuei a ir na escola para fazer minha mãe feliz, mas no ano passado, eu disse à mim mesma que não valia mais a pena.
S.G.: Você também parou aí. Eu não gostava da injustiça; tinha um professor que realmente me aguentava.
V.P.: Eu tenho só um professor de que me lembro com carinho. Ele falava com a gente mesmo que os outros nos consideravam abaixo do chão. Eu esqueci tudo isso na hora que entrei no estúdio. É lindo, um estúdio cheio de tensão quando as horas ficam mais longas e mais longas. É tudo entre a gente, entre pessoas que escolhem estar juntas, e todos se gostam, e nada mais conta. Você não sabe mais se é dia ou noite. Freqüentemente é noite e eu gosto disso. Eu gosto de viver durante a noite. Eu nunca pego no sono antes das 3 da manhã.
S.G.: Você não é um rato mas sim um morcego.
V.P.: Eu ando por aí, fofoco, escuto música, toco ma-jong.
S.G.: Isto, isto é o jogo de uma “Lolita escolar”, para usar o neologismo que não confio nem um pouco.
V.P.: O que é, para você, uma “Lolita escolar”?
S.G.: Romântica. Um botão que ainda vai florescer. Ninguém sabe se a Vanessa vai virar uma urtiga ou uma rosa com espinhos.
V.P.: Mistério… Eu estou numa idade que tudo é ambigüo: para alguns, eu ainda sou uma pequena menina, para outros, uma mulher. Uma idiota ou alguém que entende muito. Eu escuto mais. Estou blindada.
S.G.: Cuidado com a blindagem! Ela pode fazer uma pessoa insensível, se tornando não muito vulnerável. Nossa força é nossa fraqueza.
V.P.: De qualquer jeito, quando as pessoas são hostis comigo, eu percebo imediatamente. Está no olhar deles. Tem algo, ondas negativas no ar talvez…
S.G.: Ótimo instinto! Você já entendeu tanto, Miss Paradis!
V.P.: Tem uma coisa que sei com certeza: na vida, não é “tudo o mundo é lindo, todo o mundo é gentil”. Nunca.
S.G.: O que te afeta ter 18?
V.P.: Bem, não tenho 18 anos, tenho 17, e acontece para todo o mundo. Eu não me sinto mais forte ou mais estúpida do que alguém que tem 40 ou 14. Em qualquer caso, eu não tenho medo de ficar velha. Um dia eu vou ter rugas, como Katherine Hepburn e Simone Signoret. Elas são mulheres sublimes, você não acha?
S.G.: Eu prefiro a juventude, mas é verdade que a idade chega…
V.P.: Uma pessoa não pode permanecer uma garotinha para o resto da vida. Eu não gosto que o céu seja sempre azul. É necessário que chova. Eu adoro a chuva. Não chuviscos, não, mas as tempestades, tempestades que a chuva cai em gotas grandes. Eu fiz uma viagem para Louisiana e lá teve uma tempestade sublime. É uma recordação formidável.
S.G.: Uma das músicas no álbum vai se chamar “Hey! Mister Rain.” (Hey! Sr. Chuva). Na vida, você procura tempestades?
V.P.: Eu acho que, de tempos em tempos, é necessário entrar em conflito com quem se ama. Odiar um homem tão profundamente por cinco minutos, isso faz a vida mais merrior (?). Depois, a reconcialiação é maravilhosa.
S.G.: Até agora, parece que você controla ser destino muito bem. Sem culpa. E ainda, eles vão assistir à você , os agressivos, os maliciosos, os ciumentos…Você só tem sua sensibilidade para resisitir à pressão.
V.P.: De acordo com a minha pequena experiência, o segredo isso é deixar rolar. Eu sei que, na rua, toda a hora que eu saio que vou ser olhada como uma piranha ou uma vadiazinha. É terrível mas é verdade. No começo, quando tinha catorze anos, isso me deixava trsite. Hoje, eu tenho uma resposta pronta: dou o meu melhor sorriso.
S.G.: Você representa um pouco o mesmo fenômeno de Bardot. Ela era também era muito atacada por mulheres que tinham a idéia de que ela ia roubar o homem delas. É muito difícil ser uma mulher. É necessário acorrentar o homem.
V.P.: Especialmente quando se tem quinze anos! No começo eu quis me culpar. Depois eu entendi, o problema está na cabeça de outras pessoas. Mas é realmente necessário enlouquecer, tratar uma garota como uma piranha porque ela está na TV? Eu passei por momentos muito difíceis. Tinha ódio ao meu redor. Eu lembro de um programa de TV, dois anos atrás, que o público começou a jogar coisas em mim e fazer uma confusão que eu fui obrigada a bater meu pé no chão para manter o ritmo. Eu não conseguia mais ouvir meu retorno.
S.G.: E, ao mesmo tempo, você vendeu milhões de cópias!
V.P.: Sim, foi isso que não foi escutado, essa mistura de popularidade e ódio. Até pessoas da minha idade que gostavam de mim não ousavam me contar. Eles tinham medo de como olhariam nos olhos dos amigos!
S.G.: Nesse negócio você também causou várias facções…
V.P.: Inicialmente, acreditava-se que eu fosse passer como um meteoro. Aí teve a rejeição, eu fui dada a reputação de garota fraca. Daí tudo mudou com Boda Branca, meu filme. Aqueles que me viam como um pouco mais do que merda começaram a pensar melhor de mim, e eu acredito que essa é a coisa mais vazia que eu já vi na minha vida. Com o Victoire of Music e agora o Cesar, as coisas ficaram estranhas. Aqueles que agora me aplaudem cuspiam em mim a pouco tempo atrás.
S.G.: Tem também a pressão da mídia. Um jornal disse que você estava grávida…
V.P.: Eu fiquei deliciada com isso! Agora, para descobrir se você está grávida ou não, você não tem que fazer um teste: é só você ler sobre isso nos jornais! É um progresso considerável…Não tem motivo ficar chateada por coisas assim. Está escrito e não tem jeito de sair se não com uma risada.
S.G.: Você não tem nada contra bebês, certo?
V.P.: Claro que não! Eu adoro eles. Do lado da minha casa, no mesmo andar, tem uma maternidade e eu a olho pela janela o dia todo. É uma idéia maravilhosa, mas para depois. Eu já não tive uma adolescência, “Joe le taxi” a tirou de mim. Então, eu gostaria de ter a vida de uma jovem adulta antes de me tornar mãe.
S.G.: Você só tem inimigos?
V.P.: Não, claro que não. Eu tive momentos difíceis depois de “Joe le Taxi.” Mas agora, tudo está bem e estou muito feliz de ver meu trabalho reconhecido. Eu espero continuar no coração das pessoas por um bom tempo.
S.G.: E se você não for mais para frente?
V.P.: Isso seria uma grande questão!
S.G.: Não se preocupe. Em qualquer circunstância, eu vou te levar junto para a Maxim, eu em uma roupa de penguim, e você em um lindo vestido de noite.
Gainsbourg vai embora para promover seu último filme, Stan the Flasher. Vanessa termina seus ovos à la neige.
V.P.: Serge, ele é um cara extraordinário. Ele me faz rir e ele me move. Os olhos dele brilham. Para mim, ele é um garotinho.

 

 

 

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