Tradução: Paris Match (16/11/1989)

“Eu não tenho tempo de ter dezessete anos.”

Com 17 anos, em seu primeiro papel, Vanessa Paradis vira uma estrela do cinema. A solidão da fama é freqüentemente mencionada. Mas como alguém se ajusta a esse terrível paradoxo quando não tem 15 anos ainda? Na idade que uma pessoa mal começa a pensar no diploma, o sucesso de Vanessa a fez virar uma Marciana para seus colegas de classe. Seu primeiro filme, Boda Branca, ameaça a dividir ainda mais por causa das suas escolha arriscada de personagem: uma estudante do colegial que se apaixona pelo professor de filosofia.

Você vai fazer 17 anos dia 22 de dezembro.
Eu nunca vou ter 17 anos. Minha vida exige que eu corra pelo anos. Eu não tenho tempo de ser uma menina de 17 anos.

Você sorri quando diz isso, como se não doesse, como se não tivesse perigo em perder sua infância, sua adolescência.
Porque eu não tenho certeza se tem perigo. É necessário pensar diferente. Eu não passo meus dias como alguém de 17 anos. Eu digo isso porque eu essa divisão pode existir entre eu e adolescentes da mesma idade é a percepção de tempo que eles têm e a que eu tenho. Eles esperam. Eles esperam pelo futuro porque não tem nada acontecendo agora. Isso foi o que me fez sair da escola. Quando eu voltei eu era uma Marciana entre eles na sala. É simplesmente uma questão de razão na vida. Adultos fazem coisas, vão à frente, e a maior parte do tempo eu vivi com eles, e aí eu voltei para a lerdeza da adolescência. Era como se tivesse uma vida dupla e isso realmente me deixou disturbada.

Você se sente melhor entre adultos? Você sente no lugar certo? Completamente?
Neste momento, sim. Quando comecei a cantar, eu era um bebê. Uma pessoa não pára para afligir-se de todas as pequenas coisas que você pode encontrar pela frente. Inicialmente, é uma questão de tamanho. Adultos são altos. Eu quero dizer que eles estão no alto. Eu acredito que ninguém acha que é uma questão de tamanho.

Mas vendo você parece que você é do meu tamanho, do tamanho de uma outra mulher.
Porque eu tenho 17 anos. Eu comecei a cantar com 14. Você esqueceu que é durante esse anos que o crescimento é mais espetacular?

Sim. Talvez eu esqueci porque estou aqui com você. Quando alguém te olha pode esquecer que você é uma criança. É por isso que me preocupo com você.
Não devia se preocupar. É difícil explicar, mas eu obviamente sinto que vivo diferentemente e tenho que aceitar essa diferença para me sentir bem comigo mesma. Não tem muito tempo que eu entendi isso e ainda está um pouco bagunçado em minha cabeça. Mas eu queria dizer isso para que você possa entender…Eu acho que consegui! Ok, é como quando alguém é gordo, por exemplo. Não gordo porque comeu muito bolo porque estavam tristes, mas gordos porque eles nasceram daquele jeito. Têm duas soluções. Eles simplesmente aceitam seu tamanho e dizem: “Eu sou assim, isso sou eu,” e eles gostam de si mesmos como são. Na minha opinião, nesse caso, eles serão felizes. Por outro lado, eles podem passar a vida querendo parecer outras pessoas (e vivemos em um mundo onde somos obrigados a ser magros); bem, a existência deles vira um inferno porque vai seguir todas as modas do mundo, privando-se toda a hora sem chegar naquela imagem obrigatória. Você entende o que quero dizer?

Completamente. E acho seu exemplo muito bem escolhido. Você tem uma claridez surpreendente.
Ah por favor! (Ela ri). É só que era muito importante para mim entender essa diferença. Era vital. Dizer a mim mesma: eu sou assim, eu vivo desse jeito, e eu não posso fazer diferente, então faça o melhor da situação.

Você é surpreendente…
Eu não gosto disso.

Você não gosta do quê?
Da sua surpresa. Eu já tive demais desses que pensam um monte de coisas ruins sobre mim. Eu imagino porquê todo mundo quer que eu seja uma idiota. Porque eu faço discos que vão para o Top 50, porque eu sou nova e as coisas vão muito bem para mim? É assim desde o começo! Eu sofri muito. Eu sofro menos agora… um pouco menos…

Desculpa. Eu nunca tive a intenção de te julgar. Eu não te conheço pessoalmente nem nada assim…
Ah, mas todas as outras pessoas não me conhecem pessoalmente também. E ainda assim… OK, eu não dou muita importância à isso. A única coisa que quero dizer é: sei que não sou Einstein, mas não sou a Rainha dos Imbecis também. Você quer falar sobre mais alguma coisa?

Vamos falar de cinema. Como você conheceu Jean-Claude Brisseau, o diretor de Boda Branca?
Inicialmente, nos conhecemos por telefone; alguém tinha falado com ele sobre eu fazer o papel. Ele tinha uma voz retumbante. Não foi muito animador. Depois disso, nos conhecemos pessoalmente, ele me impressionou ainda mais: ele tem 1,90m! E eu tive o sensação de que ele não estava muito entusiasmado em me dar o papel. Então, eu invés de gelar, eu decide ser eu mesma, só isso. Eu falei e ri também. Nós até nos abraçamos. No final, ele me disse, “eu não vim aqui achando que eu gostaria de você.” Ele pensou que eu fosse totalmente comercial, um macaco treinado. Felizmente, ainda têm adultos como ele que querem me dar uma chance!

Sim, felizmente. Ele te deu um papel muito bonito. Você aceitou prontamente te dar uma imagem diferente?
Acima de tudo, eu aceitei porque era um enredo magnífico. Uma linda história. Mas uma vez que tinha feito a minha escolha, eu não conseguia parar de pensar sobre esse negócio de imagem e eu espero que esse filme seja capaz de mudar as coisas para mim.

Você queria fazer filmes?
Desde sempre. Querer atuar o mesmo tanto que querer cantar. E quando eu comecei a fazer vídeos, virou uma meta que eu queria alcançar. Eu já tinha tido ofertas, mas eles eram filmes de adolescente. Não tenho nada contra esse tipo de filme, mas tem gente que já os fez antes de mim. Eu não sabia que tipo de personagem queria fazer, mas eu sabia que não era bom para mim escolher o mais fácil.

Você tinha ídolos que queria se modelar do jeito que eles são?
Na verdade não. Têm uma atriz legendária da qual eu gosto da vida e dos filmes, mas eu não não quero me parecer com ela: a Marilyn. Além dela, eu adoraria trabalhar com Beineix, Blier.

Porque eles pertencem à sua geração?
(Ela dá risada) Desculpa, mas eu acho que eles pertencem mais à sua!

Tudo bem por mim. Você espera que eles te ofereçam papéis?
É óbvio que eu gostaria disso, mas eu não ficarei obcecada por isso. Eu acho que esse filme, Boda Branca, vai começar algo para mim. Mas por favor, não me perguntem se eu vou escolher entre música e filmes!

Essa não foi minha intenção.
Mesmo assim, já me perguntaram isso milhões de vezes. Eu não escolherei. Eu quero os dois.

Essa determinação vem do fato de que sua carreira é mais importante para você do que qualquer outra coisa?
Falso. Completamente falso. O que é mais importante para mim, acima de tudo, é ter uma vida privada de sucesso. Olha, se eu tivesse que escolher entre a minha carreira e meu amor, eu escolheria meu amor. Eu largaria tudo pela pessoa que amo.

Você tem certeza disso?
Sim. É o que penso hoje, aqui, agora, com toda a fibra do meu ser.

 

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