Tradução: Rolling Stone, França (Maio de 1990)

E DEUS CRIOU VANESSA : UMA NOVA ESTRELA NASCE
“Se você não acredita que tem um preço
Para esse doce paraíso
Me lembre de te mostrar as cicatrizes.”

Where Are You Tonight, Bob Dylan (1978)

O pecado da Vanessa é sua precocidade. Tanto carisma, talento, e conhecimento (autoconhecimento) tão cedo, e em um corpo tão pequeno, desconcerta, disturba, chateia. Essa garota que vai contra ao que é natural (normal) age de jeitos que revelam nossos próprios fracassos. Você se sente pessoalmente humilhado, violado por causa de seu sucesso. Existe um pior insulto imaginável? Vanessa Paradis é, incarnada, a perda da juventude, ideais traídos, esperança proibida… Droga, esse tipo de menina não aparece desde Brigitte Bardot e Et Dieu Créa la Femme! (*filme “E Deus criou a Mulher”)

Mesmo que já façam três anos desde “Joe le Taxi,” falar o nome “Vanessa Paradis” em companhia, muita ou pouca, é espalhar de primeira observações sarcásticas, deboches, invectiva, ou pelo menos, encolhidas de ombros condescendentes.“Ela tem isso em comum com Brigitte,” explica Serge Gainsbourg, que escreveu todas as letras originais do segundo álbum de Vanessa, lançado em meados de maio. “Com uma aura tão sedutiva em cima dela, ela tem mulheres a odiando. Elas estão petrificadas de medo de que ela vá roubar o homem delas!”

É mais complicado do que isso. Acima de tudo, uma pessoa tem a impressão de que a Vanessa é unanimamente odiada (seu sucesso contradiz a enormidade desse gênero de rejeição), mas não Elsa (para evocar uma comparação inevitável), é porque sua sensualidade é o do tipo “Lolita escolar”. Mas o tabu da pedofilia, írrito e nulo (ela tem 17 anos, ok?), não é a única razão do desentendimento. Aquela Madonna (com quem ela tem mais de uma coisa em comum), ou Catherine Ringer nos fascina, é normal: elas são mulheres, se tornaram famosas para a gente com uma idade que sabíamos que elas tiveram que trabalhar para chegar lá. Mas não Vanessa, que quebra todas as regras do showbiz e o sistema das coisas. Sem ter que arranhar ou implorar para subir, ela foi número 1 nas paradas com 14 anos, e aos 17, a vencedora de um Cesar de Melhor Cantora Revelação, o prêmio Romy Schneider, e do prêmio musical Victoires de la Musique por Cantora do Ano. Bonito demais, fácil demais, para ser honesto.

Entre as pessoas da sua idade, a explicação, tão delicada quanto, é menos perversa. “Aqueles que me insultam, na platéia ou nas ruas, geralmente fazem isso para eu os notar, então eu falo com eles,” ela explica já com um ar de resignação. “Se eu falar com eles gentilmente, eles se tornam todo adoráveis. Mas eu entendo quem não gosta de mim. Eu tenho uma vida impressionante, excitante, todas essas roupas e viagens, e eles ficam peidando por aí na escola. Se eu tivesse 25 anos, essa reação não estaria acontecendo. Você não tem mais uma vida privada quando decide ser bem conhecida. Você pertence ao público e você não tem o direito de se sentir mal. Você tem que calar a boca.”

Cantora bebê

A primeira aparição pública de Vanessa Paradis foi em maio de 1981. Naquele época ela não chateou o público. Na L’École des fans, no canal 2, ela cantou “Emilie Jolie.” Em retrospecto, nós podemos ver que ela já possuía aqueles círculos embaixo dos olhos, que, como seus dentes ruins e sobrancelhas, somam para sua beleza não clássica; um timbre em sua voz merecedor de interesse; uma personagem forte. “Não foi só ontem que ela nos convenceu de sua futura carreira,” ri o tio Didier Pain, um ator (Jean de Florette, Manon des Sources), que a administra hoje. No entanto, o ambiente de Vanessa era favorável naqueles tempos. Com quatro anos ela começou a dançar “com uma pequena companhia. Nós tínhamos shows na frente de cem pessoas e às vezes mais. Era bem assustador.” Flexível, muscular (pernas e barriga de uma corredora americana nas Olimpíadas!), e rápida para memorizar rotinas, ela dança hoje em dia sempre que tem tempo. “O que é brilhante com Rheda [o coreógrafa de seu namorado na época] é que você dança mais rápido do que a batida, o que te faz sentir carregada com eletricidade.” Ela não teve a ocasião de explorar seus talentos em um vídeo, contrária à quem gosta de Paula Abdul ou Janet Jackson, mas ela sem dúvida tem o potencial.

É só mais dez anos até a música pegá-la de novo. “Esses caras estavam procurando por uma criança para cantar uma música deles,” conta Pain. “Eles foram levados com a Vanessa, e ela gravou com eles.” No entanto, as gravadoras são tão levadas com “La Magie des Suprises Parties”.Na altura do sucesso de “Joe le Taxi”, que era rapidamente relançado nas lojas FNAC, mas Didier Pain vai avisá-los e depois ameaçá-los com papéis administrativos (uma menos, Vanessa cai sob a lei de trabalho infantil). É graças a essa música que Vanessa conhece seu futuro escritor de músicas, Frank Langolff (S.O.S. Ethiopia, o álbum Your Morgane com Renaud), durante uma visita aos estúdios EMI, onde ele gravou os começos de um álbum para Sophie Marceau. Vanessa, uma fã, vai vê-la, e nessa ocasião, convence Langolff a produzi-la também. “Eu gostei dele, ele não me tratou como uma garotinha fraca. Joe le Taxi era uma música boa. Algo diferente de ‘First Kiss.’”

Etienne Roda-Gil também estava presente no estúdio, ele é uma poeta e intelectual catalã, escritor de músicas durante muitos anos de Julien Clerc’s, produtor do último álbum de Johnny Halliday, Cadillac (que inclui “If I Were Myself,” um dueto com Vanessa), e é amigo íntimo do Pink Floyd. Ele lembra: “Ela me impressionou de primeira. A música não estava pronta para ela cantar, mas depois de alguns ajustes necessários, ela assumiu a responsabilidade, como ela tem feito em cada ocasião desde a primeira vez]” O resultado seria explosivo. Lançado em 27 de Abril de 1987, “Joe” sobe nas paradas por 11 semanas consecutivas, indo do vigésimo primeiro lugar no começo de Julho para o 1º lugar no começo de Agosto, até vendendo 629,324 cópias fora do país (no. 1 na Bélgica, Suíça, Canadá, e Israel, no. 4 na Noruega, no. 5 na Itália, no. 7 na Suécia, no. 8 na Alemanha…).

Para Vanessa, a vida que ela sempre sonhou virou uma realidade mágica e cruel. “Durante minha 1ª apresentação na TV, eu estava completamente congelada. Eu olhei para meus pés o tempo inteiro. Desde essa vez, eu aprendi que não dá certo enlouquecer desse jeito. É certeza fazer todos os outros inconfortáveis e imóveis. Mas por outro lado, esse tipo de reação é esperada; você está tão exposta. Mas esse susto se mistura com prazer e se torna tão denso com bem e mal, medo e desejo, que é terrivelmente excitante. Eu entendo perfeitamente como as pessoas podem viver por isso e nada mais: é difícil de bater.”
Mas o conto de fadas já começa a azedar. Quando Madonna visita a França, ela é No. 1 em todo o mundo, a não ser pela França, onde Vanessa está em seu lugar. Seymour Stein, o presidente da Sire Records, propõe um um disco internacional com contato via Roda-Gil. No mesmo tempo, Pain assina os direitos internacionais para Polydor. Essa situação inconfortável nascida desse desentendimento vai ser um ponto de tensão entre agente e escritora de música. Tem mais. “Manolo, Manolete,” apesar de ser um sucesso (No. 5 nas paradas), é um desapontamento, o que arde um pouco. Vanessa Paradis, ela era só “Joe le Taxi.” Próximo, por favor.

No meio tempo, em 26 de Janeiro de 1988, tem um afronte de Midem. Noite de prêmios. Assim que Vanessa aparece, a sala começa a vaiar. “Eu tive que bater meu pé para tentar e continuar a batida da minha música, que eu não conseguia ouvir mais. Só a algazarra e as bolas de papel que choviam em mim. Eu estava suando, eu não sabia mais onde estava. Mas eu passei por aquilo, eu não chorei, eu não dei esse prazer para eles.” Nos bastidores, confortada nos braços de Didier Pain, ela vai pensar em desistir de tudo. Mas mesmo que o mundo dela tenha acabado de entrar em colapso, é necessário que ela volte ao palco, para receber o prêmio de Música do Ano, votado pelos próprios artistas. E para perceber, chocada e espantada, que ela não era somente a vencedora, mas além disso, o mesmo público que tinha a execrado, agora a aplaudia. “Mas aquilo não teve teve nenhum efeito em mim. Eu estava muito machucada.” “Eu expliquei a ela que ainda tinha tempo para parar, para voltar à uma vida normal,” diz Pain, tio meigo. “Foi isso que prometi a ela desde o começo. Se você sofrer, pare.” O antídoto vai vir da Inglaterra, onde “Joe le Taxi” está virando o hit do inverno, o 1º hit francês desde Je t’aime… moi non plus” de Jane Birkin e… Serge Gainsbourg, No. 1 em 1969.

Voilà: Vanessa em Londres, dando entrevistas, reconhecida e cercada na rua, no palco do mito Top of the Pops. Ela vai se apresentar lá duas vezes. “Aquilo retornou minha moral. O público dançou e bateu palmas e soltou uma energia e um calor que tornou possível que eu me curasse de minhas irritações.” Ela vai ser No. 3 durante Fevereiro inteiro, e ela vai vender 219,212 cópias da música mais tocada na rádio BBC daquele ano, apesar de uma certa não querência da parte da Polydor de Londres em explorar o sucesso dela. “Naquele momento, eu já tinha realmente o suficiente, eu estava enojada, mas disse a mim mesma: eu vou fazer o álbum, assim que as músicas estiverem prontas, e se ainda tiverem pessoas que gostam de mim, vai ser para eles.” Frank Langolff coletou todas as músicas que compôs durante os anos, e Roda-Gil poliu contos que tentaram expressar a realidade da romântica “délurée” de Paris no final dos anos 80, enquanto punha muito de si mesmo dentro deles, como “Le Bon Dieu est un marin” e “Soldat”.

Dois anos depois, “Marilyn et John” (um hit no Brasil para Angélica, que já tinha feito o cover de “Joel le Taxi”), “Maxou,” “Coupe Coupe,” “Mosquito,” ainda estão em rotação na maior parte das playlists das rádios. E M&J, uma verdadeira obra-prima do pop que a França não tinha visto por um tempo, revelaram uma cantora com fraseado natural, e com um timbre na sua voz que é único, gutural, nasal, e assobiante tudo ao mesmo tempo, uma mistura irritante merecida de Debbie Harry ou Chrissie Hynde. “Leva menos de cinco segundos para identificá-la,” diz Gainsbourg entusiasticamente: “Isso garante que ela vai durar.” “Para um tom de voz como a minha, é necessário trabalhar nisso,” diz Vanessa. “Esse primeiro álbum, eu o adoro e sempre vou pôr direito a ele. Mas já, eu queria dizer coisas mais duras e cruas. Com 15 anos você não tem o direito. Tinham muitas pessoas ao seu redor, a gravadora, etc., para te dissuadir.” Para Frank Langolff, isso também foi um problema de textura:“Com essa voz, a ideia de música rock ‘n’ roll não podia ser trazida à tona, mesmo se ela quisesse.”

Apesar do sucesso (285,284 cópias vendidas, um número muito bonito, mas bem a baixo do que Elsa por exemplo, 560,000, ou de Patricia Kaas, 1.3 milhão), Vanessa vai ser esquecida no prêmio Victoires de la Musique de 1988, derrotada por Kaas na categoria de Melhor Revelação Feminina. Ela vai ficar um pouco amarga. O ano seguinte, com M&J aparecendo na lista de álbuns do ano no jornal Liberátion, ela vai ser coroada no cerimônia de 1989, na grandiosa categoria de Álbum de Ano, ganhando da mesma rival. “Dos meus três prêmios, esse é o que me dá maior prazer,” ela reconhece hoje. “O Cesar, é importante. Mas o Victoire, foi vingança. Foi o mundo que tinha me rejeitado, que me disse que eu era um pedaço de merda, que eu não tinha nada a ver com eles. Eu realmente esperava aplaudir outra pessoa.” Ela não mantem esse peso no coração.“Você facilmente vira um monstro nesse comércio. Eu conheci muita gente que admirava antes e que provaram ser só robôs. Quanto a mim, eu não quero me tornar inumana. Eu quero manter uma existência natural, ter filhos, um marido…”

Casamento Negro

“Aquele filme, eu o fiz para todas quelas pessoas. Aquelas que me odiavam. Para provar a elas que eu não era quem elas pensavam que fosse. Então eu poderia me redimir. Eu já tinha recebido muitos scripts ótimos, mas os papéis nunca eram interessantes. Assim que li Boda Branca eu disse sim. Eu pensei: Mathilde é muito boa para mim. Ela é realmente sincera. Ela não é só uma Lolita que excita os homens velhos. Ela se apaixona por esse homem. As emoções dela, os problemas dela, eu poderia facilmente os entender. De manhã, eu acordei dentro da pele de Mathilde, e daí foi bem fácil. Eu tenho memórias carinhosas. Eu li meu diálogo na noite anterior, e isso foi tudo.”

Sim, mas… Boda Branca, no começo – bem incrivelmente – era para se chamar “Paradis”, muito antes Jean-Claude Brisseau não tinha sido exatamente levado com Vanessa. Brisseau não acreditou nela, e é conhecido que a filmagem não ocorreu em um ambiente de diversão honesta. Nem de amizade. E a névoa dela e não mais convivência. Ela voltou de umas férias de primavera para achar a equipe contra ela. “Esse filme com VP foi um pedaço de merda,” ela leu numa manhã. “Quando a câmera está ligada, é você, e só você que decide o que vai fazer na frente dela. Isso eu aprendi bem rápido. Felizmente para mim.” E para Brisseau, finalmente. As pessoas foram ver esse filme particularmente para vê-la. Pelada. Seus seios com bicos em forma de conchas orgulhosamente apontando para o céu, e a sua bunda, com aquelas já legendárias curvas (olhe para a capa de M&J). “É claro que não foi muito fácil. Mas isso são os filmes: fingir que está sozinha no mundo enquanto tem 40 pessoas incansáveis ao seu redor. Eu não hesitei, por causa de Mathilde, andar na frente de umas pessoas não foi um problema. Quando era hora de filmar, quando eu estava pelada, não era eu. Agora, eu mostrei uma vez, a minha bundinha. Veja bem, porque de agora em diante, é mais provável que você não a veja mais.”

Boda Branca surpreendeu todos e seduziu os críticos. No filme, Etienne Roda-Gil vê ante dele todo o triunfo de sua cantora.“Ela rouba o filme completamente. Não tem nada mais ao redor dele, nem o script nem Bruno Cremer.” O sinal de uma estrela. Você começa a pensar em Garbo, Ava Gardner, de Marilyn, não em suas personagens. Para Vanessa, a não ser esse novo traumatismo, o jogo está ganho. Você sabe o resto. Coberta com louros no começo do ano, fotografada por Bettina Rheims para a capa de Paris Match, ela se torna a nova Bardot. “Na escola já me chamavam de Brigitte e eu não entendi porque. Mas eu não sou uma estrela. Eu não acordo de manhã e digo que sou linda. Como Vanessa Paradis, eu não gosto de mim mesma. Eu não me conheço muito bem. No filme, eu sou esquisita. E em qualquer evento, o mais difícil ainda está por vir. Eu vou tentar especialmente para não desapontar as pessoas. Uma carreira, não é uma estrada macia, é uma estrada cheia de altos e baixos.”

Initials VP

“Paraíso, é um inferno.” “Você pode contar com Gainsbourg.” “Privadamente, ela não tem uso para mim no estúdio. Ela administra extraordinariamente sozinha.” Aqui está o que novo para esse Pygmalion* inveterado. Sem contar que foi ela que o escolheu. “Eu escutava a rádio uma noite, e um jornalista perguntou à Serge com quem ele gostaria de trabalhar. Ele disse meu nome. Eu conversei com Didier sobre isso e com Franck e nós fomos o ver na esperança de que ele talvez pudesse escrever uma música. Nós chegamos na rua Verneuil, no mausoléu dele: eu estava muito intimidada. Franck tinha levado todas as suas músicas, e no fim, Serge decidiu ajudar no álbum inteiro.” Foi obrigado, como dizem os rumores. “Serge foi muito profissional,” diz Franck. “Ele tinha um certo tanto de tempo para escrever as letras, e ele trabalhou muito mesmo.” “Eu cuspí-las em oito dias e noites cheias de pesadelos,” Serge confirma. “Eu suei sangue e lágrimas, para analisar a alma dela além de poesia, para dar mais à ela do que letras com rimas raras. Ao ponto de quase ter um ataque do coração. E quase explodi.”

Para Serge, esse trabalho foi um pouco peculiar ele teve trabalhar em cima da música já gravada por Langolff. Como era esperado, a primeira leva de letras constavam de “Pirulitos” e “Abra Sua Boca, Feche Seus Olhos.” Vanessa sempre os recusou. “Toda a vez que tinha uma palavra ou expressão um pouco embaraçosas, eu inocentemente perguntava à ele o que ele queria dizer, e de primeira, ele as modificava.” “Era um triângulo equilátero,” concorda Gainsbourg, que tem infinitos elogios para seus novos parceiros. “A música era tão concreta. É por isso que eu tive tanto dificuldade em trabalhar em cima dela. Se não fosse de tanta alta-qualidade, eu não teria feito. Mas nós estamos todos no mesmo lugar e nó somos todos profissionais. Não tem nenhuma música fraca nessa álbum, Ele diz ‘PLATINUM (PLATINA)’…”

Roda-Gil, ele se manteve quieto. Ele tinha acabado de perder seu esposa, Nadine, e reconhece “não ter o tipo de energia que precisaria para fazer outro M&J.” De qualquer modo, Variations Sur Le Meme T’aime, originalmente com a intensão de ser lançado em 17 de Abril, no mesmo dia do especial Champs-Elysees, foi atrasado mais um mês para fazer os fãs mais familiares com o material que surpreenderia eles com certeza. “Au Charme No n Plus,” “L’amour À Deux,” “Dis luis toi que je t’aime” (“com um cinismo igual ou “Je t’aime, moi non plus [Eu te amo, eu também não],” Gainsbourg diz), não lembram o que Vanessa cantou anteriormente: blues, rock ‘n’ roll, guitarras, baterias… “Esse CD é mais maduro do que o 1º. Com 15 anos, você não pode cantar palavras muito cruéis, para amargar. Dois anos depois, tudo está diferente. Elas são bonitas, as músicas tristes. “Agora que Franck e Serge me deram essa oportunidade, eu sou a menina mais feliz do mundo.”Uma garota que é até permitida, depois de uma capa estonteante de “True Colors” (Cyndi Lauper) em um especial para TV com Depardieu, para ter um cover de “Walk on the Wild Side.” “Eu ouvi ele primeiro em um comercial na TV, e eu imediatamente adorei. É uma música de tolerância, de liberdade.” Não é conhecido o que faladores de inglês vão pensar sobre isso, que provavelmente vão rir um pouco quando escutarem o que ela pretende cantar, menos severamente do que Lou Reed, mas com o mesmo tanto de autoridade, essas histórias de travestis prostitutas que assombram a Fábrica de Andy Warhol em NYC. Mas filmado em Paris e em depósitos de Bercy, na frente da câmera dirigido por Barnard Faroux, para um show de 26 minutos produzido por sua gravadora, ninguém vai a questionar.

Vanessa Paradis não é somente “a melhor cantora francesa de 1989, com pessoas de todas as idades confusas.” Ela é a superstar internacional dos anos 90 de que a França tinha, até aquele momento, sido capaz apenas de sonhar: Bardot mal cantava e dançava mal; Francoise Hardy era nervosa; Veronique Sanson não era acreditável; France Gall amadureceu tarde demais; Jeanne Mas não existe. Vanessa, ela é um “monstro, para fazer parágrafe de Roda-Gil”. Ela canta como ninguém; age bem; dança extraordinariamente; tem tocado piano por quatro anos; e…começa a compor. “Se palavras vem a mim, é claro que as músicas vão vir para mim também. Os artistas mais admiráveis são aqueles que são capazes de arrancar suas impressões totalmente de si mesmos. Eu já fiz algumas coisas, mas ainda é muito cedo para compartilhá-las.”

O resto é sua vida privada. Com quem Vanessa vive não te importa saber. Ela está escrevendo uma música em resposta para todas as más opiniões publicadas nos jornais sobre ela. As paredes de seu apartamento são frequentemente cobertas com grafite abusivo e seu telefone toca com insultos. Mas pior que isso ainda são os fotógrafos. Uma foto – nova – do casal [ela e Florent Pagny, um cantor “bad boy” de 30 anos] vai vender por 1 milhão de francos.

E com Vanessa, sair sem ser reconhecida é impossível. Óculos de sol não tem uso, porque todos reconhecem sua boca na hora, como Mick Jagger. “O problema é, eu não tenho nada a dizer para essas pessoas: elas me conhecem, mas eu não conheço elas. Elas sempre olham para você como se fosse um alien. Ainda assim, essas pessoas são todas normais. Elas tem corações, mas ao contrário de você, automaticamente, elas estão petrificadas. Tem dias que me sinto totalmente sozinha. Adulta mas ainda tão jovem.”

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