Tradução: Vogue Paris (Novembro de 1991)

Graça de Pássaro

Ela é colocada docilmente em uma gaiola por Chanel e Jean-Paul Goude. Anormal, o coração de Vanessa Paradis balança entre Coco e rock. Contrato de um ano pelos dezoito anos da cantora bebê. Paradisíaco?

Quando nos falaram de Vanessa Paradis, não foi uma má ideia. Mas mesmo assim, que ideia engraçada para Chanel. Nos falaram que Vanessa Paradis canta, ok. Mas o que é que ela pode bem dizer? 58 minutos de tête-a-tête e realmente não temos hesitações: ela tem uma boa conversa. E mais, ela mesma não se leva a sério. E descubram que o Nº5 de Chanel, que ela sonhava aos 12 anos, dormiu com ele aos 14. Então, normal que, aos 18 anos e dois discos de platina depois, ela está madura para Coco.

Qual foi o efeito de ser escolhida pela Chanel para representar seu perfume?
Primeiro, eu pensei que era uma piada. Vi uma imagem minha, e a deles. Depois eu pensei “por que não?”.

Que imagem você tinha da Chanel?
De um perfume. Minha mãe usava da Chanel, o No. 19. Meu primeiro perfume foi o Chanel No 5. Eu sempre tive o sonho de ter o mesmo vidro que Marilyn Monroe. A foto dela, com aquele vidro entre as mãos, era um sonho pra mim. E um mito. Como Brando ou James Dean. Quanto a “Grande Mademoiselle” (Coco Chanel), que as mulheres eram devotas, sua moda e tudo mais, eu não estava lá!

Qual sua opinião sobre o clipe de Goude?
Muito curto. 8 dias de filmagem para 30 segundos! Ficou faltando muitas coisas que nós havíamos filmado. Mas eu adoro!

Você já tinha feito trapézio?
Eu treinei por 8 dias. E durante 8 dias nós filmamos isso. É verdadeiramente alto. Eu sonho com alguém que procura a liberdade. Lá em cima eu tinha tudo em mãos, e ninguém podia me proteger.

Fora o teu trabalho com a Chanel, quais são teus projetos?
Eu tenho alguns projetos no papel. Como um álbum 33t nos EUA. Mas eu não tenho projetos no cinema.

Como você teve a ideia de inventar o conceito de bebê-cantora?
(risos) A primeira vez que eu fiz um disco, meu tio me apresentou Franck Langolff . Eu tinha vontade, eu sempre tive o desejo de viver uma vida de artista. Não são pessoas como as outras. E eles não vivem como os outros.

Quer dizer?
Sem parar, nós voltamos ao ponto de partida. Sempre recomeçar do zero. Refazer suas previsões. E é isso que eu adoro, aqui me consideram entre aspas, “uma estrela”, e nos EUA, há tudo para ser refeito. Eu não posso me entediar com uma vida como essa.

Sobre o conceito de bebê-cantora, você concorda com Braselton que disse “que o bebê, é uma pessoa?”
Mas é claro, sua vida começa no momento em que você abre os olhos. E se isso foi ruim, você às vezes pode reviver o momento. É um movimento, “renascer”, não? Não é lá que revivemos nosso nascimento?

Suas medidas?
1.65m incríveis. 46 kg agora, eu ganhei 3kg nos EUA. Calçado 37. Sinal particular: palidez.

E anorexia?
Jamais.

Você perdeu seus dentes de leite com a maioridade?
Não, mas eu tenho dentes crescendo lá no fundo. Devem ser os dentes sisos.

Você falou que se fosse para ser outra pessoa, escolheria Jimi Hendrix.
Sim, porque é melhor ter uma vida curta e recompensadora do que uma longa e chata.
(Então ela leva seu terceiro Rothmans (a marca do cigarro) até fogo).

O cigarro, faz parte da alimentação?(o scan da revista está cortado, traduzi o que entendi)
Não, mas eu adoraria parar. Eu me sinto cretina em fumar, mas nós não podemos fazer tudo de uma vez.

Você quer parar?
É melhor para fazer bebês.

Com essa idade, já?
Não imediatamente, mas minha mãe me teve com 21, então…

Como você se entende com ela?
Sublime relacionamento. No geral, você percebe que você ama seus pais com mais de 30 anos. Comigo durante 1 ano e meio, com 16, foi o horror com eles! Minha mãe ama muito seus filhos. Tivemos um momento difícil, nos separamos uns dos outros. Mas depois de tudo, foi melhor que nós tivemos esse afrontamento. Agora, eu os amo, francamente, enormemente. Eu tanto preciso deles, quanto eles de mim. Nós nos amamos.

Você deixou a sua casa com 16 anos.
Sim, eu aluguei um apartamento! Mas minha mãe que gerencia meu dinheiro.

A ruptura da união familiar, o que isso te diz?
Pode ser que não haja sentido para lá estar se retraindo.

Sua irmãzinha?
7 anos e meio, ela adora a escola, teoria musical, faz dança, karatê e judô. Ela faz tudo bem, ao contrário de mim.

Você fez dança?
Em um curso, em Joinville. No início eu detestei, mas a primeira vez que eu fiz um espetáculo, eu adorei.

O inferno, são os outros?
Todos temos o paraíso e o inferno em nós.

Seus pais tiveram a preocupação em ter uma filha estrela aos 14 anos?
Eles tiveram, forçadamente, mas eles falavam entre eles. Minha mãe e eu vivemos os dois primeiros anos desse trabalho juntas. Eu estava muito feliz em fazer isso! Foi Didier, meu tio, que agora é meu produtor que me ajudou no meu primeiro disco, Joe Le Taxi. Ele já sabia que eu queria fazer isso: foi ele quem tinha me levado ao L’École Des Fans, do Jacques Martin. Ele me ajudou a fazer o disco, como nós compramos brinquedos as crianças, para deixar elas felizes.

Você leu Lolita, de Nabokov?
Não.

Conhece a personagem?
Vagamente.

Alguma vez você já pensou que poderia representar um incentivo a pedofilia?
Eu não quero pensar nessas coisas. Se o cara é bastante seguro em seu olhar, tudo bem. Se não…

Um olhar seguro, o que quer dizer?
Um olhar que te diz coisas tranquilizantes, não coisas que interferem em seu interior.

Você defende que você está vestindo botas, jeans, jaqueta de couro?
Eu não me defendo de nada. Eu não calculo nada. Eu não tenho nada a esconder disso tudo! É simples assim. Eu tenho vontade de ser como isso, como aquilo. Mas mais importante, de estar em um jeans que em outra coisa. E não está no meu contrato de ser vestida em Chanel. Eles me escolheram para representar o perfume pelo mundo durante um ano. As modelos estão prestes a serem transformadas. Isso é o natural deles, não o meu.

Difícil estabelecer o contrato?
Sempre há momentos em que não estamos de acordo. Eu fui radical na primeira vez que nos vimos. Ser modelo não é meu sonho de infância! Não é mais do que uma aventura. Falta reconhecer que eu aceitei por uma razão: mostrar meu rosto nos EUA. As pessoas vão perguntar quem eu sou. E eu quero lançar um disco lá, que eu preparo atualmente em Los Angeles.

Você faz o que quando não canta em Paris?
Eu vou para 60 km de Paris, na casa dos meus pais, me recarregar e andar de moto. Neste inverno, eu tenho a minha prova.

Você acredita me extraterrestres?
Não.

Nas estrelas?
Sim, eu sou de Capricórnio. E as pessoas que eu amo quase sempre são Escorpião, Sagitário, Câncer…

O que você pensa do poliuretano? (Os pais de Vanessa vendem vigas aparentemente desta matéria.NDLR)
(risos) as vigas do papai? São as mais lindas. Meu pai é… como dizer… nós nos parecemos muito. Fora que ele é um homem, e eu uma mulher. Mas ele também, em seu domínio, é um artista. Minha mãe gerencia a empresa, e meu pai é o sonhador da história. Ele faz tudo lindo, e não caro, portanto do falso, da imitação.

Com um nome como esse, você não pensa em ter um pseudo, qual?
Quando eu era pequena, adora mudar de nome. Isso não funcionava no subúrbio, onde todos me conheciam, mas nas férias, eu adorava! Vanessa? Eu me lembro de ter ficado dois dias sem meu nome de batismo. Foi meu avô, pai da minha mãe quem disse: “ela se chamava Vanessa!”.

Por que Crillon?
Porque eu amo os hotéis. Eu adoro também o bar do hotel Raphael, onde eu ia com Gainsbourg.

Onde você morava?
No subúrbio. Antes eu morava em Paris, em um atelier de artista. Mas não era tranquilo! Eu tinha a impressão de estar em um aquário! E depois, eu tinha vontade de ter um cachorro, e então um jardim. Agora eu tenho um jardim, não mais o cachorro.

O amor acabou?
Estava ligado a uma história de amor. E ele também, era uma história de amor. Um labrador: eu cuidei dele como de uma criança (longo silêncio).

Escola?
Deve proteger as melhores coisas da vida, as coisas naturais. Não precisa proteger o artificial, isso vem sozinho. Mas a natureza, a vida, as crianças…

Foi para concorrer com Brigitte Bardot no terreno do amor aos animais que simulam um pássaro enjaulado no clipe de Jean Paul Goude?
Nós temos um ponto em comum. Ela também tinha sua crise na mídia. Em um primeiro momento, eu adorei ser reconhecida. Na rua, no começo, onde me perguntavam meu endereço, telefone, eu dava. Eu não poderia imaginar tanto sucesso. Eu não imaginava nada do que isso seria, a fama.

Uma lembrança de história da infância?
Não, mas de uma história verdadeira da minha família, sim. A história da mãe do meu avô, que tinha uma irmã gêmea. Se chamavam Rose e Marguerite. E quando Marguerite morreu, ela confiou seu filho a irmã. E Rose, que era sua tia, se tornou sua mãe por adoção. Eu adorei essa história. Eu peço pra minha mãe me contar sempre.

Você ainda tem sua melhor amiga da época de escola?
Não, eu não tenho mais os mesmos. A vida nos afastou. Dessa forma, eu não tenho mais uma melhor amiga, eu não tenho vontade de me trair ainda. Eu faço tudo calmamente e eu falo muito pouco sobre mim.

Você tem um objeto transitório?
A sim! Uma etiqueta. Preferencialmente uma de cobertor. E no mais, elas são fáceis de mover. E muito agradáveis, macias por fora e rígidas por dentro. Eu tenho manias como essa desde que eu nasci. Mas como essa (ela mostra sua etiqueta, da marca Woolmark), é a melhor. O que eu amo é a sensação. Eu passo o dia com ela, eu durmo, 24 das 24 horas do dia.

O que é um homem sexy?
Se ele é sexy, está no momento onde ele acorda até ele se deitar. É a maneira de olhar, falar, andar. A sensualidade ou nós temos na pele, ou não!

O que você está lendo?
Eu não sou alguém que lê muito. Eu não sou culta.

Coisas muitas vezes sim, mas as coisas do espírito: Sócrates (não “decifrei “ a frase, o scan tá apagado, e não entendi)
Étienne Roda-Gil (que escreveu boa parte de suas músicas. NDLR) me ensinou muito. Às vezes, ele me colocava em um canto e comentava um livro durante horas. Ele me contou, e às vezes dava pra eu ler. Às vezes eu lia, ou não!

Paris/Los Angeles, 12 horas de avião, isso é agradável?
Primeiramente, eu acho que vamos melhores sentados.

Paradis no ar?
Não é desagradável aproveitar. Se eu me tornasse uma estrela de supermercado, eu compreenderei o que nós dissemos, e de repente: “desculpa, mas nós não podemos obter que alguns segundos”.

Então, dessa forma você estaria disposta a fazer o baile na noite de sábado?
Eu não iria talvez, não tão longe.

As imagens de Marilyn descendo do avião, o que você pensa?
Por ela, eu acho sempre magnífica. Mas em Londres, tinha uma escolta de fotógrafos me esperando, e eu tive a impressão que era ridículo, fabricado.

Nada de relógio, joias, anéis?
Se eu estiver casada, sim.

Teus heróis?
Hendrix, The Doors, Lou Reed, Les Rita Mitsouko, e sobretudo, Prince. Mas eu não quero o conhecer, ele me fascina tanto quanto o diabo. O que de importante quando se chama Vanessa Paradis?

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