Tradução: Elle França (16/03/1998)

Vanessa Paradis: “Se eu fosse um anjo…”

Com Delon e Belmondo, ela é a heroína de “Une Chance sur deux” (Duas chances em uma), que estréia dia 25 de março. Cabelos curtos e pena engessada, ela nunca foi tão feminina. Olhe a nova Vanessa: aérea, calma, angelical apesar das lesões e tropeções.

O que aconteceu com sua perna?
Foi um acidente de motoneve no Québec. Resultado: quatro fraturas. Eu calcifiquei bem, mas ainda tenho pelo menos um mês e meio de gesso.Decididamente, o Canadá não é seu lugar de sorte. Lembramos do incidente na aduana que encontrou um pouco de haxixe na sua bolsa.
Eu adoro de coração os Quebequenses. Quanto ao “incidente”, eu prefiro não voltar no assunto.Delon, Belmondo, reunidos com você no auto do cartaz, é um sonho de infância?
Eu não pensava nisso quando eu os via na tv. Mas é verdade que tem algo muito inacreditável.

Delon o silencioso e Belmondo o expressivo…
Eu não concordo. Jean-Paul pode dar a impressão de ser alguém muito extrovertido. Ele é bem capaz de subir em uma mesa e fazer um show, mas ao mesmo tempo é alguém bem modesto, muito tímido. Alain é alguém mais interiorizado, mas totalmente impulsivo.

Eles se entendem bem ou às vezes é tudo limitado?
Há uma enorme ternura entre eles. Quanto à sua antiga briga, você sabe, eu acho que, quando há um choque, é que há muito amor na base.

No filme, nós a vemos dirigir como Villeneuve. Na vida você apoia até o limite o campeão?
Sim, de preferência. Mas eu não sou imprudente como meu personagem. Em Paris, devemos dirigir rápido, senão passamos a vida dentro do carro.

O que te fez ter um pé no cinema, um pé na música, não é as vezes uma situação um pouco instável?
Não, não em tudo. Desde que a música sugue meu oxigênio, eu vou fugir para um filme, e vice-versa.

E por que você nunca canta nos seus filmes?
É verdade, isso jamais me foi possível. Eu adoraria fazer uma comédia musical, mas atenção, uma muito boa… meu sonho é atuar em uma comédia musical à la Fred Astaire, com coreografias absolutamente inacreditáveis. Mas eu não sei qual realizador seria capaz hoje.

Há oito anos atrás você dizia: “eu não sei nem cantar, nem atuar”. Abusado ou clareza?
Eu não me recordo dessa época. Eu não tinha feito nada além de um álbum e um filme. Devemos colocar as coisas em contexto. Com 14 anos, quando eu comecei, eu não sabia cantar. No cinema, é a mesma coisa. Quando me propuseram o papel em Boda Branca, eu não tinha jamais atuado.

Há erros que você se arrepende de ter cometido?
Sim, eu cometi, mas eu não me arrependo. Nós aprendemos muito com erros. Há coisas das quais realmente não tenho orgulho. Um filme, algumas músicas, e um clipe.

E amorosamente?
Erros amorosos? Não. Absolutamente nada.

Você gosta da loucura nesse momento?
Sim, eternamente. Eu não gosto dos meios-termos.

Você seria capaz de deixar tudo por um homem?
Levaria alguns anos de experiência para largar tudo. Pode ser que filhos me empurrem pra isso. Deixar tudo por um homem? Sim, mas com muitos planos!

O paraíso pra você, é o que?
Isso vem depois. Depois da morte.

Qual é, enfim, sua idade para consertar sua vida?
Sim, é essa. Na época dos meus 15, 16 anos, meus amigos estavam no início, e eu vivia a 200 por hora. Eu tinha meu apartamento e uma vida livre e ativa. Eu tinha que tomar decisões sozinha, eu tinha responsabilidades. Não era tudo fácil de controlar.

Como você se vê quando tinha 20 anos?
Ai, ai, ai! Se você soubesse quanto me chateia me projetar no tempo. A única coisa que eu esperava é que teria três ou quatro filhos com a idade que tenho hoje.

Encontramos cada vez mais estrela desumanas. Qual é sua contraposição para continuar humana?
O medo de se tornar desumana! Quando se é uma estrela, não devemos ter uma opinião exagerada de si mesmo. É a regra básica.

Quais são suas relações com sua mãe?
É toda vez uma mãe amiga, uma mãe confidente, uma mãe respeitada, uma mãe modelo. Minha mamãe é o mais raro dos diamantes. Uma pequena, mas enorme mulher. Ela me aconselha, me suporta, ela é muito forte.

O que particularmente te revolta?
Existem muitas coisas! Eu não vou começar a fazer um top 10… vocês querem realmente saber o que me revolta? Não ajudar alguém quando temos meios pra isso.

Você sempre sonhou em meter “um chute nas bolas” dos jornalistas que te diminuem?
Eu disse isso em uma época em que a mídia era particularmente dura comigo. Os ataques eram gratuitos, eu não posso dizer injustos, porque isso não era pra dizer que uma atriz era ruim. Mas era totalmente desproporcionado, eu me sentia mais culpada que um assassino. Quanto ao chute nas bolas, isso depende da provocação. Certas palavras me fazem reagir.

Mae West disse: “seduzir os homens não é difícil, basta que eu lhes mostre meus seios. Seduz também as mulheres”. Nós temos a impressão que suas inimigas são a maioria mulheres.
Não, não todos! É tudo do passado, quando me cuspiam, puxavam meu cabelo. E depois, você sabe, você pode também mostrar os seios e agradar as mulheres…

Eu vi uma foto sua no Parc de Princes (estádio de futebol). Você acompanha a Copa do Mundo?
Não, eu estou cercada de homens que adoram futebol. Então, para experimentar, eu fui assistir a um jogo. Mas eu não conheço nada de futebol.

O que você vai fazer durante a Copa do Mundo?
Outra coisa, com certeza! Sem dúvidas gravar meu próximo disco.

Que lembranças você guarda da capa da Elle de 50 anos?
Me agradou muito ser a escolhida. Ainda mais porque eu fui fotografada por quatro grandes artistas. E também porque estava lisonjeada de ser escolhida para tal data.

Você sempre vive entre Nova York e Paris?
Não, eu estou de volta em Paris. Eu adoro Nova York, é uma cidade que me transforma, me deixa histérica. Mas sou obrigada a ficar na França por causa do meu trabalho.

Qual sua parte do corpo preferida?
Meu tornozelo esquerdo.

É aquele que está engessado, e eu não posso ver… e o que você detesta mais?
Meu tornozelo esquerdo. (vai entender)

O que você ama em um homem? E o que você detesta em um homem?
Detestar? Sua covardia. Mas eu adoro que ela seja surpreendente. Também positivo do que negativo.

Você acha realmente, como você já disse, que você tem uma cara chata?
Não. Mas às vezes eu mereço tapas!

Você gosta de paquerar?
Eu não gosto da palavra paquerar. Em todo caso, eu não gosto de dar a impressão de estar paquerando. Eu prefiro conversar, rir com alguém e que acontece alguma coisa. Mas, a paquera, eu acho isso verdadeiramente brega.

Como você passa seus dias nesse momento com a perna engessada?
Do que eu mais me arrependo, é de não poder usar os saltos finos, e dançar toda noite.

Você gosta do look “vamp sexy”?
Sexy, é um termo muito mesquinho. Eu diria mais feminino, mas é uma palavra chata. Eu adoro roupas, as musselinas, as bolsas.

E você é mais a favor ou contra a liberação das drogas doces?
Eu preferia passar o assunto. Mas vamos lá, eu confesso, sou a favor. Mas eu faço uma distinção entre as drogas pesadas e as drogas doces. Há coisas mais nocivas do que as drogas doces, o álcool, por exemplo, e todas as drogas que compramos em farmácias. Um “pet light” faz menos mal que um copo de whisky ou que três Prozac (fluoxetina, remédio para depressão). Mas minha opinião não se aplica a minha experiência pessoal. Eu não me permitiria jamais me colocar em riscos desse tamanho.

Te agradou saber que Florent Pagny ganhou um prêmio no Victoires de la Musique?
Sim, claro, eu estou muito contente por ele.

A quem você diz te amo nesse momento?
Zob!

Tem um nome que vem todo tempo até a mídia.
Zob! É bonito, não?

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