Tradução: Elle França (20/11/2009)

Visões de Paradis
Depois de 20 anos de carreira, Vanessa lança um Best of. A ocasião de reencontrar nossa ídola divina. Que atua, com a ajuda de Jean Baptiste-Mondino, todo tipo de música que ela ama!

 

Você lançar o seu primeiro Best Of agora?
Essa não era realmente minha vontade, mas sim a minha gravadora que me pedia há anos. Eu não via interesse, eu não tinha a impressão de ter feito álbuns suficientes… mas a verdade é que eu estava sendo preguiçosa. Não apenas preguiçosa, mas suficientemente ocupada com meus filhos… e desde então decidi dar uma chance. Eu imaginava que seria suficiente todos os singles que foram lançados, mais alguns títulos que me agradam, uma embalagem rápida! Não é verdade. É um verdadeiro trabalho.Há então dois cd’s. Seus sucessos, e um disco mais pessoal…
Eu não queria somente fazer uma compilação das minhas músicas mais conhecidas, então, eu me satisfiz com o segundo cd que comporta “I Love Paris”, um single publicitário para o aeroporto de Paris, uma música de “Le Soldat Rose”, que eu adoro, e algumas canções deixadas de lado, que o público passa sem ouvir. Há uma música nova, uma inédita e magnífica de Gaetan Roussel, o cantor de “Louise Ataque”. Eu o ouvi uma vez, e eu achei uma maravilha. É um homem de classe, muito humilde, e que tem um talento maluco!Um Best Of, é também um pretexto para uma retrospectiva… você se lembra de seus primeiros desejos na música?
Minhas primeiras lembranças na música são aquelas que nós escutávamos em casa, toda a boa variedade dos anos 70! E eu, escutava muito a comédia musical “Emilie Jolie”. Depois a ideia de cantar veio naturalmente graças a meu tio, ator e musico. Um dia, eu o acompanhei em uma gravação de um disco da Sophie Marceau. E lá, o som, a voz, as tomadas… eu imediatamente senti que era pra mim. Que fui feita pra isso. Eu me vi totalmente na pele de Sophie Marceau!

E chega, Joe Le Taxi…
De fato, eu acredito ter somente dito: “Olha, eu desejo cantar”, o que eu fazia em casa desde pequena. Franck Langolff me fez os coros em duas canções de seu álbum, um ano depois ele me compôs Joe Le Taxi.

O que te resta desse período?
Eu me lembro exatamente da data de lançamento, 27 de Abril de 1987. Era a grande época do Top 50 e, em dois meses, Joe Le Taxi não saiu do primeiro lugar. Eu tinha 14 anos, muitas coisas para gerir. Estava terminando o terceiro, e sai de férias, e quando voltei estava na capa de todas as revistas. Isso era violento e engraçado ao mesmo tempo. Em dois meses minha vida tinha mudado. Eu tinha entrado em uma nova escola secundária, mas ao mesmo tempo eu viajava por tudo. Como isso ia bem, nós lançamos um segundo título, “Manolo Manolete”, depois nós fizemos um álbum… depois da escola, eu entrava em estúdio. Eu tinha duas vidas muito diferentes.

Dois anos depois, você pegou o primeiro papel em Noce Blanche (Boda Branca)…
Isso fez por um momento que eu evoluísse aos olhos do público, que não estavam sempre carinhosos comigo. Me insultavam, me cuspiam… eu não estava absolutamente armada pra me defender. O filme era também um meio pra mostrar a outra face da minha personalidade. Não foi uma filmagem feliz, foi mesmo dolorosa, mas felizmente isso não fez eu me decepcionar pelo cinema. Essa experiência mudou muita coisa. Alguns diziam que eu tinha um pouco de talento…

Teu primeiro encontro com Serge Gainsbourg?
Eu o tinha escutado dizer na rádio que ele adoraria compor pra mim. Eu me encontrei na casa dele, junto com Franck Langolff, rua de “Verneuil”, com uma dúzia de músicas para ele escolher uma, para escrever uma letra. Ele fez todo o álbum! Eu estava petrificada, eu não me movia, pois tinha medo de derrubar algum objeto daquela peça de museu incrível. Eu fiquei ereta na ponta do sofá dele fixando os olhos nos meus calçados… quando eu penso que depois eu filmei o clipe de Tandem, com Mondino, eu segui meu caminho!

Depois você partiu para os EUA… lá, você disse ter reaprendido a andar de queixo erguido, o que você quis dizer?
A fama não é uma coisa fácil de viver. Sobretudo quando somos adolescentes e isso não se acontece muito bem. Então reencontrar o anonimato, me trouxe um sopro de oxigênio genial. E Nova York é uma cidade onde nós andamos muito. E quando me olhavam, não era porque me reconheciam, mas só por mim! Eu tinha 19 anos e precisava sem dúvidas desse espaço livre. É também a época da minha colaboração com Lenny Kravitz. Que é feito às vezes na dor, pois ele era bastante diretivo e tendia a apagar todas as minhas intuições. Mas a memória humana continua muito forte!

E se nós falarmos um pouco de Johnny Depp?
Nós não somos obrigados. Nós tínhamos amigos em comum, e de fato nos encontramos muito antes de ficarmos juntos… muitas vezes nós jantamos em pequenas reuniões. Um dia, nos encontramos por acaso, em Paris, em um momento da nossa vida em que nós estávamos livres. Imediatamente eu senti algo muito forte. Eu não me lembro também de ter dito que ele seria o pai dos meus filhos, mas isso se fez hiper naturalmente. Eu tive outras histórias antes, mais complicadas, eu tinha sido escaldada, mas não em tudo! Tudo se fez sem medo, e sem inconsciência também.

E Lily-Rose chegou muito rápido.
Eu tinha esse desejo da maternidade há tempos, com ele eu não pude mais evitar. Era e é sempre o homem da minha vida.

Você então investiu muito mais no seu álbum, Bliss?
Foi verdadeiramente Johnny quem me deu mais confiança em mim. Ele me deu um violão (guitarra), ele me ensinou a tocar. Eu comecei a compor seriamente, foi seu olhar e seu desejo que permitiram esse álbum ver o dia. Isso continua um período muito feliz.

Matthieu Chedid também conta muito pra você?
Nós estávamos muito próximos em Bliss. Ele tinha composto uma boa parte do álbum. Com ele, o trabalho é mais fácil, mais rico. Eu tenho uma grande admiração por ele. Nós não podemos nos ver há tempos, mas nada muda. Ele é muito generoso, vira-se para os outros, estamos “archiconnectés” (não encontrei tradução pra isso). Nós fizemos Divinidylle, uma experiência rica em criatividade e explosões de risos. Prolongamos em uma turnê. Entre amigos!

É importante pra você o contato com o público?
É a melhor maneira de apresentar seu trabalho. As músicas tomam suas verdadeiras vidas nesse momento. Vemos pessoas que conhecem de cor as letras, isso me comove…

Qual a visão de seus pais sobre sua carreira, e particularmente, pelo seu início?
Eu acho extremamente corajoso da parte deles deixar fazer o que eu queria. Sobretudo depois que eu tive filhos. Eles estavam presentes, mas não sufocantes… eu não suportaria que meu filho se tornasse boxeador, que ele leve socos!

Quais relações você tem com Alysson, sua irmã mais nova?
Bizarramente, eu a consulto bem mais do que ela faz. Sua opinião é muito importante pra mim, o que acontece na música, no cinema, na decoração. Amo seus gostos, ela pertence a outra geração, então ela me contribui muito.

Quem te toca nessa nova geração de cantoras?
Eu sou fã absoluta de Melody Gardot. Eu acho que essa mulher é perfeita: a música, a voz, as melodias. É uma mistura de Sade e Norah Jones. Uma maravilha pura.

Madonna disse recentemente que sua filha quer se tornar cantora: “É um trabalho para os desesperados e para aqueles que não tem mais nada a fazer”. O que você diria a Lily-Rose se ela tivesse vontade?
Eu farei como posso. Eu espero que eu tenha a inteligência que meus pais tiveram. Eu creio que só vou dizer para viver sua vida, de aprender seu trabalho, e de seguir quando ela se sentir pronta.

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