Tradução: Tetu, França (2007)

“Nada de nada. Eu não lamento nada!’

Após sete anos de reflexão, ela está de volta com um novo álbum ‘Divinidylle’. A ocasião ela discute seus 20 anos de carreira, suas colaborações com o incrível M, e seu parceiro pirata.

Parabéns Vanessa! Este ano você comemora 20 anos da sua carreira… a ocasião pede a elaboração de um balanço?
Um balanço?… Não.. eu não lamento nada! (risos) Eu digo a mim mesma tudo o que me assusta. Me surpreende 20 anos de memória. É incrível, e realmente impressiona ao mesmo tempo. Eu comecei a me realizar como adulta, mas me habituei a pensar assim, eu acho. (foi isso que consegui traduzir nesse texto).

Que sentimento você tem quando você olha para os últimos 20 anos?
Eu tive uma incrível oportunidade. Eu penso sobre tudo, as riquíssimas oportunidades profissionais, musicais e cinematográficas. Eu sou muito presa as pessoas através da minha carreira musical, especialmente Étienne Roda-Gil e Franck Langolff, porque eles foram os únicos que deram a minha carreira a partida de tudo, e nenhum deles está conosco mais. (Nota da revista: Roda-Gil, quem escreveu letra da música Joe le Taxi morreu em 2004. Langolff em 2006) E claro, há Serge Gainsbourg! É difícil puxar da memória. Com o cinema, é fácil: mesmo porque eu fiz mais filmes que álbuns, eu direi Patrice Leconte sem hesitação. La fille sur le pont foi um papel incrível.

O que você pensa da Vanessa de 14 anos?
Minha pobre garotinha…Era tão mascarada! (risos). Agora sou adulta. Eu posso dizer como uma mãe. Com 14 anos, eu tinha apenas um desejo: ser alguém mais velha. Agora, olhando para trás, eu vejo uma criança… uma adolescente que era muito pequena, muito frágil. E até mais, eu parecia uma criança de 10 anos! Eu tenho uma boa memória,eu vejo o período mais como maravilhoso do que como doloroso.

A cantora Guesh Patti a apoiou muito na época…

Sim, e eu definitivamente tive muito aprendizado com ela. Ela cantava “Éteienne, Éteienne” e eu “Joe Le Táxi”. Ela era minha irmã mais velha, sempre estava lá para oferecer um ombro para descanso. Esse período foi realmente brutal. Eu não conseguia entender tanto ódio. Um ódio físico… pessoas puxando meus cabelos, cuspindo em mim nas ruas, me insultando. Eu não era mais nada do que uma garotinha que cantava uma pequena canção. Joe Le Taxi tocava tanto que eu entendo a irritação das pessoas, mas não acho que elas tinham direito de me agredir!

Você não tinha o desejo de parar com tudo, e tornar-se uma garota como as outras?
Sim eu tinha… freqüentemente. Mas o sucesso ofuscou os insultos. As pessoas me batiam, claro, mas 10 minutos depois eu estava em Veneza, Florença, ou Nova Iorque onde eu conheci Grace Jones. Como uma análise, posso dizer que tudo isso me fez um favor. Nas horas difíceis, me deu força e uma personagem. É possível que sem esses difíceis momentos, eu teria me tornado esnobe… convencida de minhas qualidades. Mas as pessoas nunca me deixaram deixar de ser humilde…

Então, você não guarda nenhuma mágoa?
Nenhuma! Quando recusei projetos, continuava para aceitar outros, eu estava ocupada. Sempre houve boas razões atrás das minhas escolhas. Além disso sou extremamente crítica, e eu sempre digo eu não sou ansiosa.

Você não se sente desconfortável sabendo que seu marido ocupa as fantasias de muitos gays?
Eu não posso dizer nada mais do que isso não me surpreende! Eu não entendo como os gays não podem tirar os olhos dele! (risos) Ele é tão lindo, tão especial, tão incrível… Eu posso entender que ele agradece as mulheres assim como os homens!

O que você pensa, quando você o vê andando rodeado de garotas histéricas, em Piratas do Caribe?
Eu não sinto nada, a não ser admiração. Eu sou muito impressionada com o homem que ele é, mas também com o ator que há dentro dele. Você sabe, ele não pega papeis feitos na medida… a maioria do que você vê na tela é sua criação. Todo mundo acha Piratas do Caribe um grande filme, agora que fez milhões de dólares… mas nas primeiras semanas de filmagem foi muito difícil para ele.Todo mundo olhava Johnny como um doido. Ele me falou que estava certo de que seria demitido. Com todos os parceiros e produtores da Disney não foi fácil. Mas tudo que ele precisou foi coragem. Se eu posso dizer isso, e se você quer ver uma criação do meu marido, eu sugeriria o filme de Julian Schnabel “Before Night Falls” (nota da revista: filme lançado em 2001 disponível em DVD). Nele Johnny faz um travesti, mais verdadeiro do que nunca, surpreendente! E para mim ainda mais porque tenho a impressão de ver a nossa filha daqui a 30 anos. (risos)

Cinco álbuns em 20 anos… Não é muita ganância, de fato…
Sim, mas também dois álbuns ao vivo, oito filmes e duas crianças. (risos) Mas seriamente, eu sinto que trabalhei muito na primeira década da minha carreira, e deixei minha vida para segundo plano. No começo eu tinha a luxuria de poder recusar projetos. É uma grande possibilidade de ter tempo para refletir como vai fazer as coisas…

É o caso de Divinidylle…
Originalmente, eu procurei fazer o álbum sozinha. Compus quatro músicas: Les Revenants, Jackadi, La Melodie, e La Bataille. Aí percebi que precisava de alguma ajuda, então perguntei a meu amigo Mathieu Chedid sua opinião. Ele fez os arranjos da primeira música, La Melodie, quando Franck Monnet entrou e escreveu músicas. A partir daí, tudo ficou muito concreto, porque até então, o que tinha era algumas notas de guitarra. Depois dessa música, pedi a Mathieu para produzir o álbum todo. É uma incrível experiência trabalhar com um amigo como ele porque ele é tão talentoso e criativo. Como vivia nos EUA, foi bastante longo, retornava ocasionalmente para uma semana ou 10 dias, trabalhávamos, e não o via mais por dois meses,foi um trabalho moroso e lento. A distância criava uma espécie de exaltação, cada vez que nos reencontrávamos, e nos ajudava a nos concentrarmos em uma mesma direção.

Você propôs um álbum menos intimista que Bliss, mais pop, rock e mesmo reggae!

Nós tentávamos de tudo nas nossas sessões de trabalho. Foi realmente muito trabalho. Eu me lembro uma noite onde nós nos encontramos na casa do Jérôme Goldet. N´s estávamos procurando os arranjos para Les Revenants. Nós circulamos por todos os ritimos, até uma da manhã, até que um vizinho de Jérôme foi até lá e pediu para fazermos menos barulho. Nós passamos a tocar mais suavemente, e nós achamos o tempo da música, mais lenta. A sua identidade nasceu com o vizinho de Jérôme, de fato.
Além de M, há outros incríveis participantes nesse álbum. Há Alain Chamfort em Junior Suíte e Brigitte Fontaine em Irrésistiblement…
Eu sou muito orgulhosa em falar sobre Alain Chanfort. Eu sempre fui uma grande fã dele. Ele é um homem com um grande talento, e que compositor. Já Brigitte, eu não a conheço. Foi um encontro virtual via M. As pessoas sempre pegam a sua imagem pela TV, mas ela é uma grande poeta. Ela me fez uma musica muito cinematográfica. Eu espero conhecê-la pessoalmente um dia.

Se Divinidylle é muito diferente de Bliss, sua voz também, notavelmente nas músicas Chet Baker e Dês que j’te vois, onde está com uma voz quente, da onde essa voz veio?
Com M, nada é proibido. Nós trabalhamos juntos em muitas musicas, então é claro, nós também trabalhamos juntos nos tons. E eu concordei com todos eles porque eu prefiro minha voz profunda a minha voz alta. (acho que é isso, não entendo nada de música, então traduzi ao pé da letra)

Uma voz que o público gay provavelmente amará. Você tem consciência que o público gay te adora?
Francamente, eu acho meio sectário falar do público gay. Se os gays me adoram ótimo, isso me faz feliz, mas tenho medo de fazer algo racista contra esse público. Contudo, compreendo perfeitamente que quer dizer, porque tenho um amigo gay partidário de Sylvie Vartan… Eu acho que o público gay gosta de mim porque sou feminina. (sem tradução) Essa experiência para ele com a Chanel foi fabulosa. O estilo foi muito Hollywoodiano e Jean-Paul é um gênio…

Seus amigos gays… eles são favoráveis ao casamento e a adoção por homossexuais?
Engraçado, é o inverso! Em LA, meus filhos vão a uma escola muito boa com representantes de várias comunidades diferentes de classes sociais diferentes… desde milionários a desafortunados. Há muitas crianças com pais gays. Eu falo com eles freqüentemente, porque sou interessada em como são as adoções. Me informo para meus amigos na França. Você sabe sou absolutamente favorável à adoção e ao casamento de gays e lésbicas. O mais importante é o amor entre os dois e serem bons pais. O resto não importa!

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