Tradução: Elle, França (22/03/1999)

 

Um filme, em breve um bebê: Todas as felicidades de Vanessa Paradis
“Eu cresci”, constata ela. A eterna adolescente vai mesmo se tornar mamãe. Mas, shiu… antes de tudo, Vanessa Paradis nos conta de sua gravação “mágica” com Patrice Leconte. O filme “La Fille sur le Pont” (A Garota da Ponte/A mulher e o atirador de facas) será lançado dia 31 de março.

“É uma fada que alegra tudo que toca e tudo a que se aproxima”, diz Patrice Leconte, o realizador do novo filme de Vanessa Paradis, La fille sur le pont. “Quando ela chega ao set, o ambiente muda completamente”, confirma a roterista Maguy Perlado. “Ela é totalmente generosa e bem-humorada, e temos todos a impressão de nos rejuvenescer e nos tornarmos melhores”. No restaurante de seus pais, há vários quilômetros de Paris, nós começamos a sonhar ao lembrar de suas frases. Porque, na entrevista, a jovem atriz está completamente diferente. Atenta e séria, ela permanece em guarda mesmo quando ela fala do filme que adora. E só quando ela está certa de que a questão proposta não é de mão dupla que ela desencadeia seu riso e entusiasmo. Mas, quando nós a abordamos sobre a sua vida pessoal, ela se fecha totalmente. E ainda, mesmo com as melhores intenções possíveis, como fazer o contrário, face a essa muito bela futura mamãe? Por consequência, como nós não queremos a irritar ou especialmente a trair, nós falaremos do filme. La fille sur le pont é uma verdadeira maravilha. É a história de Adèle, uma menina frágil e depressiva, que não sabe resistir aos homens, porque ela procura um grande amor. Desesperada, ela está ao ponto de se jogar sob as águas glaciais do rio Sena, quando surge Gabor, Daniel Auteuil. “Deixada a morrer, melhor se fazer útil”, diz ele. Ela servirá para ele como um alvo em um número de arremessos. Onde, como no amor, ela se doará totalmente. E pela primeira vez, receberá também.

Você tem pontos em comum com a Adèle? Além da idade, é claro.
Certamente não a idade. Eu sou bem mais velha do que ela. Nós temos quatro anos de diferença. Ela ama a vida e eu também. É um ponto em comum bem banal, porque francamente nós devemos ter vários! Mas ela e eu, nós nos aproveitamos da vida da mesma maneira, porém não nos lançamos nela da mesma maneira. Ela é mais despreocupada e ela tem menos receios do que eu. Apesar de todos os problemas e catástrofes que ela teve, e de seus problemas com homens, ela raramente se desmobiliza e continua a crer no amor. Disto isso, você deve pensar que eu sou pessimista. Como ela, eu creio na sorte e eu sou cheia de desejo. Mas, ela se lança na vida como uma criança. Ela não tem medo de se expor e de correr riscos. Eu me protejo muito mais.

Todos que participaram da filmagem falaram da magia que prevaleceu nela. Você confirma?
De cara, o roteiro era magnífico e todos nós tínhamos a consciência de participar de um momento muito belo do cinema. Mas, quando, por exemplo, as pessoas da equipe perduram uma vez, quando já tinham terminado o seu trabalho e ajudam os outros em um campo que não é deles, é verdade que a atmosfera é mágica. Que ajuda a manter o espírito livre para criar, inventar e se divertir.

Mais do que nos seus outros quatro filmes?
Sim, porque nesse, nós podíamos realmente falar por osmose. Certamente, uma bela história, isso ajuda, mas mas nós podíamos nos lixar se as pessoas não eram de uma grande qualidade. Nós pensamos que atuar diante de atores confirmados pode nos maravilhar. Ao contrário! Isso ajuda. Daniel, nós sabemos, é um ator sublime, mas, além disso, é a generosidade dele, atento ao outro e as suas dificuldades. Ele é bem humorado, engraçado, não para de fazer de se fazer bobo ao mesmo tempo em que é bem profissional. Com ele eu me senti completa, protegida e jamais deixada de lado.

Essa personagem de mulher que passa do desespero mais completo à alegria mais infantil é devido apenas ao seu talento ou a ressonâncias pessoais?
É difícil dizer. O que eu sei – e eu expliquei a Patrice – é que não era sobre um papel de composição, com grandes transformações. Ao contrário, eu queria que Adèle passasse longe das personagens que eu interpretei anteriormente e que me lembrava nas reações, nos impulsos ou nas entonações de voz. Quando eu vejo meus quatro outros filmes, eu tenho a impressão de que sou sempre a mesma. Nesse, eu tinha vontade de que ela fosse uma outra mulher. Ela tem muito de mim, mas eu também trabalhei de um jeito diferente ao andar, de falar ou de me mover.

Aos 26 anos, nós não podemos dizer que você entrou na maturidade, portanto, é a primeira vez, e nesse filme, que você começa a se fazer mulher. Diante desta nova Vanessa, você diz “enfim” ou “já”?
Eu digo que bom! Foi muito agradável atuar em espírito e corpo, mas de dizer “nova Vanessa”? Eu tenho horror a esse gênero de fórmula. Eu cresci. Consequentemente, evidentemente, eu mudo. Mas eu não posso ainda interpretar os papéis de mulheres de 30 anos. Com maquiagem, é bem possível pelo plano físico. Mas o que me parece mais importante é de ter também a experiência de vida que muda com a idade.

Por que você quis apenas John Galliano para o seu figurino?
Eu amo a extravagância da feminilidade de seus vestidos e sua finura, sua delicadeza. Nós temos sempre a impressão de que tudo vai se rasgar e eu achava que isso lembrava muito a Adèle. Mas eu fiquei encantada que ele não aceitou, já que Jean Colonna, que fez todas as roupas de Adèle, não é apenas muito talentoso mas também muito simples. Com ele, jamais perdeu a cabeça ou teve problema com o ego.

Essa garota que não sabe dizer não aos homens parece com a ilustração da frase de Gainsbourg: “L’amour physique et sans issues” (O amor físico e sem problemas). Quando ela ama de verdade, o ato sexual é sublimado pelas facas e o amor é platônico. Para você parece uma bela definição do amor?
Essa pode ser uma definição de amor, mas é mais uma entre tantas outras. Em todo caso, não é a minha! Para os dois personagens, quando o filme começa e tudo começa e eu os dou confiança para exceder o amor platônico.

Adèle procura o amor e, entretanto, ele está ao lado dela. Como na vida?
Sem fazer generalizações, é verdade que nem sempre nós vemos sempre tudo que é evidente. Nós somos todos um pouco complicados, com muita pressa, sem atenção. Nós queremos sempre mais e melhor. Mas bem, é banal dizer.

Qual é o efeito que te dá em passar de braços em braços em uma valsa de parceiros?
Esse não é o tipo de cena que eu me proponho especialmente a fazer. Não é o seu homem com você, é bem embaraçoso. Eu não digo que é desagradável, mas quase. Nós não estamos em um encontro natural com um jogo de sedução, onde de repente o lado carnal surge. Lá, é assim: “Vamos, repitam, vamos lá!”. É um pouco bizarro na verdade. Dito isso, nós não temos mais do que as preliminares. Felizmente, eu nunca tive que interpretar uma cena verdadeiramente de sexo. E, de qualquer maneira, eu não estou certa de que saberia fazer!

É você que estava na ponte no início do filme e que se virou para a morte. Nós dizemos que você foi corajosa. Você serrou os dentes ou é natural?
Sob a ponte, é o frio particularmente que me guiou. Eu não tenho nenhum mérito, porque eu não tive enjoos. Na rua, eu tive medo de vomitar. Mas tudo isso é bastante divertido. Tanto que sou capaz de fazer esse gênero de coisas, eu não vejo porque não interpretar ao invés de colocar um dublê.

Você tem um corpo super musculoso. Você se exercita bastante?
Para começar, eu fazia muita dança quando eu era pequena e agora eu faço um pouco de musculação. O importante é de não deixar de ir durante seis meses, senão depois é muito difícil de começar do zero.

Patrice Leconte diz que você é uma fada alegre. É um elogio que te toca?
É claro que eu prefiro do que “Meu Deus, ela é tão triste e sinistra que vai morrer!”. Mas de Patrice, eu posso dizer exatamente a mesma coisa. Ele tem nas pessoas o efeito da primavera. Ele é bem humorado e aéreo. Ele faz piruetas como um figurante. É um verdadeiro palhaço, e ele chega, com sua leveza, para fazer um filme extraordinário e profundo.

E parece que a partir da noite, nas filmagens, a caravana que vos servia de descanso se transformava em um baile noturno…
Eu não gosto de bailes noturnos mas eu adoro a música e adoro dançar. E também ser DJ. Como eu não posso viver sem música e eu não sei o que vou encontrar, eu carrego sempre aqueles que eu amo: de Dario Moreno à Ohio Players, passando por Marvin Gaye, a música cubana, espanhola, etc. Eu amo a festa mas eu amo também a solidão. Certamente, não nas filmagens porque não temos tempo de ficar sozinhos.

Eles disseram também que você era generosa e que dava presentes a todo mundo…
Isso é falso, como a maioria das pessoas, eu dou presente para as pessoas que eu amo.

E você era também bastante generosa com os seus colegas de trabalho. Sempre presente na hora que fosse preciso refazer a cena. Nos filmes as vezes é preciso trocar os atores. É por consciência profissional ou porque você quer fazer o que tem que ser feito?
Efetivamente, eu conheço esse gênero de situação, do meu primeiro filme “Noce Blanche”, e eu acho terrível de falar. Além disso, eu não vejo porque eu faria algo assim. Eu sempre achei isso normal, mas ainda mais depois que eu trabalhei com Jeanne Moreau. Em uma cena, ela simplesmente chorava docemente, e é bem mais difícil do que se debulhar em lágrimas. Eu fiz cinco tomadas e nas cinco vezes ela chorou diante da câmera. Isso foi magnífico e isso me impressionou muito.

Em seus filmes, à parte de “Une Amour de Sorcière” (Duelo de Bruxos), você sempre teve histórias com homens mais velhos. Você não tem a impressão de ter um fantasma?
É verdade que isso é bastante recorrente em minha carreira. Dito isso, já me propuseram roteiros com homens de minha idade que não me agradaram, fui eu que não aceitei. Eu imagino que a cumplicidade e o tipo de trabalho são diferentes. Não será assim apenas no plano das emoções. Fortemente, há um bocado de coisas que ela ressente ou que ela pode ressentir na situação que ela me pede para interpretar.

Quando você tinha 18 anos, as pessoas eram expressivas com você nas ruas. Você encontrou grafites em sua casa escrito “vadia”. Em 1988, no Midem, os mesmos que a vaiaram minutos depois a aplaudiram, com um troféu. O que você tirou desse tipo de situação?
Isso me deu um salto no mundo adulto e me fez perder a passagem da inocência, e isso me fez um bocado de bem. Eu tive que aprender a me proteger, a saber o que eu queria, e ser forte. Quando te atacam e repetem todos os dias que você é uma merda, você acaba acreditando e querendo se atirar da janela. Isso me deu muita força, e evitou que a fama subisse à cabeça.

Você é uma das celebridades favoritas dos paparazzis. Nós imaginamos que você não gosta disso.
Eu tento sempre relativar e evitar de fazer a chorona. Se eu tenho paparazzis às minhas costas, é porque eu tenho uma vida extremamente privilegiada. Mas é um viés terrível: nós aparecemos para todo mundo, não importa em qual momento de sua vida. Essas pessoas não têm nenhum respeito. Mesmo quando nós atravessamos momentos graves, duros, tristes, trágicos ou bastante íntimos, eles não se importam se você passa por isso. E mais, os jornais nos quais eles trabalham inventam histórias. Por exemplo, na praia, como 99% das garotas, eu tiro o meu sutiã. Em seguida, eu leio: “e agora ela posa nua em pelo”. De manhã, quando eu passeio com meu cachorro pela rua, como eu acabo de acordar, eu não obrigatoriamente sorrio. Então, forçadamente, eu estou deprimida, magoada ou fui largada! Então você tem que se esconder e se proteger. Mas é claro que minha vida é realmente bela em relação a de muitas pessoas, é difícil de se queixar sobre isso. Entretanto, essas pessoas fazem um trabalho monstruoso e eu tenho pena. Eu não sei como eles podem se olhar no espelho ou sorrir para seus filhos.

Na Elle, no ano passado, você tinha a barriga plana. Hoje, você tem um ventre redondo. Será que podemos falar desse bebê e do pai sem deixar você com raiva?
Sem me deixar com raiva, eu direi simplesmente mas bem firmemente que eu não vou compartilhar nada disso com você.

Mas por que você não fala uma vez por todas e não faz uma sessão de fotos para tirar os paparazzis do seu pé? Eles vão levar você a uma vida infernal!

Primeiro porque não interessa a ninguém e isso só importa para mim. Em seguida, para essas pessoas nunca é suficiente. Quando estou namorando sempre tenho que fazer malabarismos para proteger minha vida pessoal. Bem, eu continuarei não só a fazer malabarismos, mas a fazer processos. Além disso, eu não quero esse dinheiro podre. Eu reverto totalmente, como a maioria de nós, para as pessoas que realmente precisam dele. E eu fico muito contente quando nessas fotos roubadas vemos alguns dos meus amigos ao fim de meses difíceis. Eles ganham dinheiro, dão presentes aos seus filhos ou saem de férias.

E você, para quem doa?
A uma associação muito bonita, Rêves (*significa “sonhos”), na qual eu sou madrinha e que permite uma criança doente de realizar seu sonho ou de continuar o seu tratamento que custa caro. É o único aspecto positivo nesse universo de perseguição vil.

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