Vanessa Paradis é capa da revista Obsession (31/05/2012)

“Eu não tempo tempo de idealizar a minha vida”

Qual foi é o efeito de ser Vanessa Paradis, depois de todos esses anos de carreira iniciados tão cedo?
Apesar de ter sucesso há tempos, a sensação de imaginar isso só me veio agora. No cinema, eles me propõe filmes mais interessantes, e na música, mesmo que eu saiba o que agrada meu público, eu entendo agora que me agradam outros artistas, outros músicos. Eu passei minha vida admirando os outros, mas até então eu duvidada de mim, e agora percebo que sou admirada também. Isso me abre novas perspectivas.

Você dúvida muito de si mesma?
Nós nunca sabemos de que estamos contribuindo, mas eu nunca quis viver minha vida estando em dúvidas. O medo, as questões podem me tomar antes de iniciar um projeto. Mas quando eu estou realizando as coisas, não há mais lugar para questionamentos e hesitações, eu não penso mais. É isso que me permite chegar ao prazer.

Você nunca quis escolher uma entre as suas várias carreiras? Entre cantar e o cinema?
Cantar é algo natural, eu sempre fiz. Dançar também, mas sem dúvida um pouco menos. E o que me empurrou para o cinema foi o desejo de fazer parte de uma história, de um conjunto. São as histórias que me dão para ler que me agradam e me dão vontade ou não. E depois o que eu amo fazer em um filme é ler, ler e reler ainda os roteiros. Eu liberto dessa forma da minha mente, ou melhor, me liberto da minha preocupação. A preocupação de me fazer perguntas de o que fazer, como fazer.

Hoje você vive em Los Angeles, mas continua sendo uma cantora francesa, parisiense mesmo. Sente falta de Paris?
Eu não cresci em Paris, mas sim nos subúrbios de lá, até os 16 anos. Há alguns anos não estou mais lá. Estou aqui para trabalhar, essa cidade me faz muita falta. Aliás, se me pedissem pra dizer de onde eu venho, eu diria que sou parisiense, é aqui que eu me construí, onde estão minha família e amigos. No meu coração, é a minha casa.
Em Los Angeles é obviamente o oposto de Paris, extremamente diferente, tudo é extremo. Dimensões as maneiras de fazer coisas, tudo é maior: as proporções, os relevos, a cultura, a maneira como as pessoas se vestem, o barulho, o que nós sentimos. Há espaço e luz… é muito agradável quando deixamos Paris e encontramos a luz de LA. Mas quando você está lá se habitua, e não é tão essencial como nas primeiras vezes. É uma cidade também em que pode se perder, sem centro e com grandes bairros. Como sou menos conhecida lá do que em Paris, vou com frequência a bares, escutar música. Em Paris eu faço menos, e tenho menos tempo.

Viver em LA, é estar o mais próximo do cinema, certo?
O cinema hollywoodiano é o que eu prefiro… quando era pequena, antes de cantar, eu amava aquelas comédias hollywoodianas que agrupavam tudo: o cinema, a música, a dança. Entre eles, Cantando Na Chuva foi o que mais me marcou, eu assisti muito. O que eu mais gostava de assistir era a série That’s Entertainment!, fez unicamente a sequência de danças e canções de musicais, sem enredo. O momento em que os atores e atrizes se põem a cantar me abalam.

Nesse verão, nós veremos você em 2 filmes, Je me suis fait tout petit, da Cécilia Rouauld e Cornouaille, da Anne Le Ny. A história desse último evoca um filme clássico hollywoodiano, O Fantasma Apaixonado, com Gene Tierney…
Anne Le Ny me pediu para assistir O Fantasma Apaixonado, e também A Outra, um filme que Woody Allen dirigiu em 1988, com Gena Rowlands. O que a interessou em me mostrar Gena Tierney, foi à maneira da qual ela submete as situações no filme. A garota de Cournouaille é contida, estrita. Eu construí a personagem diante de representar alguém que submete sua atmosfera, sendo uma mulher forte e independente. É necessário que ela não esteja feliz estando lá, mas continua sendo educada frente aos outros.

Em Cornouaille, sua personagem parecer ser totalmente o oposto de você, muito glamurosa.
Odile, minha personagem em Cournouaille é uma garota simples, é essa normalidade que Anne Ne Ly queria alcançar a qualquer preço. Fazer cinema para refazer a mesma coisa em outro lugar não me interessa, mesmo se eu adoro por outro lado estar sublime, maquiada, vestida. Mas fazer isso sempre é impossível.

Em Je me suis fait tout petit, seu papel é de uma garota que aceita o que ela é…
É um papel do qual eu penso muito, várias vezes. Eu pensei durante a filmagem, à noite a caminho de casa como de habito, após passar o dia filmando, sigo em frente. Mesmo se há cenas das quais você pode corrigir no momento, após uma boa noite de sono, tudo vai melhor…

Nesse filme, a personagem é muito vibrante. Igual você?
Vibrante? Eu desejo ser de qualquer forma.

Como você escolhe seus filmes?
Eu procuro as sensações fortes, eu quero ser perturbada, positiva ou negativamente. Eu quero sentir algo intenso, internamente. Fora isso, não existe critérios particulares para escolher fazer isso ou aquilo.

O que conta para você o cinema?
Uma vez no set, é o que acontece que importa pra mim, que me move, observando as equipes ao trabalho. Adoro olhas as pessoas assim, acho belas e não me entedio jamais no set observando todo mundo, mesma se eu tenha que esperar 4 horas até chegar minha vez. Acho que isso vem do meu desejo de não ficar no meu mundo, mas de o fazer crescer, que ele se mova pelos outros. Quando se estabelece uma relação de confiança com uma equipe, eu sou toda ouvidos, pronta para executar. Eu amo ser dirigida. Porque isso me leva a outros lugares, a outros caminhos, e ousar assim a fazer coisas diferentes.

Atuar em filmes de baixo orçamento não te assusta?
Eu tenho simplificar ao máximo, mas é muito complexo. Eu nunca participei de filmes de grandes orçamentos, só pequenas produções. Mesma coisa para os discos, eu sempre faço com uma equipe pequena.

O que você aprendeu fazendo música que serve para você no cinema?
No cinema, se alguma coisa não vem imediatamente a mim, se eu não chego a alcançar o que eu devo alcançar, para ter o tom justo, eu reproduzo utilizando minha orelha, como uma música. Mas o que é comum nos dois universos é o desejo de se estar livre, deixar sair o pudor, a timidez. Quando eu atuo, eu canto, vem sempre do interior, do meu ventre. São momentos de relaxamento, mas também de concentração extrema para estar presente no momento. Mas sem estar totalmente relaxado. Eu ignoro saber o que se passa em mim, tudo que eu sei, é que é uma fuga.

No filme Como Arrasar Um Coração, vemos você “cantando” a música da banda Wham! e nós temos então a impressão de que é um dos raros momentos onde a cantora e atriz se confundem.
Dura apenas alguns segundos… nós temos tendência em ser outro alguém na filmagem. Mesmo se eu pegar muito de mim mesma para um filme, eu nunca sei exatamente o que levo verdadeiramente e nem aonde vai me levar. Isso vem espontaneamente. A experiência transforma também.

No palco, você é habitada pelo momento, pela música?
Sim, é invasivo. Eu me vejo entrar no palco sem ter desejo de cantar, e em seguida, a maquinaria me transforma. A música é terapêutica.

Quais são as cantoras que você admira?
Mulheres como Feist, Keren Ann, Melody Gardot, Norah Jones, Joni Mitchell…

Você parece mais confortável cantando baladas. É um prazer superior aos outros? Que relação você tem com sua voz?
Eu não tenho uma voz muito poderosa, então ela combina mais com as baladas. Eu demorei para gostar da minha voz, mas agora me convém. Eu não posso dizer que eu a gosto, o que ouço, esta é a minha interpretação, não a minha voz.

Qual é seu olhar sobre seus discos, principalmente sobre os dois últimos, Bliss e Divinidylle, que são seus mais pessoais?
A música, são momentos da vida. Ouvir um disco é rever rostos, ouvir vozes, gritos, reviver momentos juntos. Eu tenho orgulho dos meus discos.
Antes de Bliss, eu era só uma intérprete. Eu consegui escrever e produzir uma parte. Foi emocionante e aterrorizante. Ainda mais porque eu estava cercada de músicos talentosos. Desde então, eu escrevo e estou terrivelmente mimada, porque sempre me dão músicas que eu tenho vontade de cantar. Eu preferiria ser uma artista completa, que escreve e compões todas as canções, seria coerente ser alguém que se coloca em um palco e reconta tudo o que tem no coração. Eu posso escrever músicas, é claro, mas não boas, poucas seriam boas. É um grande prazer cantar uma música uma boa música que me faça vibrar, eu tenho literalmente vibrações pelo corpo.

Por que fez tão poucos discos?
Porque eu fiz filmes. Esse é o tempo que me retém. Eu tenho outra profissão. Nada me detém além do tempo. Eu amo minhas duas profissões, eu desejo fazer as duas. Às vezes uma, às vezes a outra. Fazer um filme é entrar totalmente em um universo de uma história. Com a música é a mesma coisa, é habitar uma canção, uma interpretação.

Você iniciou com Joe Le Taxi. Qual seu sentimento perante essa canção quase particular?
Eu sempre gosto de cantar Joe Le Taxi, que é muito simbólica e parece deixar as pessoas felizes quando ouvem durante um show.

No Youtube, nós podemos ouvir uma versão recente muito calma e pura.
Me interessa fazer evoluir minhas músicas. Essa versão, como todas as outras da turnê acústica daquele ano deve-se a minha colaboração com o músico, Albin de la Simone. Rearranjando as velhas músicas, ele teve vontade de colocar com “estalido”, e eu achei isso magnífico.

Você é assombrada pelo seu passado?
Eu sou nostálgica, mas eu prefiro o momento presente, e amo pensar no futuro… nós não podemos fazer a mesma música durante 20 anos. Minha música não me assombra, eu não ouço meus discos, a não ser quando é um trabalho novo.

Você tem medo às vezes, que tudo acabe?
É claro, mesmo que eu não me diga assim. E eu era extremamente mimada, o sucesso gera sucesso e propostas. Eu tive a sorte, eu imediatamente amei cantar. Eu vivia o momento presente, porque ninguém me dizia isso iria durar: precisaria buscar o que estava lá. Eu sou fatalista. Sim, eu tenho medo, mas não posso fazer nada, a única coisa que posso é tentar fazer melhor.

Onde você está com a música, afinal?
Eu estou fazendo um álbum, eu não posso falar porque eu não sei mesmo quando irei terminar, mas eu adoro esse momento particular no estúdio. É um tempo a parte, longe da família.

Seus filhos logo irão ter a idade que você tinha quando lançou Joe Le Taxi, 14 ans…
Sim, eu sei… eu não desejo mesmo que aconteça com meus filhos o que aconteceu comigo. Eu desejo que eles façam aquilo que lhes dá vontade, mesmo se que eu fosse muito protegida pelos meus pais, muito inquietos. Hoje eu me coloco em um lugar e imagino até que ponto aquilo deveria ser para meu pai e minha mãe.

Finalmente, você tem a vida que sonhou quando você ainda era criança?
Adolescente, eu não tive tempo de me fazer perguntas, de sonhar com a minha vida. Eu não me arrependo de nada, eu não teria passado por tudo isso se eu não parasse de me questionar. Estava em mim, eu não tive tempo de me dizer se seria atriz ou cantora.

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