Tradução: L’Express Styles (Julho de 2012)

Vanessa Paradis e Léa Drucker, dueto de estrelas
As duas atrizes atuam em Je Me Suis Fait Tout Petit, uma comédia sobre a maternidade. Para L’Express Styles, elas foram emprestadas de bom coração para a entrevista “Primeira Vez”.

Conte-nos sobre o primeiro encontro de vocês.

Lea Drucker: Eu conhecia com certeza Vanessa antes dela me conhecer.
Vanessa Paradis: Por Joe Le Taxi?
L.D: Sim, e depois eu acompanhei tua carreira de cantora. Temos a mesma idade… um dia um amigo me disse: “Vanessa te ama muito.” Quando dizem que seu trabalho é apreciado, é muito encorajador.
V.P: Você é uma das nossas melhores atrizes, alguém com quem queremos passar o tempo. Inicialmente, no filme, não atuávamos juntas – eu só te encontraria em uma festa. Isso me faltava terrivelmente. Perguntei a Cecilia para escrever uma sequência de mulheres, bela e longa. Foi muito simbólico. Você viveu o seu último dia de filmagem. Eu, meu primeiro.
L.D: Eu te passei a vez. A cena relata também: eu interpreto essa mulher excessiva que não podia ter filhos. Ela conta ao irmão dela (Denis Ménochet), então ela educa as duas meninas. Eu aguardava esse dia com impaciência. De repente, eu me senti intimidada. Isso serviu ao meu papel, porque minha personagem é solar e excessiva, nervosa, cheia de transtornos.

Qual é a primeira coisa que vocês diriam uma a outra?

L. D: Vanessa tem uma grande espontaneidade. Você é muito verdadeira, você está no momento, você deixa-se levar pelo que acontece. Tua sensibilidade me impressiona. Eu pratico muito o teatro, eu sempre tento encontrar este abandono que você tem naturalmente.
V. P: a cena exigia, eu não sou sempre assim. Era então meu primeiro dia, eu não tinha tomado meu rumo, eu estava tremendo. Emmanuelle, a personagem que eu interpreto, é totalmente positiva, ela não tem vergonha de suas emoções, ela não deixa passar a vida. Eu adoraria ser como ela, mas isso não é possível. Este é um papel difícil de manter sete dos sete dias da semana e mesmo vinte e quatro horas das vinte e quatro do dia. Mas em algum momento, você tem que soltar. E eu tive um auxilio. Você disse que tinha medo também. Talvez para me proteger, porque eu me senti muito instável, é um reflexo de irmãs. Uma maneira de me dizer: “não se preocupe.” Enfim, é assim que eu vi.
L.D: isso é muito justo.
V.P: eu sempre admirei tua intensidade e verdade, Léa. Você tem força, exatidão e originalidade. Eu senti nossas emoções conectadas, mesmo uma não sabendo muito da outra.
L.D: uma intimidade se criou quando nós atuamos juntas mesmo se não compartilhamos coisas pessoais. É uma ligação que continua. Não esqueceremos essas sensações.

Je Me Suis Fait Tout Petit é dirigido por Cecilia Rouaud. Os personagens femininos escritos por mulheres são os mais concretos? Menos na ilusão?

V.P: a diferença, pra mim, está no comportamento. Com um diretor, somos talvez mais relacionadas à sedução. É preciso ser assistido. Na frente de uma diretora, não há mais esse reflexo. Uma barreira cai. Nos bastidores, a atitude vem também da personalidade do diretor em ação. Cecilia nos fez se sentir bem.
L.D: ela ama atrizes, e ela sabe dirigir.
V.P: Cecilia é muito precisa. Foi emocionante ver no rosto dela a alegria em fazer seu filme. É sempre emocionante uma primeira vez.
L.D: eu atuei em muitos primeiros filmes, estes cenários me atraem no geral. Eu adoro compartilhar essa primeira vez. Tenho a impressão de subir novamente cada vez. É doloroso, muitas vezes, mas é assim que progredimos.
V.P: eu estou contente de ouvir você dizer isso. Para mim é sempre a primeira vez. Eu deixo o tempo passar entre as filmagens, eu faço música.
L.D: você também sente isso com a música?
V.P: ah, sim! Toda vez que lanço um disco. Ou mesmo para um show. É sempre o último que conta. É como uma luta de boxe.

É uma das razões das quais vocês ainda continuam nesse trabalho?

L.D: obviamente. Sentir-se instalado, entediado, isso é triste.
V.P: isso seria o começo do fim, sobretudo para um artista que deve manter a alma de uma criança, brincar, se soltar.

Qual é a primeira imagem pra vocês do cinema?

L.D: O Mágico de Oz, eu vi quando tinha 05 anos na versão original.
V.P: ah, porra! Você começou bem.
L.D: meu pai era um cinéfilo e vivemos em Washington. Eu me recontava muito a história. Videocassetes não existiam. Para mim, Judy Garland era uma amiga. E a Terra de Oz realmente existiu. Meus pais me deixavam acreditar. Minha avó, que era galesa, cantava pra mim as músicas do filme no piano.
V.P: se eu não contar os desenhos animados, é Cantando na Chuva… não é nada mal. Eu não pensava que existia melhor em Technicolor. Sempre vejo esse filme, e me traz as mesmas emoções, os mesmos arrepios.
L.D: às vezes penso que O Mágico de Oz fala sobre a desilusão, decepção, o fato de que mitologizamos alguém. Também gosto muito de Cantando na Chuva, eu tenho uma verdadeira nostalgia dessa época. Meu pai me levava para ver filmes dos cinemas de ação. Mais tarde, quando eu estava aberta a Mac Mahon, ouvi muito essa trilha sonora, que pira um pouco.
V.P: pequena, eu não me tornei uma atriz ou cantora. Aproveitei meus sonhos e meus sentimentos. Cantei, dancei, eu me fantasiei.

Quais foram os primeiros conselhos que vocês receberam?

L.D: me desaconselharam a ser atriz. Eu tinha 17 anos, eu não escutava. Tem que ser inconsciente para entrar na atuação.
V.P: eu fiz cinema graças ao meu sucesso na música. Eu tinha vontade. Parei de ir à escola para filmar meu primeiro filme, Boda Branca. Eu tinha 17, eu estava em primeiro. Eu tive grande sucesso, mas nada podia garantir que ele iria durar. Minha mãe concordou em eu sair da escola, mas meu pai não estava muito, ele se rendeu. Meus primeiros conselhos são Daniel Auteuil, em A Garota na Ponte. Ele me disse pequenas coisas das quais eu sempre penso: “não dê tudo na primeira vez, dê um tempo, e tudo vai se unir”. 

A última vez onde vocês foram pequenas?

L.D: ah! É complicado, não é necessariamente um momento agradável. Recentemente, no teatro, durante os ensaios de Lucide. Karin Viard apareceu na minha frente e me falou: “você, se continuar se escondendo aí atrás!” Rimos muito e isso me ajudou.
V.P: durante as filmagens de Elisa. Eu tinha 19, 20 anos. Já, fisicamente, eu era muito pequena ao lado de Gerard Depardieu. E depois eu tinha vontade observar, de me calar. 

A primeira atriz que você tem marcadas?

L.D: Judy Garland então, e, em seguida, Natalie Wood em Clamor do Sexo, um melodrama sobre uma mulher devastada por uma mágoa no amor. Ela realmente me impressionou.
V.P: Romy Schneider em César et Rosalie, pela intensidade de seu rosto, o corpo tão feminino, o nível de emoção, o sua atuação, seu sotaque, a sua voz.
L.D: temos a impressão que essas duas atrizes não atuam, elas são. 

A primeira vez onde vocês pensaram: “é isso aí, eu realmente sou uma atriz”?

V. P: eu acho que eu não me digo sempre. Sim, de qualquer maneira! Quando as pessoas me perguntam o que eu faço da vida, eu respondo: cantora e atriz.
L.D: é preciso tempo pra aceitar. Isso acontece talvez, quando damos pela primeira vez, a resposta para um ator que admiramos: “aqui estou frente para ele, dela…”. Com Jean-Pierre Bacri, por exemplo, mesmo que eu tinha só três frases para dizer.
V.P: nos olhos dos outros, eu sou uma cantora que faz filmes. E com os grandes espaços que eu deixo entre os filmes… no entanto, você sabe o quê? No ano passado, depois de ter encadeado quatro filmes, eu talvez tivesse a impressão de legitimidade. Sem dúvidas começou com Café de Flore. Tendo finalmente sido escolhida por Jean-Marc Vallée, então ele não me queria no início. Eu não sei como eu o convenci… eu sou essa imagem de mídia que é assustadora. Eu entendo. E, finalmente, o importante é ser mais forte do que a imagem… que horas são? Ah, me desculpe, eu preciso sair. 

Obs: caso queira copiar o conteúdo ou divulgar em outros lugares, por favor, dê o crédito ao blog, ok? O trabalho pra realizar as traduções é cansativo. Obrigada!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s