Vanessa Paradis na Marie Claire francesa de setembro

Vanessa Paradis – Ídolo Divino
Nova vida de solteira, nova década na vida e novos projetos musicais. 2012 é o ano de todas as mudanças para Vanessa, que imprime a sua presença em um filme em que o amor cumpre o sua participação. Uma estrela sublime, musa Chanel, incomum, sessão de moda excepcional em Los Angeles e entrevista nas pontas das palavras… sensível e sempre justa.
Qual é o empurrão que faz você escolher um script ou outro?
Pra mim, a vontade passa pelo desejo do outro. Sua chama. Eu adoro por isso a diretora Anne Le Ny. É uma mulher que quer levar ao mais profundo, que não se contenta com a excelência. Ela vai ainda mais longe. E então, há sua maneira muito pessoal de se expressar, com uma espécie de exuberância. Ela usa um monte de palavras e imagens. Suas explicações foram tão ricas que eu entendi o que exatamente ela sentia. É um papel feminino sensacional. Uma história muito bonita.
Como você poderia definir essa bela história?
Oh la la! (risos) Digamos que ela fala da busca pessoal de uma mulher se encontra sem ser procurada. O núcleo do filme são todas as coisas que impedimos de serem vividas por medo de sofrer. Por acreditar na felicidade, deixamos de lado tanta coisa, nós renunciamos sermos nós mesmos. Minha personagem passa por isso até descobrir o que lhe importa realmente.

 

E você pensa em chegar ao ponto de saber o que te importa de verdade?
Sim, eu penso.

E então?
Agora que estou mais velha, eu posso entender quem eu sou. E os papéis, cada vez diferentes, ajudam muito para isso. Eu não sei se eu aprendo algumas coisas sobre mim, mas os sentimentos são mostrados, e é bom. E no set, quando não estamos filmando, nós estamos em conversas que conduzem-nos à evolução pessoal. Em geral, é interessante. É por isso que eu realmente gosto desses momentos, esta alquimia estranha e frustrante de intimidade. Estas relações de amigos próximos são muito fortes, mas totalmente efêmeras. Estamos todos na mesma aventura, longe de casa. Tornamos amigos muito rapidamente, e nós rimos ou falávamos sobre filosofia.

No filme, você dá impressão de ser como você gosta de ser, no seu elemento, com seus amigos, no meio da natureza, livremente.
Sim, bem visto! Falta dizer que a Bretanha proporciona isso. A natureza, em suas variações, é tão intensa, tão extrema, que isso te acelera da cabeça aos pés, do interior para o exterior, de qualquer lugar. Bretanha é um lugar muito, muito poderoso.

Em um momento, no filme, seu pai lhe diz: “você é triste, porque você não consegue amar”.
Sim, é a realidade no filme, e talvez é pior que ser triste, porque o outro não consegue mais te amar. Em tristeza, todas as opções são possíveis. (Ela fica quieta e baixa a cabeça, vasculhando sua bolsa, e pede permissão para enrolar um cigarro)

O filme oscila entre realidade e sobrenatural. É alguma coisa em que você acredita, os espíritos e tudo mais?
Sim. Enfim, serei mais sutil: eu oscilo entre acreditar e não acreditar. Quando perdemos entes queridos, sonhamos em poder nos comunicar com eles. De toda maneira, não sabemos nada sobre o lado de lá. Então, não perdemos nada em acreditar um pouco… e depois, não é porque os mortos deixaram a terra que eles deixaram nosso coração. Ele não vai embora, um morto. Nunca. E eu acredito, como no filme, que é difícil ter boas relações com os vivos quando não sabemos viver com os mortos. É o equilíbrio da vida. Não podemos viver bem presentes se não deixarmos assumir seu passado.

Voltemos a assuntos mais adoráveis: o amor, por exemplo. Como continuar a desejar o que temos depois de um tempo?
Com vontade. Pra mim, é o motor do desejo, da paixão. E isso funciona… oh, não! Eu não gosto desta fórmula. Eu diria mais que isso alimenta. Mas como alimentar a vontade? Essa é a questão (risos). Às vezes perdemos o gosto pela paixão. Falta então voltar a fazer as coisas deixadas de lado, forçando um pouco. É, infelizmente, nem sempre existe, a vontade! (risos)

Você se divide entre França e EUA. Você se sai como em inglês?
Já faz um tempo que eu sou bilíngue…

Podemos continuar a entrevista em inglês, então?
(risos) “If you want…”, no momento, eu escrevo as melodias das minhas futuras músicas. Eu tenho dificuldade com os textos… aqueles que escrevi até o momento são bem mais ou menos.

Você é uma cantora que atua em filmes ou uma atriz que grava álbuns?
Eu não sei… a música é muito mais pessoal que um filme, onde você entra num universo de algum outro. A música é visceral e no coração. E às vezes fico orgulhosa do resultado.

Você tem dificuldade em assumir seus êxitos?
É uma coisa que eu aproveito mais na intimidade. Porém o show no castelo de Versalhes, por exemplo, eu assumo em entrevista: foi demais! Mas é um trabalho em equipe, então me incomoda menos em glorificar.

Como você se adapta ao estilo de vida tão particular de LA?
Não muito bem. Quando estou lá, Paris me faz falta rapidamente. O modo de vida francês, a família, os amigos… “my heart belong to Paris” (risos). Na América, eu não poderia fumar na sua frente, isso seria um escândalo. Bem, de fato não deveria fumar como uma cretina, mas é tão bom!

Mas como você se organiza com suas crianças, entre os dois continentes, as gravações, as turnês?
É complicado, mas faz parte da minha vida pessoal. Eu realmente não quero falar sobre isso com você, e é da conta dos seus leitores.

Você vai fazer 40 anos no final do ano. Você lembra de quando era jovem, você sonhava em fazer o que quando chegasse nessa idade?
Eu vou admitir que até 15 anos eu não sonhava com meus 40 anos. Na época de Joe le Taxi, e mesmo depois, eu observava as décadas como velhos quase caducos, quando na verdade: olhe pra mim. É verdade! Tudo isso se alimenta do interior… tanto que é espantoso, não envelhecemos muito rápido.

O que te impressiona?
Tantas coisas! Um cochilo no sol, meus filhos, um show, os seres humanos…

Você vai fazer uma festa grande para seu aniversário?
Eu não sei ainda. Quem viver verá.

Você se lembra da sua mãe nessa idade?
Seus 40 anos? Como se fosse ontem.

Você cria seus filhos como ela te criou?
Sim, eu sou total admiradora da maneira que meus pais nos educaram, eu e minha irmã. Era bastante restrito mas muito aberto. Eles compartilhavam muitas coisas com nós, não como amigos, mas como adultos, que usavam muita paciência e o luxo do conforto. Poderíamos falar, explicar e procurar respostas para nossas questões às vezes absurdas. E vice-versa quando nós nos tornamos adultos.

Qual parte de você mesmo mais mudou?
Ter se tornado mãe, então uma mulher menos centrada nela mesma. É com certeza a coisa que mais evoluiu em mim. Com a idade, relativamos também mais coisas, continuamos às vezes a se deixar levar pelas reações, sua impaciência, sua exaltação.

Você é exaltada?
Não, não muito. Mas é talvez ligado ao medo: os novos projetos me colocaram sempre no ponto de partida, mesmo que eu tenho adquiro uma certa segurança e experiência. Pra mim, há sempre dúvidas e medos nos preâmbulos. Então eu corro com toda minha vontade e o melhor de mim mesma. Enfim, eu espero.

É algo que você mostra para seus filhos, esse espírito da curiosidade?
As crianças são curiosas por natureza. As minhas tem seus próprios centros de interesse, suas vontades, seus gostos. É estranho quando se trata de um menino. Jack, meu filho de 10 anos, é realmente um pequeno homem. Ele faz barulhos, onomatopeias que eu seria incapaz de reproduzir. Os “vrum vrum”, isso continua muito masculino.

Do que você se arrepende?
De ser fatalista. Mas eu não chego a me arrepender da maioria das coisas, porque elas aconteceram por boas razões.

O que você não gosta na nossa época?
A compulsão obsessiva pelas novas tecnologias. Não faz muito tempo que eu sei mandar um e-mail. E é duro me colocar por causa da aula dos meus filhos, se não eu passaria bem. Eu sou uma mulher do meu tempo, com um a grande nostalgia do passado.

E o que, no passado?
As relações humanas profundas. As grandes cartas que nós enviávamos. As viajeis muito mais lentas, mas muito mais lindas nas suas singularidades. A tecnologia tem claro seus lados bons, mas nós perdemos a graça, a emoção de esperar o amor, as excitação dos encontros.

Você tem um sonho?
Uma comédia musical. Bob Fosse, volta!

O teatro, jamais te agradou?
Sim, eu adoraria, mas eu não teria feito um encontro com um texto e um diretor que me daria vontade de ir todas as noites. E depois, eu sou completamente ocupada e preenchida. Eu não forço meu desejo nessa parte.

E um pesadelo?
Eu não tenho vontade de pensar isso. Ou talvez não compartilhamos o suficiente para responder assim, olho no olho.

Um dia você declarou: “eu quero muitos filhos”. É sempre uma vontade?
No ideal, eu queria muitos. Depois você sabe, a vida… e suas surpresas.

Quais?
Eu vou concluir em inglês, “no comment”. Eu acho que você pode traduzir, não?

 

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