Tradução: Interview Rússia (Maio de 2012)

Vanessa Paradis por Gaspard Ulliel
No novo papel de Paradis no drama “Café de Flore” é fundamental mudar nosso conceito da sobre a garota doce de Paris. A atriz cresceu sob os holofotes e agora pode suportar sozinha.

Gaspard: quando me propuseram encontrar você, eu não hesitei por um minuto, eu imediatamente disse sim. E só depois eu pensei: “que horror! Como estúpidos jornalistas se sentem”. Mesmo dando uma entrevista ás vezes está longe de ser agradável.
Vanessa: relaxa, pensa como uma conversa entre dois colegas atores.

Gaspard: então assim será! Você já fez algo similar com a Patti Smith para a Interview Americana. Você visita o Japão frequentemente?
Vanessa: não, eu somente a segunda vez que eu voo pra cá. Minha primeira viagem aqui foi há 18 anos atrás para promover o filme “Élisa”, eu trabalhei como louca, eu realmente não vi nada.

Gaspard: isso acontece muito. Pessoas vem aqui para trabalhar. Eu estivesse aqui cinco ou seis vezes. Primeiro minha noiva queria ficar aqui, e eu vim por ela. E depois por trabalho. Francamente, eu não gosto de Tóquio – não é muito hospitaleiro com estrangeiros. Não há sinais em inglês, orientar você é impossível. Há pessoas que realmente amam, mas isso não é pra mim.
Vanessa: sim, muitos dos meus amigos amam Tóquio. Eu fico maravilhada pela educação e delicadeza aqui, o moradores locais são muito tocantes.

Gaspard: há uma ilha aqui chamada Naoshima. Foi toda criada pelo arquiteto Tadao Andohe que é considerado um deus vivo. Isso é a real arte conteporânea – e a ilha toda é preenchida com objetos de arte. Vale a pena ver. Embora pareça que desta vez nós não vamos conseguir ver nada de novo, Karl pensou em uma programação completa. Você conhece ele há tempos?
Vanessa: em 1992 eu já era a face do perfuma Coco da Chanel, onde Karl era diretor criativo. E em 2005 ele me escolheu para a campanha publicitária de uma bolsa. Infelizmente, quase todo o tempo que passamos juntos foi trabalhando. Eu sinto um respeito e carinho incrível por ele. Ele é muito espirituoso, nunca é nervoso ou rude. Sua cautelosa educação é algo de japoneses.

Gaspard: como foi o shoot de “The Little Black Jacket”?
Vanessa: tudo aconteceu em 05 minutos, graças a energia do Karl. Os fotógrafos ficaram tão espontâneos, as pessoas ficam totalmente relaxadas, então você sente a personalidade de cada um.

Gaspard: você sabe, estudando sua biografia, eu vi que temos muito em comum. Eu entrei no cinema completamente por acidente. Eu tenho feito filmes desde meus 11, 12 anos, depois que conheci uma amiga da minha mãe. Ela estava trabalhando ao mesmo tempo em uma agência e procurando um ator jovem. Foi só depois de um tempo que eu tive uma real paixão por esse trabalho. Mas primeiro…
Vanessa: foi por sorte?

Gaspard: sim. Bom, você também entrou no cinema muito jovem. Eu queria perguntar pra você: você tinha um rumo no cinema, ou alguém te ofereceu um papel só depois do seu primeiro álbum?
Vanessa: eu sempre quis trabalhar com cinema. Comédias musicais foram meu primeiro amor. Há tudo aqui: música, filme, dança. Eu também comecei a cantar por causa desse amor. Os primeiros 10 anos meu tio foi meu empresário, então conhecer a música não foi um acidente. Ele me levava em tudo, incluíndo ao estúdio, onde eu conheci produtores de Franck Langolff e Etienne Roda-Gil, os futuros escritos do meu primeiro álbum. Depois que eles trabalharam com Sophie Marceau. Eu me lembro quando conheci ela…

Gaspard: sem chance, você conheceu Marceau?
Vanessa: apenas imagine! Naquele dia, eu parei por um estúdio de gravação pela primeira vez. Eu nunca tinha visto como tudo funcionava, e um novo lugar se abriu pra mim, onde você canta e a música é gravada. Eu estava impressionada! Não menos que conhecer Sophie Marceau. Nossa amizade começou então, se é realmente apropriado falar em amizade entre uma adolescente e uma adulta e dois homens de 40 anos. Franck e Etienne estavam só tentando me agradar: eu estava sempre em voz baixa e eles me escreveram uma canção. Não com carreira em mente, mas só por diversão. E apesar de Joe Le Taxi ter se tornado muito popular, ele não foi criado por lucro.

Gaspard: foi tudo espontâneo?
Vanessa: absolutamente. Contudo, alguns adultos decidiram que eles precisavam vender música, que alguém estaria interessado. Ele saiu em Abril, e se tornou o hit número um já em Julho.

Gaspard: eu me lembro do momento perfeito. Inesquecível!
Vanessa: essas coisas acontecem raramente. Depois do estrondoso sucesso eu também comecei a pensar sobre a carreira cinematográfica. Tudo aconteceu tão rápido que eu não tive tempo de dizer para mim mesma: quando eu crescer, serei cantora ou atriz.

Gaspard: entendi! Eu não tive essa fase pesada que você quer saber o que você vai fazer depois de terminar a escola. O oposto, você já tinha trabalhado com toda sua força, enquanto seus amigos estão preocupados com a melhor forma de terminar a faculdade… eu entendi direito que Jean-Claude Brisseau (o diretor do primeiro filme de Vanessa) fez contato com você?
Vanessa: bom, Brisseu foi motivado por problemas financeiros. Primeiro teria sido com Charlotte Valandrey: Brisseau deu muito trabalho à ela, ela perdeu peso para o papel. Mas ele só poderia obter dinheiro para o projeto se tivesse uma grande estrela, e então para completar a filmagem, decidiu me colocar no papel.

Gaspard: foi sua primeira oferta?
Vanessa: não, haviam outras, mas eu não queria fazer elas, não estava interessada. Mas Brisseau é um sério, um diretor respeitado.

Gaspard: mas você não tinha tempo para a escola?
Vanessa: não, eu sai. Eu não tinha notas brilhantes na escola: não tinha tempo, eu estava em tour pela Alemanha. Você se importa se eu fumar?

Gaspard: claro que não!
Vanessa: foi muito difícil na escola (ela enrola um cigarro)

Gaspard: o mesmo. Quando eu voltei depois do filme, eu levei um tempo para me adaptar a vida escolar. Eu estava passando todo meu tempo com adultos.
Vanessa: e em extremas condições!

Gaspard: com certeza, onde você começa a crescer muito rápido. Quando de repete você encontra você mesmo na sua mesa da escola, mas se sente totalmente fora.
Vanessa: concordo. Você sabe, existe isso: num filme você se sente mais protegido do que na música, porque pode esconder você atrás do personagem e do diretor. Na música, mesmo que você não escreve suas próprias músicas (naqueles anos eu ainda não estava escrevendo), está na linha da frente. Isso atrai admiração ou ódio das pessoas, mas em nenhum caso está mais longe do sentimendo radical, uma vez que não pode ser filtrado por um papel. Eu nunca esperei que Joe Le Taxi se tornaria um grande sucesso. Eu vivia nos subúrbios então, onde não há escola. Toda manhã eu sentava no mêtro e ia para a escola com 1500 estranhos.

Gaspard: pobrezinha!
Vanessa: eu tinha só uma amiga. Como você disse, esse abismo entre o show business e o cotidiano era realmente chocante: no mêtro na hora do pico com todas aquelas pessoas olhando pra mim como se fosse um macaco na gaiola, e depois disso – um set de filmagem com gritos constante do diretor. No seu tempo a minha mãe recebeu 19 dos 20 pontos em seu bacharelado, e pra minha família, minha vida acadêmica era vital. Meu pai era o oposto, cresceu em uma família simples, trabalhou desde os 14 anos e aprendeu tudo sozinho. Então na minha família havia um balanço. O filme do Brisseau estava sendo filmado na primavera, no final do ano escolar quando os meus exames aconteceriam. Não há questão pra isso. Então eu informei minha mãe que estava deixando a escola. Para minha surpresa, ela respondeu: “faça isso!”.

Gaspard: então seus pais facilmente te deram liberdade? Sem histerias?
Vanessa: sim, sem escândalo. Nós estivemos sempre muito próximos e dipostos a ouvir um ao outro. Eu anunciei que eu estava indo para dois meses de gravação e iria retornar só na época dos exames – e sem se preparar não havia chances de passar. Eu realmente não sabia quanto iria durar, se eu iria continuar com minha carreira, mas para nós era importante não deixar a oportunidade passar.

Gaspard: você era sortuda. A majoridade dos meus pais não concordaria, porque é tudo tão arriscado.
Vanessa: você disse! Daqui a pouco minha filha terá 13. Às vezes me pergunto se ela fosse fazer o mesmo que eu, se todos iriam assistir minha filha, discutir, criticar. Terrível! Agora eu entendo melhor como as mães se sentem, como é ter uma filha na idade que comecei a trabalhar. Meus pais definitavente cuidaram, mas eles sentiram o quão importante era isso pra mim. E eu queria cantar e atuar muito em filmes.

Gaspard: você tem uma educação musical?
Vanessa: não totalmente. Por exatos um ano e meio eu tive treino de audição. Mas eu tenho um bom ouvido, eu sempre cantei e aprendi ao longo do caminho.

Gaspard: bem, você teve grandes professores: Lenny Kravitz, Matthieu Chedid, Gainsboug. Você geralmente está rodeada por pessoas excepcionais. Você fez filmes com Belmondo, Delon, Depardieu. O que é isso – você é o poder da atração ou o grande braço da coincidência?
Vanessa: só se desenrolou dessa forma.

Gaspard: mas você ainda aplica algum esforço para isso?
Vanessa: como explicar. Pega Gainsbourg – pra mim ele era um sonho real, nunca me atrevi a se aproximar dele. Mas quando eu ouvi o que ele disse sobre mim na rádio – de um jeito doce! Nós estávamos procurando um co-autor naquele momento para meu próximo álbum. E então fomos até Serge. Ele estava muito ocupado: fazendo um álbum pra Jane, gravando um filme, fazendo uma tonelada de coisas ao mesmo tempo. Nós tínhamos uma proposta de 12 músicas, e nós propusemos uma para ele. Mas ele disse que gostou de todas. Eu perdi a voz: “sim, sim, claro”. Então ele escreveu um álbum pra nós. Então havia Lenny Kravitz. Minha gravadora queria que eu fizesse um álbum em inglês para me divulgar no exterior. Naquele tempo Lenny tinha gravado seu primeiro cd, e eu fiquei louca por aquele disco.

Gaspard: você aprendeu inglês com ele?
Vanessa: (risos). Sim, durante o processo. A parte engraçada foi que depois da minha primeira música sair eu tive que dar entrevistas em inglês, e foi um total desastre. Eu cometi erros horríveis, cheia de coisas que eu não sabia dizer, foi engraçado o tempo todo. Em Nova York eu estava rodeada por garotos que usavam gírias de rua, e como resultado eu comecei a falar como um garoto.

Gaspard: na linguagem do gueto?
Vanessa: exatamente! Realmente não foi elegante. (risos)

Gaspard: me fale sobre as diferenças entre americanos e franceses: você sentiu isso vivendo em LA e Nova York?
Vanessa: os primeiros 2, 3 anos da minha popularidade na França foi muito difíceis. Eles adoram colocar as pessoas no Olimpo e depois se esforçam pra derrubar elas. Isso é muito francês. Quando eu gravei com Kravitz, eu tinha 18 anos. Eu andei por Nova York, ninguém me reconheceu, eu era livre e feliz. Americanos geralmente são muito amigaveis. Mesmo se você está apenas andando na rua e acontecer de encontrar os olhos de um estranho, ele vai cumprimentá-lo.

Gaspard: quando envolve trabalho, eles também são amigaveis. Mas então você ainda tem o pensamento de que esta é uma espada de fio duplo. Claro, eles tem a aparência de serem aberto, mas isso esconde algo mais. Eu não tenho coragem de chamá-lo de duas caras, mas ainda assim.
Vanessa: esta benevolência como uma ideia vem da noção de que neste país toda a gente tem uma oportunidade, uma chance.

Gaspard: onde você vive agora?
Vanessa: meio a meio. Isso depende da programação do trabalho. Nos anos recentes nós passamos muito tempo em LA, mas a cada três meses eu vou para Paris. Eu sinto muito falta.

Gaspard: e as vezes eu sinto falta de Los Angeles. Isso soa sentimental, mas eu gosto que exista um contato real com a natureza lá. Você pode pegar um carro e ir para o deserto ou mar. Isso que eu realmente sinto falta em Paris e Nova York. O que já vivi, me mostra que eu entendo que preciso viver longe do espaço urbano.
Vanessa: quando você vive por muito tempo na cidade, quando está vinculado as crianças, cuidados, você não pode ir para as montanhas ou deserto. Só que você não tem filhos, eles podem mudar tudo, uma viagem para a natureza se transforma em toda uma história. Em LA eu gosto que não há temporadas, céu azul, palmeiras. Mas quando o céu é azul todo dia, se torna chato. Agora tudo está mudando lá, estão fazendo menos filmes lá, principalmente devido aos impostos.

Gaspard: em Abril seu novo filme Café de Flore estreia na Rússia.
Vanessa: sim, é um drama. É um filme forte sobre o que o amor pode fazer a você – e o que você irá fazer por ele. Eu sou uma mãe de um pequeno garoto com Síndrome de Down; foi filmado no Quebec. É a história de um casal terminando, e depois se reúnem. O filme é um hino de amor real.

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