Tradução: Red Magazine, Reino Unido (Agosto de 2013)

Amor não é um conto de fadas”
Antes de Johnny Depp, antes de Chanel, o primeiro amor de Vanessa Paradis era cantar. Como ela lança seu sexto álbum, ela fala com Jude Rogers sobre o amor, Hollywood e porque a vida é boa – não importa o que os tabloides digam!

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Então, o seu parceiro partiu. Uma beleza jovem o levou. Todos os cães das fofocas veem agora a solitária de 40 anos, ex de um belo, bem sucedido ator. Fim do jogo, Vanessa Paradis. Ou é assim que era pra ser.

É uma tarde quente de domingo em Paris, no opulento Park Hilton Hotel. Esta é a cidade onde Joe le Taxi ganhou seu espaço, 26 – 26! – anos atrás, uma música que trouxe fama instantânea aos dentes separados, para a linda adolescente que cantava. Desde então, Vanessa Paradis ganhou prêmios de atuação, é musa da Chanel, teve um relacionamento de 14 anos com Johnny Depp e lançou cinco álbuns. Estou aqui hoje para falar sobre o seu sexto.

Impressionantes 20 músicas, que tem um título que sacode as línguas: Love Songs. Afinal, desde 1998, Paradis tem sido uma personagem de sua própria história de amor. Hoje, estamos a poucos minutos a pé do Hotel Costes, onde Depp colocou os olhos em Paradis pela primeira vez, e convidou-a para sua mesa. A partir daí, cresceu uma das relações da indústria do entretenimento mais sólidas, e dois filhos, Lily-Rose, 14, e Jack, 11.

O Twitter lamentou quando sua separação foi anunciada no ano passado, e rumores sobre Depp e sua nova namorada (a atriz Amber Heard) tem crescido desde então: eles vão se casar (Paradis e Depp nunca o fizeram), e que Heard poderia estar grávida…

Paradis sofre rumores de ser cheia de si, de ter caráter frio – e, hoje, ela está atrasada. Esperando em uma suíte extravagante, eu estou preparado para uma donzela de gelo. E, em seguida, a porta se abre. O que eu não esperava era a animação. A coragem. O abraço caloroso, e o encanto maternal. Três horas depois, na casa do Eurostar, eu deixo de lado o nosso tempo juntos. Paradis me deu uma aula de carisma e jovialidade. Não era o que eu esperava.

Ela diz coisas como esta, diabolicamente, “O amor não é apenas sobre borboletas e contos de fadas. As pessoas dizem, ‘Oh, o álbum é chamado Love Songs, mas são canções tão obscuras'”. Seus olhos brilham quando ela fala. “E eu digo: ‘O que você acha que é o amor?’ Nós não estamos em um conto de fadas. Ninguém vive em um conto de fadas”.

Paradis é inteligente, engraçada, e oferece suas frases com irônia – e, sim, ela parece incrível. Se desculpando pela o trânsito enquanto entra no quarto, ela me pergunta como foi a minha viagem de trem, como uma mãe carinhosa, e se acomoda no sofá. Ela está vestida com um casaco de veludo preto, colete folgado e cordões azuis. Eu ficaria estudantil usando isso; nela, é pura elegância. Seu cabelo está baixo e despenteado. Eu digo a ela que tenho sido um fã de sua música há anos. “Não apenas por Joe Le Taxi, espero”, ela pisca.

Nascida em um subúrbio parisiense pouco antes do Natal de 1972 (“Eu não poderia viver sem estar aqui”, diz ela, batendo no seu assento para dar ênfase: “Eu não poderia”), Paradis não teve uma infância particularmente incomum, diz ela. Mas então, ela começou a cantar.

“E agora tem sido uma fonte de alegria para mim por tanto tempo. Te preenche com vibrações incríveis – você muda um pouco, você cresce, você fica completamente habitado quando canta. E qualquer um pode!”

Seu entusiasmo quando fala é arrebatador – isso contagia você, também.

Quando ela tinha 14 anos, seu tio, produtor musical, Didier Pain, gravou seu primeiro single. Joe Le Taxi passou 11 semanas no número um na França, mas isso levantou os temperamento das pessoas, também. Alguém pintou ‘puta’ na casa dela e ela foi cuspida na rua, mesmo que a música não fosse libidinosa, e ela usava roupas largas no vídeo. “Foi um momento muito surreal”, diz ela, expirando. “Sair de uma infância muito normal, para, de repente, ser julgada, e ter que justificar-se quando você realmente não sabe quem é ainda.”

Ela encolhe os ombros. “Mas eu aprendi muito, muito jovem”. Seu sucesso se multiplicou rapidamente em outros campos. Aos 17 anos, ela ganhou um César (o Oscar francês) para o filme Noce Blanche.

Aos 18 anos, ela foi um pássaro engaiolado balançando em um trapézio na famosa campanha do Coco, da Chanel.

Aos 19 anos, ela marcou um outro sucesso internacional, a retro-pop Be My Baby. “Eu não posso reclamar”, Paradis ri, gargalhando entre o famoso diastema nos dentes da frente. “Mas eu trabalhei duro para isso, sabe?”. E então, seis anos mais tarde, veio Johnny.

No papel, parece que a carreira de Paradis ficou para trás depois disso. A dele disparou com a série Piratas do Caribe; ela só fez meia dúzia de álbuns e filmes. “Houve uma desaceleração para mim, sim, mas nunca houve uma pausa.”

De repente, você sente Paradis mudar. “Quando as pessoas dizem: ‘Como é que você não tem uma carreira em Hollywood?’, eu digo, antes de tudo, que isso não significa nada. Eu tenho a sorte desde o primeiro dia, em ser capaz de escolher o que eu quero fazer no meu trabalho, e com quem eu faço isso”. Ela levanta uma sobrancelha. “E há prós e contras em Hollywood, você sabe”.

Mas é claro que, há três anos, a produtividade de Paradis disparou. Ela fez um Best Of, e fez dois filmes de sucesso: o aclamado L’Arnacoeur e Café de Flore, no qual ela interpreta a mãe de uma criança com síndrome de Down. Então veio o francês cantor e compositor/produtor Benjamin Biolay, com seu cabelo e olhos escuros que lembram alguém na vida Paradis. Ele enviou oito músicas, e ela se “apaixonou por todas elas… e, em seguida, mais continuavam chegando… e agora eu tenho um álbum duplo, porque eu não conseguia me livrar de uma sequer!”

E sobre o título provocante? Ele veio por último, ela diz, e de Biolay – mas ela não vai se interessar por nenhum dos meus palpites sobre ele. “É um grande título. Tão simples, tendo uma frase que nós conhecemos, com novo rumo. Estas são canções de amor e seus altos e baixos, porque é isso que é o amor”.

Então eu pergunto como é cantar New Year, que foi co-escrita por Depp. Uma canção sobre a mudança e tempo, que inclui na letra as cicatrizes vão se curar e, então o que vai permanecer… um projeto misterioso. Uma bela lembrança da dor. “Foi escrita anos atrás”, diz Paradis com naturalidade, em seguida, fala sobre como Lily-Rose fez a primeira frase. Paradis ama ser mãe, ela acrescenta, mas as crianças não ouvem a sua música. Lily-Rose ama a música pop norte-americana, enquanto Jack prefere rap e rock’n’roll. Ela não vai dizer mais nada sobre seus filhos.

Então eu tento, talvez tolamente, trazer à tona o pai das crianças. Eu pergunto se ela se sente bem em lançar um álbum mostrando ao mundo quem é Paradis e o que ela pode fazer, ao invés de ser vista nas sombras de seu ex-parceiro. Sua resposta é uma aula de evasão, mas o atrevimento está dentro de mim. “Você é um jornalista, então você vive muito no mundo do que foi escrito, e que tem sido dito sobre mim. Eu não me comprometo com isso”. Ela se inclina para a frente. “Eu não posso. Primeiro de tudo, eu não quero me contaminar e também não tenho tempo suficiente. Eu sou uma cantora, uma atriz, uma mãe, você sabe o que quero dizer? Isso realmente não me interessa”. E então ela ri. “Mas também não há nada que eu possa fazer, eu não posso calar a boca das pessoas! Então, aproveitem, todos. Se divirtam!”

Eu penso sobre este manifesto no caminho de casa – o quão “foda-se” isso parece, e quão forte isso a faz. “Não é como se eu estivesse escapando ou sentindo falta de alguma coisa na minha vida, também”, acrescentou ela, enquanto nosso tempo correu ao fim. “Olhe para a minha vida”. Ela deu um ponto.

Mas o que é amor para ela, então? “É algo para famílias e amigos e para os amantes”, diz ela. Ela oferece seu raciocínio final como uma bala. “É a coisa mais poderosa que temos”.

Bônus:

Melhor livro – Lady L, de Romain Gary (Vanessa adora seus romances);
Melhor música – Darondo, cantor de soul dos anos 70, que ela acabou de descobrir;
Melhor anti stress – Cantar;
Melhor filme – Cantando na Chuva (seu preferido desde a infância);
Melhor estilista- Lagerfeld e toda equipe Chanel;
Melhor coisa na vida – seus filhos

Fonte

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