Tradução: Telegraph (Reino Unido, Julho 2013)

Amour ou menos
No verão passado, Vanessa Paradis – ninfa francesa do pop, modelo, atriz – terminou com Johnny Depp, seu parceiro de 14 anos. Então, por que ela optou por lançar agora um álbum de canções de amor?

telegr10 Telegraph_Magazine__suppl_ment_GB__20_juillet_2013_p1 Telegraph_Magazine__suppl_ment_GB__20_juillet_2013_p2 Telegraph_Magazine__suppl_ment_GB__20_juillet_2013_p3 Telegraph_Magazine__suppl_ment_GB__20_juillet_2013_p4

No caminho para o meu encontro com Vanessa Paradis em um hotel chique parisiense, eu vejo vários cartazes para o mais recente filme britânico estreado na França. I Give It a Year é uma comédia romântica sobre um casal recém-casado e suas perspectivas ruins sobre o longo prazo da felicidade conjugal. O filme foi renomeado como Mariage para o mercado local. É este, peço Paradis, a tradução francesa para um casamento curto?
“Não, não”, ela ri. “Não é uma frase comum. Mas você sabe o quê? Você sabe quantas coisas são chamados de ‘francesas’ no mundo e realmente não são? French fries, French kiss – embora eu gostaria de pensar que esse é francês”, ela pisca.

Não há como contestar o “francesismo” de Vanessa Paradis, com toda a sua fama mundial nos domínios da música pop, cinema e moda. Ela tornou-se uma sensação internacional em 1987, quando, aos 14 anos, seu pop cativante, a canção Joe le taxi, foi um sucesso em todo o mundo (ele chegou ao top três no Reino Unido). Em alguns anos, ela já era uma atriz premiada também, levando para casa um César por seu papel no filme de estréia Noce Blanche (Boda Branca). Aos 16 anos, ela trabalhou pela primeira vez com o fotógrafo de moda Jean-Baptiste Mondino, uma parceria criativa que ela mantém até hoje.

Ainda na sua adolescência, ela começou a modelar para Chanel, o início de um relacionamento que tem durado mais de 20 anos. Sua primeira campanha foi o anúncio memorável de 1991, em que ela foi denominada como um precioso pássaro em um trapézio para promover o perfume Coco.

Após o estrelato adolescente, sua vida adulta não era uma gaiola dourada de uma celebridade desocupada. Paradis continuou a fazer filmes e fazer álbuns, realizou turnês com concertos internacionais – e construiu uma família com Johnny Depp, o ator que ela conheceu no bar do chique Hotel Costes em Paris, em 1998. (“Eu vi aqueles olhos, e boom! Minha vida como solteiro tinha terminado”, Depp recordou mais tarde)

Eles tiveram dois filhos – Lily-Rose, agora com 14 anos, e Jack, 11 -, mas acabou no verão passado. Agora, com 40 anos e recentemente completou seu primeiro filme em americano, Fading Gigolo (co-estrelado por Woody Allen e dirigido pelo ator John Turturro), ela está retornando ao seu verdadeiro amor. Este mês, ela lança seu primeiro álbum de inéditas em seis anos. Chamado Love Songs, possui incríveis 22 faixas. Por que, neste breve período fora dos holofotes, um álbum duplo?

“Porque eu tive muita sorte, eu acho, em receber essas belas canções de diferentes músicos, de diferentes artistas”, diz ela. “E eu comecei a… o que era?” Ela franze a testa, procurando em memória. Localizando a resposta, ela bate palmas. “Três anos atrás, eu fiz o meu álbum Best of, e eu estava à procura de uma canção original.” Sua gravadora francesa lançou um pedido aos escritores, canções novas adequadas para a voz sussurrada e íntima de Paradis. As ofertas foram inúmeras, tanto que Paradis as guardou para uso futuro. “Não apenas boas canções, mas grandes canções”, diz ela, com seu sorriso distintivo, com os dentes separados em plena exibição. “E uma vez no estúdio, você quer testar todas. A maioria delas nos inspirou muito, muito mesmo. Assim, no final, este álbum duplo se impôs em mim.”

Paradis gosta quando as idéias vêm “naturellement”, como foi o caso no tamanho do álbum e seu conceito solto. “Não é um tema, mas uma vez que eu tive todas as músicas, todos eram canções de amor”, diz ela. “Assim, o título do álbum não foi tão difícil.”

Então, ela não deu aos escritores um motivo para escreverem suas canções de amor?
“Não, não, não, não”, diz ela rapidamente. “Mas isso é o que eu amo cantar mais do que qualquer coisa – canções de amor. E as pessoas gostam de ouvir canções de amor, para encontrar-se. É reconfortante.” Embora, acrescenta com uma gargalhada, “às vezes não é reconfortante em tudo.”
A maioria das canções são em francês. Mas um dos destaques – The Dark, It Comes – foi escrita por Carl Barât, membro da banca indie britânica, The Libertines. O produtor do álbum é um amigo de Barât, e durante a gravação disse a Paradis que Barât tinha uma música que ele queria “propor” a ela.
Sendo “uma grande fã” de sua voz e músicas, Paradis pensou que esta era uma “perfeita, ótima ideia”. A canção é um dueto entre amores em guerra; ele matou a “vadia do mal”, com quem ele a traiu. Barât e Paradis, no entanto, ainda não se encontraram, eles gravaram seus vocais separadamente.

Enquanto Barât está em Londres, “Eu vivo parte em Paris, e parte em Los Angeles.” Paradis diz para explicar os problemas com agenda. “Mas eu quero ver os olhos de Carl – Eu quero dizer obrigado. É uma música tão poderosa. Mesmo que seja uma triste disputa, é uma música divertida para cantar. Foi muito cinematográfica. Você se importa se eu fumar?”

Paradis puxa um pacote de tabaco Golden Virginia e alguns papéis de cigarro com sabor de alcaçuz. Ela pode ser uma estrela internacional e uma exaltada musa fashion, mas Vanessa Paradis parece muito mais interpretar seu próprio tipo de mulher. Ela chegou no hotel sozinha, de cara limpa e pouco atrasada (30 minutos). Ela é friamente, calmamente estilosa: botas cinza, jeans cinza justo, camisa florida e uma jaqueta estilo terno. Parecendo natural e relaxada, se está usando maquiagem, é tão simples como ser invisível.

O anúncio oficial da separação entre Paradis e Depp veio em junho passado. Mas rumores sobre o estado de sua relação rodaram por algum tempo – alimentado em parte, deve-se dizer, pela longa recusa de ambas as partes em discutir sua relação publicamente.

Nesse espírito de entender as coisas erradas, digo a Paradis que alguns observadores irão analisar o álbum (que é dedicado aos seus filhos) usando critérios sobre a separação. Eles vão cutucar as palavras da faixa título, com parte da letra em inglês (“Eu não sei nada sobre o amor, você sabe”), por exemplo, e assumir que o trabalho é repleto de idéias pós-Johnny ou sentimentos.

“Não”, ela sorri, beatificamente. “E eu nem sequer escrevi aquela letra, por isso estou a salvo” Ela hesita e tropeça em suas palavras antes de declarar: “Eu nunca faria um álbum como um diário. Um diário é seu, mas a música é algo para compartilhar com as pessoas. Tudo o que foi dito ou escrito no registro são ideias universais que as pessoas podem relacionar e fazê-las se sentirem bem. E eu estou totalmente protegida ali”, ela sorri mais uma vez, antes de acrescentar: “Eu não escrevi as músicas.”

Ela admite que “porque a minha vida é pública, as pessoas sempre fazem – Do que vocês chamam? – Pontos em comum?” Ela quis dizer “suposições”. “Eles pensam: ‘Ah, ela canta isso por causa disso…’ Mas não é isso, é algo que é bem menos… consciente. Nós pensamos sobre isso muito mais quando damos entrevistas, porque este é o seu trabalho, analisar e explicar. Mas a música tem algo que é menos consciente do que pensamos. É algo como uma criatura que tem uma vida diferente. Há tantas interpretações que poderiam ser feitas.”

Paradis é da opinião de que, se algo é tão puro como a música, porque é que temos que questionar e analisar como faz com que o ouvinte se sinta bem? “Não importa. Você estraga o prazer tentando entender o porquê. ‘Oh, este cookie é bom. Por que é bom?’. Não, você apenas o come, é bom e é isso. Apenas aprecie isso e o momento presente.” Ela sorri e bate suas coxas como para enfatizar seu ponto. “A música é o passaporte para…” Paradis procura a palavra justa. “Paz”.

Por ela ter sido famosa desde a adolescência, o início da vida de Paradis tem sido bem documentado. A filha de sucesso de designers de interiores, ela fez sua primeira aparição na televisão com oito anos em show de talentos para crianças, L’École Des Fans, e gravou seu primeiro single com 10 anos. Depois Joe le taxi, e o foco seguiu por toda parte.

Mas uma vez que ela se tornou mãe, ela e Depp trabalharam duro para manter a sua vida familiar privada, mantendo uma existência tranquila em suas casas no sul da França e em Hollywood Hills. Hoje, ela não está prestes a levantar a tampa em sua vida pós-Depp, mas como ela já disse que divide seu tempo entre Los Angeles e Paris, eu pergunto se ela se sente igualmente em casa em ambas as cidades. “Não” é a resposta imediata, “Eu me sinto em casa aqui.”

O que LA parece?
“LA é… diferente. É um lugar incrível para ver, pela primeira vez, é realmente um cartão postal. Ela tem céu azul o tempo todo – exceto pela manhã, com a poluição – e tem palmeiras, tem edifícios Art Deco incríveis e a história da indústria do cinema. Eu amo as escolas de lá também. Mas meu coração pertence aqui. É aqui que me sinto em casa. Preciso de temporadas. Eu adoro quando chove em LA – mostra que a natureza toma conta”.

Seus filhos são escolarizados nos EUA. Será que eles têm sotaque americano? “Não!” Diz ela, os olhos arregalados, como se dissesse: “esqueça a ideia”. Lily-Rose tem um crédito de escrita em Love Songs. Ela co-escreveu a faixa New Year, depois de chegar com a melodia oito anos atrás, quando ela tinha seis. Ela divide os créditos da música com sua mãe, pai e com Ruth Ellsworth Carter.

Ellsworth Carter é um americana com sonoridade notável – Nas palavras maravilhadas de Paradis, “ela pinta, costura, cozinha, escreve música, é uma poetisa, uma real artesã”. Depp conheceu Ruth e seu marido, Bill Carter, quando ele estava filmando Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador (com o muito jovem Leonardo DiCaprio), perto de Austin, Texas, em 1993. Mais tarde, Bill se juntou à Depp em sua banda P e, mesmo depois, Ruth fez as calças piratas que Jack Sparrow usa nos filmes Piratas do Caribe. Bill e Ruth são padrinhos de Lily-Rose e Jack. “Ruth é uma mulher incrível para se conhecer em sua vida, se você é um homem ou uma mulher. Ela tem essa liberdade de pensamento e tal generosidade, e uma maneira tão bonita de colocar tudo em uma obra de arte.”
Este, ao que parece, é como Paradis está aproximando a concepção de mentes artísticas de seus filhos, cercando-os com pessoas inspiradoras, criativas. Nada é forçado ou presumido. Por exemplo, ela não faz Lily-Rose e Jack praticarem instrumentos musicais. “Eu não acho que é uma coisa boa”, diz ela. “A música é algo que realmente vem do coração e gosto. Tem que ser algo que você quer fazer. Eu os forço a ir para a escola, em escovar os dentes. Eu não posso forçá-los a fazer música. Mas”, ela admite, “é um ponto complicado para os pais ali. Eu sei.”

Lily-Rose, ela diz com orgulho, é uma “cantora que não para. E a música estará sempre em suas vidas, de uma forma ou de outra. Eu não estou preocupada com isso.” Sua filha está agora na idade que Paradis tinha quando teve seu primeiro hit. Será que ela trabalhou na estratégia que Lily-Rose, de repente, decida que quer seguir seus passos? Paradis dá de ombros relaxados. “Você sabe, ela tem uma vida tão ocupada sendo um adolescente já. Então, quando a questão aparece… ” Outro encolher de ombros. “Eu não me arrependo da maneira que aconteceu comigo. Se eu tivesse que fazer de novo eu faria exatamente da mesma maneira. Mas eu estou em uma posição diferente como mãe. E eu prefiro que ela tenha tempo para ser criança. Digo, ela já tem o holofote sobre ela apenas por causa de seus pais.”

E se considerarmos o brilho dos holofotes que a Paradis adolescente teve de suportar – e isso foi na era pré-internet, e sem ter pais famosos…
“Sim, mas eu tinha uma proposta pública”, ela interrompe, o que significa, eu acho, que na França, ela era conhecida como cantora desde a adolescência. “Ela é apenas uma criança, ela está tentando crescer, viver a vida dela. Isto é”, ela repete, “complicado”.

A vida deve ser bastante difícil, uma vez que seus pais estão em demanda no mundo todo. Neste verão, Depp está combinando a promoção de O Cavaleiro Solitário (outra colaboração com os produtores e diretor da franquia Piratas do Caribe) com as gravações do filme sci-fi, Transcendence. Paradis planeja a turnê do álbum, ainda é face da Chanel, e, recentemente, fez uma parceria com a H&M e sua coleção consciente. O filme Turturro/Allen, entretanto, deve ser lançado ainda este ano, e apresentará, parece justo dizer, um novo lado de Paradis.

“Eu interpreto uma viúva hassídica que é uma senhora dos piolhos”, diz ela. “Meu primeiro dia de filmagem, estava na frente de Woody Allen, vestida com uma peruca e um turbante, e isso e aquilo, e eu estou tentando me livrar dos piolhos de um menino lindo com o maior cabelo afro, com um pente para lêndeas. Fala sobre os obstáculos!”, ela ri. Como uma mãe, ela sabe tudo sobre as lêndeas. Ela levanta quatro dedos. “Quatro vezes – este ano!”

E o que acontece com ela?
“Não! Bem…” Ela faz uma careta confessional. “Aqui e ali.” E com seu cabelo comprido… “Bem, é ainda mais que um pesadelo – você pode imaginar?” Ela sorri, fazendo ruídos de arranho e passando os dedos pelos cabelos. Espero que ela manteve o próprio pente do novo filme, eu digo. “Não”, diz ela, sorrindo, “mas tudo bem, eu tenho muitos deles.”

 Love Songs sai dia 22/07 na Inglaterra

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s