Tradução: VS Magazine (Primavera-Verão 2010)

Essência de Paradis
Atrás de todo grande homem existe uma grande mulher. Mas uma grande mulher como Vanessa Paradis pode muito bem existir por si própria. Tendo provado seu valor como uma cantora de multi-facetas, uma atriz bem rodada, modelo versátil, mãe dedicada e esposa leal de um dos homens mais cobiçados do mundo, é uma pequena maravilha que ela continue a deslumbrar e intrigar o seu ambiente de super estrela.

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Ingenuas nos dias modernos são espécies raras: o céu de Hollywood pode ser cravejado com estrelas, mas agora mais do que nunca há um pavoroso vazio entre a quantidade de talento e a quantidade de atenção que estranhas celebridades alcançam. Esse é o porque que nós estamos mais apegados pelos poucos raros que transcendem os confinamentos de tendência, gênero e décadas. Os que consegue exalam personalidade genuína, que comprovam ter o verdadeiro poder e cujo appel permanece fresco além dos nítidos anos da adolescência. Cantora francesa, atriz, modelo e mãe Vanessa Paradis está entre os poucos que nos encantam. Começando como uma estrela infantil com apenas quatorze anos, Paradis encantou seus compatriotas e, posteriormente, no resto do mundo com a sua voz jovial, silhueta minúscula e um sorriso perfeitamente imperfeito.

Como a sua fama contínua afetou sua vida?
Bem, ela me deu com certeza muitos privilégios, mas a coisa contraditória sobre isso é que ao mesmo tempo que me deu liberdade, me tirou liberdade. Eu era famosa quando adolescente, então eu não tive uma vida normal ao crescer, fazendo coisas selvagens. Eu não fiz muito disso, embora eu tenha feito coisas incríveis e viajado desde que eu tinha 14 anos. Eu fiz o que eu queria fazer porque eu escolhi fazer isto, mas sim, celebridade… eu acho que iso me deu bastante mas me tirou bastante também…

Muitas celebridades escolhem colocar suas vidas em exposição, você parece mais privada sobre a sua…?
Sim, mas é porque eu vou para a mídia para vender meus “produtos”. Eu não vou para me vender. Embora, quando eu faço campanhas de moda eu me venda, mas isto me ajuda a fazer música e a fazer filmes. Eu não vendo minha vida pessoal.

Como tem a atenção da mídia a afetado desde que você começou?
Uhm… tem feito definitivamente muito progresso. Quando eu começei com quatorze anos eu não era levada a sério. Eles se divertiam as minhas custas. E então poquinho por poquinho eu fiz coisas que provaram as pessoas que eu tinha talento. E então, sabe, a vida tem sido boa para mim. Eu conheci e trabalhei com tantas pessoas talentosas que enriqueceu minha vida e me deu experiências inacreditáveis. Então como isso mudou? Para o melhor, sem dúvidas.

Foi-se o appeal de Lolita de seus dias mais jovens e hoje, com a idade de 37 anos, Paradis surge como uma mulher assertiva com um talento raro: saber quais os projetos escolher, quais lutas para combater e, sobretudo, quando entrar e sair dos holofotes.

Quais são os altos e baixos de uma vida sob os holofotes? E por que você acha que tantas pessoas almejam por isso?
Bem, todo mundo precisa de reconhecimento, sabe. O que quer que você faça, seja aos olhos públicos ou em casa, seja na sua família, no colégio ou no trabalho, todo mundo precisa ser reconhecido pelo seu talento. Mas quando eu digo reconhecimento, é como se alguém cozinhasse uma refeição para você, e alguém diz “obrigado, isso estava muito bom.” Isso é reconhecimento. Se você faz uma canção e as pessoas cantam, então isso é reconhecimento. Se as pessoas compram a sua pintura ou o seu disco ou querem morar na casa em que você desenhou… mas o reconhecimeto é apenas bonito se tem uma essência, e eu acho que o problema hoje com Facebook e todos os tipos de tecnologia moderna e internet – o que eu não sei nada e fico totalmente longe; apenas não é minha praia – é que as pessoas querem ser famosas sem nem mesmo propor nada. Eles querem ser falados! Mas nós devemos falar sobre o que eles fazem e não sobre eles, porque falar sobre si mesmo, é roubar sua alma, e sua alma deve ser sua e ela deve ser protegida… sabe? Não há nada de errado em falar sobre si mesmo, mas vamos falar sobre o que você está fazendo, o que você pode fazer, o que você pode fazer para outras pessoas, para si mesmo…

Exatamente… é curioso pensar que antes da internet, para estar em uma revista, no rádio ou na televisão você tinha que fazer algo. Você tinha que ter um talento seja na música, cinema, arte ou qualquer que o seu “produto” fosse. Hoje, aquele produto não é essencial como era. Qualquer um pode criar um perfil no Facebook e fazer com que ele – ou ela – esteja lá, abertos no espaço. Colocando suas vidas à exposição mais do que os seus talentos.
Sim, mas porque tem um lado bom e ruim em tudo, ainda tem algo positivo nisso. Há muitas pessoas que tem muito talento. Eles cantam nas ruas ou nas suas garagens ou no metrô – eles nem ao menos tem chance ou oportunidade. Então uma coisa boa sobre a Internet e todos esse tipos de mídias modernas é que todo mundo tem a chance, e se você for sortudo o suficiente de ser ouvido ou ser visto, então você pode ser capaz de presentear o seu talento. Então isso também tem um lado bom que eu também gostaria de mencionar, porque eu normalmente digo que a internet é perversa ou é ruim. Mas não é só isto, é bom também. Mas é verdade que há muito a escolher daqui para frente que você fica sobrecarregado e as pessoas ficam blasés e as pessoas ficam em casa a maior parte do tempo. Essa é a parte triste disso (rindo).

Você quer dizer que eles ficam em casa ao invés de irem a shows?
Filmes, shows, lojas, sabe: tudo! (rindo).

Paradis nasceu em Paris mas cresceu em um tranquilo ambiente nas margens do Marne. Subindo para o estrelato não estava no radar de seus dois pais relutantes, que testemunharam sua filha adolescente estar sujeita ao grande sucesso, mas também insultos públicos dirigidos a sua voz frágil e aparência. Independentemente das críticas duras a princesa do pop conseguiu evoluir para uma rainha, quando ela fez uma estréia triunfal no grande ecrã em 1989 com o Filme ‘Noce Blanche’, que não só deu um Prêmio César, mas também a atenção de Serge Gainsbourg. A lenda da música francesa se ofereceu para escrever uma série de canções para ela que ajudou Paradis a largar sua imagem de ninfeta ingênua e ser levada a sério dentro e fora da música. Logo depois Vanessa Paradis foi lançada como o rosto da fragrância Chanel ‘Coco’ e daí em diante, seu destino foi selado como um ícone dentro dos três campos de prestígio do cinema, moda e música.

Por que você acha que há tanto foco em celebridades?
Bem, porque a vida é dura! A vida é dura e nós queremos sonhar, nós queremos ter uma vida boa. É o que temos colocado na mídia: se você é famoso você vai ter dinheiro e você terá uma bela casa, você vai comer e comprar qualquer coisa que queira – e você terá uma boa vida. Essa é a propaganda! E sabe, quanto mais a vida é dura… você sabe como é… tudo fica mais extremo. O bom fica melhor e o ruim fica pior. As pessoas não querem o ruim, elas querem o bom. E quando você continua ouvindo ‘fama, fama, fama é o caminho’ então sabe, porque não? Por que não eu? E eles estão certos, porque não eles?

No que você está trabalhando no momento aqui em LA?
Bem, eu acabei de lançar o meu Best Of, o que foi um grande acontecimento desde que eu tenho cantado por mais de duas décadas! Então foi bem difícil colocar isso tudo junto. Eu não esperava isto.

E você também está trabalhando em algum novo projeto de filmes?
Sim, eu estou trabalhando em dois filmes, mas eles ainda estão em preparação então eu não posso falar muito sobre eles. Eu não quero prejudicar nada.

Qual é critério para escolher seus papéis?
Oh, boa pergunta… Eu acho, quando eu leio roteiros eu preciso ser pega pela história dentro das cinco primeiras páginas. Ao menos, se eu não tiver sido pega pela página dez, então não é um bom sinal. Eu amo um roteiro que tira meu fôlego logo no começo… E onde, pelo tempo que eu o li, eu não posso esperar para fazer o filme. Então seja algo profundo, dramático ou uma comédia leve eu preciso sentir a urgência em fazer ESSE filme ao invés de qualquer outra coisa.

E foi desse jeito com esses dos filmes que você canalizou agora?
Sim, sim foi desse jeito.

Já tendo conquistado tanto, você teria medo de que suas maiores conquistas estão atrás de você e não à sua frente?
Não, não mesmo! Eu não sei sobre você, mas eu acho que estes dias são tão curtos para fazer tudo que você quer fazer. Todo dia eu penso ‘oh, eu quero fazer isso ou eu quero fazer aquilo’. Eles podem não ser grandes conquistas, mas são sempre coisas que você quer fazer. Sejam pequenas coisas ou grandes coisas, contanto que você continue fazendo coisas você nunca estará entediado. Eu nem sei COMO você pode ficar entediado? Eu não acho que há tempo suficiente para ficar entediado.

Como você se sente sobre moda? Você sempre tem estado dentro dela em alguma forma.
Sim, eu amo moda. Eu amo roupas. Eu amo grandes designers. Eu não faria da moda minha única paixão, mas é uma delas. É divertido e é criativo.

Você vê alguma tendência importante da moda agora?
Não, eu não saberia. Eu sou muito ruim com isso. Eu não me importo. Eu gosto de misturar coisas mas eu não sou visionária… Como eu disse para o stylist na sessão de fotos de hoje: ‘Vá em frente e me vista, eu sou sua boneca!’. É legal, sabe, é o mesmo quando você atua em filmes. Você se deixa ser moldada. É uma coisa boa essa mudança – ao contrário você sempre fará as coisas do seu jeito, e é sempre do mesmo jeito. Se você interage e trabalha com outras pessoas você vai para outro lugar. Algum lugar mais interessante…

Bem verdade, mas poucas pessoas são abertas a isso. Deixe as celebridades em paz… bastante celebridades nas quais nós trabalhamos são tão específicas em como eles querem ser fotografados. Às vezes é como ‘eu prefiro essa pose’ ou ‘eu prefiro que me fotografe assim, eu pareço melhor desse lado’…
… Mas a gravidade vai pegar a nós todos, sabe, ha ha… (rindo). Eles não vão parecer do mesmo jeito sempre… todo mundo tem que seguir em frente.

Sim, bem, no Photoshop eles podem realmente parecer do mesmo jeito sempre…
Você está certo, mas se nós devemos trazer alguma esperança para cá, eu gostaria de dizer que apesar da tecnologia e apesar de menos foco no produto, a essência ainda está lá. É a essência que está segurando tudo junto, não a tecnologia. Sem a arte, sem o coração e a paixão, tecnologia seria inútil.

Essência, é uma boa palavra…
Sim, quero dizer, tecnologia empurra para frente e trás o bom e ruim. Mas isso não seria importante se a essência não tivesse lá por baixo. Todo mundo deseja ter talento, mas eles não têm – todo mundo pode usar tecnologia entretanto. Mas sabe do que, talvez isso não seja um ciclo vicioso. Talvez seja um lindo círculo que nós traz todos de volta à essência?

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