Tradução: Rock & Folk (14/09/2013)

Eu me escapo” – Vanessa Paradis
A cantora chique coloca fim nos seus seis anos de silêncio discográfico em parceria com Benjamin Biolay, arduamente defendido por sua musa na entrevista abaixo.

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Ela sabe que na vida, será sempre a criança que cantou “Joe Le Taxi”. E Vanessa não tem nenhum problema com isso. Mas depois de seu monstruoso hit dos anos 80, o único hit francês internacional depois de “Je T’Aime Moi Non Plus“, de Birkin e Gainsbourg, as coisas mudaram. Um disco escrito por Gainsbourg (“Variations Sur Le Même T’Aime”), papeis no cinema, uma verdadeira carreira. E em 2013, um algum que é considerado um de seus melhores: “Love Songs“, finalmente acinzentado por Benjamin Biolay, e seus (duplos) álbuns pop que marcaram suas épocas. Falando nisso, Vanessa chega na imensa suíte de um hotel na rua de la Paix, onde ela mantém seus hábitos. Frágil e magnética, ela encarna essa mistura de timidez e força que pertencem só a ela. Pergunta se atrapalharia se fumasse, e pega um cigarro, e coloca sua deliciosa voz fina no caminho magnético do gravador.

Rock&Folk: Precisa estar apaixonada para lançar um álbum com nome de “Love Songs?”
VP: Apaixonada na alma, eu diria. É um sentimento que anda para muitas coisas: viagens, música… O sentimento de amor é se sentir bem, mais forte do que de costume. E ainda, a música vai muito mais procurar a atriz que existe em mim. Não temos todos os dias as mesmas vontades, o mesmo humor, o mesmo sistema imune. Alguns dias são da imaginação, outros é de viver. Pouco importa, a música transforma humores, os transcende. Quando temos a sorte de cantar grande músicas, nos perdemos. Eu me evado, quase mais que quando ouvisse a música pela primeira vez. E ainda, eu a canto! Vai até o cérebro. Só a ideia de amor já me faz vibrar.

RF: Benjamin Biolay produziu o álbum e escreveu sete músicas. Foram compostas especialmente pra você?
VP: Eu não perguntei a ele, mas a princípio sim. Algumas foram bem escritas pra mim, e outras não, mas ele julgou correto me ofertar. Eu não sei quais, não são questões que pergunto. Suas músicas mexeram comigo, eu nem precisei de uma segunda audição. Era evidente. Algumas já estavam arranjadas, com cordas, e outras eram modelos. “Prends Garde À Moi“, a primeira que eu ouvi, estava completa. Mesmo por mp3, eu tive um baque. “La Chanson Dex Vieux Cons” é magnífica, que presente! Eu perguntei como ele tinha feito para não gravar, mas ele tinha desejo em me dar grandes canções. Eu posso dizer porque não fui eu quem escrevi, mas ela me dá a impressão de um clássico, daqueles que podem ficar.

RF: Muita gente faz uma ligação entre Gainsbourg e Biolay. Você trabalhou com os dois, o que acha?
VP: Claro que eles tem coisas em comum. O talento sagrado, o brilho do espiríto. As vezes quando Benjamin fala no palco, em uma palavra, um tom, há alguma coisa. Não quando ele canta. Mais eu penso sobretudo que os franceses sentem falta de Gainsbourg, e é uma maneira de o manter vivo, não de ver alguém parecido. São autores compositores insensíveis, fortes, mas… Bem, quando fiz um disco com Gainsbourg, ele foi só autor. Ele era só autor, não compositor, nem arranjador. Eu não vi esse trabalho. Mesmo que ele estava todos os dias no estúdio, mas foi Franck Langolff que fez tudo isso por mim. Biolay é multi-instrumentista, ele tem isso a mais que Serge. Ele escreve arranjos em cordas, voz e instrumentos de sopro, eles os dirige, é algo que fez desde seus cinco anos. Biolay faz discos desde os quinze anos, seria correto afirmar que ele é único só por ser ele mesmo. Ele incomoda muitos. Tem uma cultura política, esportiva, tem um espírito vivo e diz o que pensa. Não faz compromissos artísticos. E pra aplaudir o artista, nós queremos sempre caçar o homem. Vem um pouco de nós isso. Eu acho odioso que digamos que ele escreveu lindas músicas, mas é melhor quando outros as cantam. É horrível! E ainda, eu adoro sua voz, ela é absolutamente charmosa. Ele tem tons românticos/suaves, então, merda!

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