Tradução: Entrevista Elle Belga (Outubro 2013)

jmondino

Vanessa Paradis, a “in-dependente”
Nesse outono, forte e emocionante, Vanessa Paradis canta suas canções de amor montadas por Benjamin Biolay. O pássaro pousa em breve em Bruxelas. Seu canto não é mais um sussurro.

Desde 1987, nós a seguimos. Vanessa canta, nós escutamos. Vanessa atua, nós assistimos. Vanessa desfila, a gente copia. Vanessa sorri, nós compramos. Vanessa chora, compramos também. Vanessa Paradis, é uma irmã. Sobre ela, nós acreditamos saber tudo, e portanto. Alguns meses após o término com Johnny Depp, ela lança “Love Songs”, um álbum de músicas de amor que na turnê, ela leva de coração leve. Em 3 de novembro, ela estará no palco íntimo do “Cirque Royal”. Mas é em Paris que a encontramos, num dia ensolarado, na suíte de um palácio, rua “de la Paix”.

Fiel ao que ela é, na seda e no ouro, “Coco” continua “Coco”: um pássaro de comportamento calmo, mas com um olhar que não nega sua força. Magra no seu jeans cinza, camiseta florida com caxemira marfim de gola V, cascata de cachos na cabeça e o cigarro (feito a mão) na boca, ela nos acolhe com um beijo que estala. Evidentemente ela é legal. E evidentemente, nós não a chateamos com questões as quais, de qualquer maneira, inteligente, ela não irá responder: quem foi embora primeiro? Alguém já o substituiu? E Amber, ela é legal com as crianças?… O álbum está lançado. Um ponto em vantagem. Ele fala da vida aos 40 anos, a vida, o pássaro do paraíso começa a conhecer um raio.

Os textos do álbum colam muito bem a sua imagem. Benjamin Biolay está na tua cabeça?
Eu coloco meu coração nas bandas, mas ninguém está na minha cabeça. As músicas foram escritas antes que eu encontrasse seus autores. Me deram letras e músicas e era tudo que tinham me enviado, eram músicas de amor. Eu prefiro cantar assim, isso caiu muito, muito bem. Foram escritas pra mim? São perguntas que não fazemos quando recebemos um presente, isso é tudo.

O talento é também se aliar a uma boa pessoa.
O encontro com Benjamin foi bem rápido. Faziam anos que tínhamos vontade de trabalhar juntos. Um mês e meio depois que ele me enviou suas músicas, estávamos em estúdio. Porque ele tinha vontade de fazer esse disco, e eu também. Gravamos em um ano, um pouco aqui, um pouco lá, assim foi. Ele ama o que eu fazia, conhecia muito bem meus álbuns antigos, sabia o que eu ia gostar e uniu ao que faltava pra ele. Cada artista tem uma visão das coisas. Um álbum, é o reflexo de um momento. Cada álbum tem sua história e seu lugar dentro da minha.

Esse parece com maturidade…
Com certeza. As músicas são mais graves que do meu último disco, que era muito mais lúdico, mesmo se haviam músicas tristes. Mas a produção de Matthieu Chedid é mais fantasiosa. Com Benjamin, é mais pesado.

O que é cantado não é dito… É como virar uma página.
Eu acredito que eu vejo o que quero ver (risos). Não é bem verdade como a pintura ou escrita, porque as músicas te seguirão por toda a vida. Fazem 25 anos que eu cantei “Joe Le Taxi” no palco… Meu emprego parece o trabalho de um pintor, no sentido de termos dificuldade em colocar sua estrela. Um disco é como um apartamento: é preciso decorar, se mudar. Há sempre um momento onde queremos colocar o prego, mudar a cor das cortinas… É um trabalho de constante evolução. Mudamos de humor, de força… Nada que em 24 horas seja resolvido. De uma interpretação a outra, as emoções não são as mesmas.

É difícil colocar um ponto final?
Sim. É muito emocionante, algo triste. E ao mesmo tempo, há uma contradição, porque precisamos muito do reconhecimento dos outros para que o que fazemos exista de verdade. É quase um paradoxo, mas não é complicado. É algo que nos faz viver! Se não existisse essa “deadline“, a data de lançamento por parte da gravadora, datas de shows, jamais acabaria, o trabalho estaria sempre no caminho.

Isso seria tua “grande obra”?
Sim (ela cai no riso).

O álbum foi gravado em Bruxelas? Será uma boa lembrança?
Já é! É preciso saber que Bruxelas é minha etapa favorita na turnê e de toda a equipe. Porque há uma grande generosidade, uma atenção e bondade do público. Sentimos que as pessoas querem nos ouvir. A energia e a reciprocidade são essenciais, positivas e encorajadoras. Isso dá asas. A generosidade chama generosidade. Com esse álbum ainda, eu tive a chance de gravar pela primeira vez no estúdio ICP, que é o meu favorito no mundo todo, o lugar mais fabuloso para se trabalhar. Ele é de um apaixonado pela música, o John, que tem um gosto refinado, totalmente puro. O lugar propõe estúdios e quartos, então, estávamos totalmente imersos. Tirando o sotaque belga, nós não sabíamos onde estávamos. Benjamin Biolay toca todos os instrumentos, então, as vezes, a gente ficava com Erwin Autrique (técnico de som do ICP), e eu e ele em estúdio, e as músicas saiam como se uma filarmônica estivesse atrás. É o que há de melhor na vida, em todo caso, uma das que eu prefiro. Bruxelas está no meu coração como nunca!

Uma das tuas músicas diz “Eu quero ser sem rei, com as rédeas entre meus dedos”. Vanessa, a nova amazona?
Não fui eu quem disse, foi Marcel Kanche (autor-compositor-intérprete, ele gravou entre outros com “Les Rita Mitsouko” e “The Cure”, antes de escrever para Matthieu Chedid ou ainda Vanessa Paradis)! (Risos). Se eu canto essas letras, é porque elas se ecoam perfeitamente em mim. Mas eu não sou uma amazona. A partir do momento que nos tornamos mãe, nunca estamos galopando sozinhas.

É também um sentimento pós-40 anos, essa maturidade? Em algum momento, temos desejo de nos reencontrar.
Precisamos jamais esquecer o que somos e sempre saber o que queremos. Não é sempre fácil, mas digamos que, se sabemos o que não queremos, já é uma grande coisa. Isso nos torna a mãe que somos e nos dá a independência que procuramos. Independência é o que há de mais importante, é o que queremos dar pros nossos filhos também. É por isso que nós os seguimos, dizemos não, que os educamos. Para que eles sejam capazes de viverem sozinhos e voem.

O que você quer para os próximos 5 anos?
5 anos, é muito tempo.

2 anos, então…
Em uma ano como esse, é fácil, dois anos, como sabemos já que o álbum foi lançado, a turnê de inverno e os festivais de verão estarão ligados. Eu não sei quando, mas eu vou gravar meu segundo filme com Cécilia Rouaud (Je Me Suis Fait Tout Petit). No imediato, o importante, é nos jogarmos sem fronteiras tanto o quanto podemos. Esse trabalho dá sobretudo encontros, e ainda, desejos dos outros. Eu não tinha previsto fazer um dueto com Carl Bârat (comparsa de Pete Doherty na banda “The Libertines”)… É muito mais agradável quando temos desejos compartilhados, quando não é preciso ter convicção e fazer tentativas. As coisas se tornam não somente belas, mas mágicas.

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