Tradução: Version Femina (11/11/2013)

A cantora está nos palcos para uma grande turnê depois do sucesso de seu álbum “Love Songs”. Radiante, serena, ela não esconde mais a sua felicidade de partir nas estradas da França.

Pessoas gostaram seu último álbum, então se você se sentiu mais confiante?
Sim, e mais importante, eu me senti muito satisfeita. Muitas pessoas me dizem que amam este álbum, que os fazem sentir bem. Eu tenho muitos álbuns de artistas que me fez sentir bem também, em momentos diferentes da minha vida. Algumas pessoas confidenciaram isso para mim, mas sobre as músicas . Eu sempre escutava : “Essa música tem me acompanhado ” , mas nunca para um álbum inteiro . Todos os dias , a música está ao nosso lado . Para muitas pessoas, é um elemento de sua vida.

Este álbum contém vinte canções. É muito raro…
Eu estava muito mimada, eu nunca tinha recebido tantas belas canções na primeira tentativa! Gravamos todas, mas quando tivemos que escolher , nós tivemos que suprimir quatro ou cinco músicas. Então mantivemos canções muito importantes para mim. Finalmente , eu prefiro álbuns curtos com dez músicas. Mas para este, tivemos músicas suficientes para fazer dois álbuns , se quiséssemos . Portanto, não é como se nós queríamos fazer um álbum duplo no início, e como se não conseguisse encontrar músicas. Eu realmente gosto da idéia de gravar um álbum com canções que já foram escritas.

Há canções de amor , agradáveis duetos, uma “atmosfera pop”…
“A música pop” , é muito grande. Na França, chamamos isso de “variedade” . E eu posso descrever este álbum como um “álbum sortido” . Nós viajamos para Cuba, para Londres , voltamos para a França e vamos para Italia … Eu acho que este álbum é como um romance (livro). Mesmo que as pessoas tenham suas músicas favoritas, eu acho que este é um disco muito bonito para se ouvir por inteiro.

Você foi sempre apoiada por artistas muito talentosos . É uma questão de instinto?
É uma questão de gosto. Eu admiro o trabalho dessas pessoas . Eu não sei quais são as canções escritas especialmente para mim, ou se essas músicas foram oferecidos a mim, mas eu me sinto profundamente comovida por elas. Eu realmente gosto do que eles fazem e as coisas que fizemos juntos , então funciona .

Mas parece que há uma evidência , como aqui com Benjamin Biolay…
Sim, Benjamin traz à tona os seres humanos , e seu trabalho é absolutamente completo. Eu já conheci pessoas que tinham algumas “qualidades artísticas ” que ele tem , mas nunca tantos dons em um único músico . Isso é ideal! Isso é muito bonito e impressionante ver alguém que pode tocar vários instrumentos , que escreve partituras para as cordas, a bateria , coro , e que é capaz de organizar as canções de outros como ele poderia fazer por suas próprias canções com tanto prazer.

O que ele quis trazer para você, em comparação com os outros?
Eu realmente não quero responder a essa pergunta… Depende da personalidade do músico, você sabe. Mas, com Benjamin, partilhamos os mesmos gostos musicais, e nós gostamos das mesmas coisas artísticas. Então tivemos boas relações ao mesmo tempo. Com alguns músicos , eu me lembro que eu tinha que encontrar “o acordo perfeito”, mas com ele, tudo foi imediato. Para lhe dar um exemplo concreto, nós trabalhamos durante um ano sobre o álbum que contém vinte canções, que normalmente é o tempo que passamos por um “álbum simples”. As idéias e os conhecimentos foram imediatos: Benjamin é capaz de pegar um trompete e tocar várias notas quando precisamos de algo para a bateria.. isto é realmente ilimitado. E sempre com o rigor que vem da música clássica, e seu lado “autodidata”. Ele sabe como fazer uma mistura com elegância e podemos sentir isso em sua música. Ele realmente gosta de fazer arranjos para suas próprias canções e canções dos outros também. Ele é um artista sublime. Ele sabia como trazer tantas coisas astutas neste álbum, que eu era capaz de senti-las com a emoção e não como um trabalho.

Você compôs músicas para este álbum?
Sim, três ou quatro, mas eu escrevi apenas um texto, “Doorway”.

Gostaria de compor mais textos ?
Eu realmente não tenho esse dom. Eu tenho idéias, os temas , mas eu nunca me sinto satisfeita com os meus textos . Eu acho que é porque eu sou “servida” como uma princesa desde que eu tenho 14 anos de idade , e não há nada que eu goste mais do que cantar texto bonito. É por isso que eu não escrevo mais.

Ao contrário da composição?
Devo admitir que é mais fácil para mim, vem mais naturalmente, isso é certo .

“La chanson des Vieux Cons” é angustiante…
Se eu não prestar atenção quando estou cantando, eu choro. É uma canção totalmente surpreendente. É como andar em um fio muito alto, muito longe do chão . Eu não sei como isso vai acontecer quando eu cantá-la no palco, mas é uma música tão bonita que merece ser cantada no palco.

Sua filha, Lily- Rose, compôs quando ela tinha seis anos de idade . Ela é surpreendente…
Tudo foi feito naturalmente , os acordes já existiam e eu estava procurando a melodia por alguns dias . Ao passar perto de mim, ela cantou a melodia dos versos , e ela ainda teve a primeira frase do texto. Eu achei divino , e eu queria terminar as canções com esses acordes . Ela está orgulhosa , mas ela não percebe que sua melodia é o ” coração” da minha canção “New Year”. É incrível que o trabalho de uma criança pode ser tão bonito…

Você vai sair em turnê . É essencial para você estar no palco ?
Essencial, não, mas é um grande prazer. Também é bastante trabalho. Eu realmente gosto quando procuramos essa perfeita harmonia entre nós, músicos, até que possamos comunicá-la com o público. Esses são momentos muito agradáveis. E os novos textos tornam-se vivos no palco. Tocamos músicas, a música está em todo lugar . Eu viajo e vejo rostos sorridentes, e essas pessoas passam um bom tempo com a gente. Isso é um sonho!

Temos a impressão de que você se sente mais e mais feliz no palco, você está em comunicação total com o público…
Eu me sinto mais e mais confortável, sim. E a música é um remédio maravilhoso para tudo! É como ir assistir a um filme : é um momento de fuga. Mas, acima de tudo, um concerto, é algo vivo: a música e a energia das pessoas se misturam e geram algo positivo. O que é raro em nossa vida cotidiana. Sinto vontade de dançar dentro, é uma doçura e um calor animal.

Como você se preparou para esta turnê?
A escolha das músicas foi feita com carinho, e de acordo com aquelas que o público gosta. Tivemos que encontrar a “ordem perfeita”, e foi um verdadeiro cubo de Rubik (cubo mágico) . Então eu escolhi 25 músicas que marcaram os pontos altos da minha vida e os da vida do público também. Os músicos estão prontos . Tenho a sorte de trabalhar com Nicolas Fiszman, que também trabalhou no meu álbum . Eles são grandes músicos e eles têm almas muito belas, músicos talentosos e generosos.

Benjamin Biolay lhe deu algum conselho para a turnê?
Ele quase formou a banda . Ele já trabalhou com essas pessoas. Ele também vai nos ajudar nas versões ao vivo das canções. Entre uma versão de estúdio e uma versão ao vivo , temos de encontrar um arranjo agradável , porque não temos os mesmos instrumentos no palco. E então, ele é a minha surpresa para esta turnê: ele estará ao meu lado no palco. É uma grande felicidade compartilhar todas essas emoções com ele.

Você sabe o que são as canções que o público irá lhe pedir todas as noites?
Já existem músicas com base nas quais o público gosta. Mas isso pode mudar, então eu não posso prometer e decepcionar depois. Mas haverá uma agradável nostalgia, e vai ser uma grande festa!

Você só tem 40 anos, e 25 anos de carreira. Isso é incrível!
Isso é bastante surpreendente, e eu estive muito ocupada durante estes 25 anos. Estou impressionada também…

Então , você se sente sob pressão para o futuro?
Não, o que está feito, está feito. Quando nos preparamos para criar um novo álbum, uma nova canção, começamos tudo de novo desde o início. Se o que você fez é ruim , você vai ser “julgado” no devido tempo. Então, tudo deve sempre ser feito novamente. Mas o que nos une com o público, isso é algo que realmente nos segue.

Você ainda tem medo do palco?
Sim, e se eu não tivesse mais medo do palco, eu acho que eu estaria preocupada. Eu fico nervosa antes, durante momentos de preparação, mas, uma vez que estou no palco, eu quero fazer um bom trabalho, e tudo desaparece. Quando o show começou, começou!

É difícil depois de todas esses rappels* deixar finalmente o palco?
É sempre difícil dizer adeus, mas deve ser relativamente breve. As pessoas precisam sair depois de um tempo, a fim de fumar um cigarro ou tomar uma bebida. Você sabe, conseguimos concertos de dia para dia. Nós podemos mudar a ordem ou os arranjos das músicas. Tudo está vivo em um concerto. O som ou a luz deve ser refinado, gosto muito de trabalhar em equipe.

Você tem muitos homens em sua equipe…
Sim, mas eu também dou muito bem com as mulheres. Na última turnê , havia três garotas no palco, e foi ótimo!

Você interpreta uma canção italiana relacionada com “Fading Gigolo” , que você filmaou em Nova York…
Sim, filme do John Turturro. Ele me pediu para cantarolar esta música, a fim de ter uma voix-off (?). E esta canção foi essencial porque eu gravei ao mesmo tempo que o meu álbum. Não há maneira melhor de cantar sobre o amor do que cantar em italiano, e a canção correspondeu muito bem às diferentes influências do meu álbum.

A filmagem é uma boa memória?
Foi extraordinário! Como um sonho acordado. Nova York, é a primeira cidade onde eu morei sozinha. Eu aluguei um apartamento, e eu gravei um álbum com Lenny Kravitz, quando eu tinha 19 anos. É absolutamente incrível. Eu me apaixonei por esta cidade e toda a liberdade que ela me deu. Muitas vezes eu voltei para a França, mas me tornei muito ligada à Nova York. Durante as filmagens, eu tive um novo apartamento, e eu senti como se eu estivesse no passado. E , além disso, desta vez, andava para cima e para baixo da cidade. Uptown, Downtown, nos subúrbios, no Brooklyn… Você pode imaginar, atuando com Woody Allen, nesses sets, e tudo isso em um filme dirigido por John Turturro . Este homem tem a mesma loucura doce como um diretor de teatro e como ator. O furacão Sandy ocorreu durante as filmagens. Em nossa equipe, algumas pessoas perderam suas casas. A filmagem foi parada por uma semana. E nós pudemos ver toda a solidariedade que essas pessoas são capazes de mostrar, uma lição de vida real. Não importa quem você é, todos ajudaram uns aos outros.

Woody Allen é o seu parceiro . Como é o ator?
Excelente! Todas as filmagens eram diferentes. Ele improvisa muito, e ele dá tudo o que sua mente brilhante é capaz de inventar. Eu tive que me beliscar, porque eu não queria rir, e, ao mesmo tempo, eu pensei que como eu tinha sorte de estar ali, naquele momento. O filme será lançado no próximo ano.

Neste verão, você filmou “Homo Sapiennes” , dirigido por Audrey Dana.
Sim, um filme sobre mulheres , sobre todas as mulheres. É muito interessante, mas eu realmente não posso falar sobre isso ainda. Essa é maravilha de ser dirigido por uma atriz que escreveu seu próprio roteiro. Tal como John Turturro, há sempre uma relação forte quando um ator é dirigido por um outro ator.

O que podemos lhe desejar para o futuro?
Eu não quero falar sobre o futuro com você, eu não sei… Tenho tido muita sorte. Eu estive na vida quotidiana das pessoas por um longo tempo, e o público está comigo todas as noites. Eu espero fazer um musical. Um dia…

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