Entrevista e prévia da capa para a revista “L’Express Styles” dessa semana

lesVanessa Paradis é capa da edição dessa semana da revista L’Express Styles, com photoshoot inédito, clicado por Matthew Brookes. Ao lado, temos a prévia da capa, seguida pela tradução da entrevista. Mais tarde voltamos com as fotos:

O que te seduziu em Amantes a Domicílio*?

Eu adorava todos os filmes de John Turturro, sua originalidade, seu espírito de equipe, seu humor… Nos encontramos dois anos atrás por outro projeto que não foi feito, e eu aceitei Amantes a Domicílio antes mesmo de ler o roteiro. Eu estava totalmente lisonjeada dele ter feito outro convite para mim. Não estava determinado que eu pudesse interpretar uma viúva hassídica, em inglês. E depois foi escolhido um elenco maluco. Woody Allen, Sharon Stone, Liev Schreiber, Sofia Vergara. John é um super diretor, bondoso e preciso em duas direções. Ele tem um lado dramático, fantasioso, humorístico. É também um dançarino e ator.

Esse papel teve ressonâncias em você?

Claro, eu estava emocionada por esse mulher, como sou em relação a todas as mulheres oprimidas. Com a ajuda de Woody Allen, que faz com que ela encontre esse gigolô (John Turturro), ela encontra enfim alguns minutos de alegria. Ela é mãe de 6 crianças, viúva há 2 anos. Desde então, ninguém pegou ela nos braços. Eu sou alguém livre desde sempre, e homenagear as mulheres, ou homens, que estão descobrindo a luz, a felicidade, é maravilhoso. Porém, não se pode criar generalidades e algumas mulheres dessa comunidade são realmente felizes. Eu não estou aqui para julgar.

Como se tornar uma viúva hassídica?

Já começa pelo costume. A peruca, os collants apertados, gola alta… é a metade do trabalho. E para aproximar mais um pouco da personagem, eu passei um tempo com uma jovem americana de 25 anos, israelita, que havia fugido de sua família. Seu depoimento me impressionou muito. Ela teve de partir do zero. Eu me documentei também. Eu participei da festa de “Souccoth” em um meio mais liberal. Entrei num mundo que eu não conhecia.

Nos conte sobre seu primeiro encontro com Woody Allen.

Foi no cenário. Eu usava um turbante e devia escovar o cabelo de seu filho com pente. O pequeno tem um cabelo afro e eu estava com medo de machucá-lo. Ao mesmo tempo, eu deveria lembrar de dizer meu texto em inglês – é meu primeiro filme nessa língua – com um acento delicado, mais europeu e com o Woody Allen como parceiro. Estava tão concentrada que não entrei em pânico. Woody me fez rir muito entre as cenas, foi a maior dificuldade nessa gravação: eu devia restar indiferente. Ele improvisa sem limites. Nenhum diálogo é igual e são muito ele: engraçado, engraçado! Mas quando estamos cara a cara com Woody Allen ou não, em Nova York ou não, o importante é fazer o melhor que pudermos.

Você reencontrou Nova York, onde você viveu no início dos anos 90, na época de seu disco com Lenny Kravitz.

É uma das minhas cidades favoritas no mundo…

…Junto?

Com Paris… Nova York tem um efeito louco em mim, mesmo fisicamente. Eu tinha esquecido como passava voando por lá. Gravamos no Brooklyn, em Manhattan. É pulsante, intenso, lúdico. Nas cenas sem diálogos, John Turturro me seguia nas ruas, com um alto-falante que tocava ‘Le Torrent’, uma música de Dalida pouco conhecida, que ele adora. John descobriu um álbum dela por 5 euros nas docas, mas também ‘Tu si na cosa grande’, um clássico napolitano que eu cantei a pedido dele a cappella no meu iPhone. Eu gravei mais tarde no estúdio. ‘Tu si na cosa grande’ está no meu disco ‘Love Songs’, porque ela interagia nesse buquê de canções de amor.

Love Songs te deu seu terceiro “victoire de la musique” na categoria melhor cantora.

Eu amo muito, muito esse disco duplo. Estou orgulhosa. Eu sentia que, se essas músicas me tocassem, tocariam os outros. Ouvindo-as, dizemos: ‘elas falam sobre mim, é minha história’. São músicas de um outro gênero que o precedente, o tema dos textos e a produção de Benjamin Biolay são como… Não, eu não tenho vontade de colocar mais ou menos. Elas são diferentes. E, ao vivo, elas se misturam nos ares dos meus outros álbuns. Mesmo se não forem fãs de todas as minhas músicas, elas te remetem a certo período de sua vida. Elas tocam nas rádios, na televisão. Eu tinha vontade que todos tivessem essa nostalgia alegre. Tive grande prazer com essa turnê, de verdade. Isso serve também como experiência: aproveitar as coisas, apreciar, viver com alegria e compartilhar.

Você é a musa dos criadores. Qual sua ligação com a moda?

As roupas, é a maneira que você se apresenta aos outros. O que embala sua pele. Eu amo os tecidos, sua doçura, seu calor, seu frescor. Eu não sou todas as coleções nem todas as tendências, é espontâneo. E em questão compras, eu sou uma verdadeira garotinha.

Seu novo corte de cabelo, descoberto na última edição do “Les Victoires de la Musique”, fez barulho nas redes sociais…

Nem fale! As pessoas não tinham nada pra fazer naquela semana? Foi John Turturro quem me propôs o corte para gravar o curta que ele dirige para “Rio, eu te amo”**, um filme de segmentos como “Paris, je t’aime” e “New York, I love you.”

Uma proposta não tão leve?

Sim, de fato, não era difícil fazer a pergunta. Tudo que corria o risco, era o que eu recusava. E eu estava motivada, extremamente motivada, mesmo. Para o roteiro, ele se inspirou em uma música de ‘Love Songs’, ‘Plus d’Amour’, escrita por Benjamin Biolay. O filme segue um casal que se disputa, no Rio, claro. Eu estava feliz de reencontrar John e parte da equipe. Ter a confiança de um diretor que admiro, é inestimável.

Você está na mira da mídia desde 1987. Oito biografias contam sua vida…

Ah, sim, oito? Eu sabia de algumas, mas…

Você as leu?

Ah não.

É impressionante?

Sim… Não sei o número de coisas verdadeiras e falsas.

Woody Allen disse: “é díficil viver sua própria vida e ao mesmo tempo cantar de maneira justa”.

Mas Woody não é cantor! Ele toca clarinete, muito bem na verdade, eu o ouvi no Carlyle, em Manhattan. É jazz cigano dos anos 1920 muito alegre… Evidentemente, se ficarmos atentos na vida, em todas as dificuldades, isso pode nos desestabilizar, e nos fazer dissonâncias na interpretação. Mas eu vos asseguro que é possível viver sua vida e cantar independente do que aconteça.

*Amantes a Domicílio (Fading Gigolo) estreia dia 25 de Abril no Brasil.
**Rio, eu te amo tem previsão de estreia para ainda esse ano, porém sem data exata até o momento.

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