Tradução: entrevista para o site Yahoo

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Q: Por que você cortou o cabelo?
V.P.: bem, eu gravei um curta, Rio, eu te amo, com John Turturro, quem dirigiu e atuou. Você sabe como eles fizeram, como Nova York, eu te amo e Paris, eu te amo, agora estão fazendo sobre o Rio. John e eu estávamos conversando, e ele disse: “por que você não corta seu cabelo?”, e eu estava tão pronta para isso que não foi grande coisa, mas isso fez muito barulho (risos), mas é só um corte de cabelo que vai crescer e tudo fica normal.

Q: Isso não machuca.
V.P.: não. (risos)

Q: Então Amante a Domicílio é seu primeiro filme em inglês. Por que você esperou tanto?
V.P.: eu estava esperando por um bom filme. É engraçado como as pessoas pensam que é fácil. Óbvio, eu vivo na América há muito tempo, sou atriz e cantora, e então, por que eu não trabalho na América? E não é tão simples como “eu quero fazer filmes aqui”. Tipo, isso não quer dizer nada. Tem vantagem e desvantagem. Eu só sou atraída por bons filmes e papeis, um bom diretor, dos quais são muitos na América, mas eles não estavam tão interessados em mim.

Q: Pelo que você mais está apaixonada nos últimos tempos? Eu sei, você está atuando, claro, mas você também trabalha com música. Então, o que mais te satisfaz: música ou cinema?
V.P.: é difícil. Os dois me trazem uma enorme satisfação, mas todas as minhas músicas são mais pessoais, mesmo que eu não escreva todas elas, não produza meus discos, mas eu dou minha opinião, minhas ideias. Eu digo o que eu quero e o que não quero. Na música, é seu mundo, seu projeto, e é mais intimista, você não trabalha com uma grande equipe, mas se você está no set a satisfação vem por ser outra pessoa, então se sente como uma criança. Você pega férias de si mesmo e isso é bom, mas é o mundo e criação de outra pessoa. Eu adoro ser dirigida e pisar no mundo de outra pessoa.

Q: Pode ser terapêutico quando você atua no mundo de outra pessoa?
V.P.: claro que sim, porque expressar a si mesmo é a melhor terapia e é esse é um modo de fazer isso. Você expressa e libera um monte de coisas.

Q: No palco e nas telas, você é também uma “tela” para o desejo e sonhos das pessoas. O que você pensa sobre isso? É assustador pensar que as vezes pessoas que você nem conhece podem estar apaixonadas por você?
V.P: (risos) eu não penso nisso dessa forma; tudo que eu penso sobre, é que eu faço o que amo por causa deles, porque eles estão aqui, porque eles gostam de ouvir os discos e gostam de fazer isso por mim, e eu tenho que fazer o que amo. Como quando faço concertos, é um momento de muita sintonia, a gente faz o que quer no palco, mas fazemos melhor com o público quando eles são participativos e tal. Então eu gosto de pensar nisso mais do que no resto, mas se eu inspiro pessoas, fico muito lisongeada.

Q: Você imagina as vezes o que as pessoas estão fazendo no momento em que ouvem suas músicas?
V.P.: eu espero que eles estejam se divertindo. Eu amo diversão. (risos)

Q: Há uma canção sua no filme.
V.P: sim. John Turturro me pediu para cantar para o filme. Primeiro, eu gravei uma “a capella” para ele ver como ficaria, depois eu ia gravar com uma música, porque estava gravando meu disco, então fizemos ela naquele momento, e a canção se encaixou tão bem no meu álbum de canções de amor, que é chamado Love Songs, então eu coloquei ela na tracklist, mas foi ideia do John.

Q: Falando nos temas do filme, mulheres comprando sexo, não é algo muito comum de se ouvir. Você acha que isso vai ajudar na revolução sexual das mulheres?
V.P.: bem, eu não acho que é só “compra do sexo”, porque ele tem uma antiga cliente e só acaricia seus pés ou algo assim, ou conversa com ela. Em mim, ele faz massagem. Eu não acho que haja alguma revolução nisso, porque é profissão muito antiga, mas o que a mensagem no filme, é que está tudo certo, não é grande coisa, não é grave, perigoso, é algo normal. Fazer você mesmo se sentir bem, isso é certo. E estamos falando de prostituição feminina para homens, não tem problema, está ok, mas assim que uma mulher faz isso, se torna uma vadia, alguém que não merece respeito, e o filme coloca as coisas de volta um pouco na perspectiva de como realmente é, é justo, certo? (risos).

Q.: E solidão, eu acho, porque ela é tão honesta sobre ser uma pessoa solitária, que também é um tabu hoje, e todos passamos por isso.
V.P.: é muito concreto e ainda não parece ser concreto. Alguém quebra a perna ou tem uma doença grave, isso é concreto, está certo e eles têm um problema. Mas a solidão faz as pessoas parecerem muito gananciosas, “oh, você está entendiada; oh, você está solitária?”. Não é tratada como um real problema, mas é um enorme, pessoas se matam por causa da solidão. Então eu acho que é o motivo de que o filme faz as pessoas se sentirem bem, mostrando pessoas de idades diferentes, cores, culturas, pelo mesmo propósito. Penso que o filme faz você se sentir menos sozinho.

Q: Eu sei que nós conversamos sobre não fazer planos e sim viver o momento, mas o que você imagina para seus próximos anos?
V.P.: eu não sei, há muita coisa pra fazer agora. Quando você tem três trabalhos e é uma mãe, vive em dois continentes diferentes, já é o suficiente. Ainda, fazer todo esse trabalho para todos, eu não sei, mas vou promover o filme agora e tenho uma turnê chegando, preciso pensar nas luzes, no palco, na lista de músicas, é imediato. Mas na minha cabeça, penso: “sim, adoraria fazer mais filmes, adoraria fazer isso; vou gravar um novo disco; preciso de férias” (risos). Coisas assim.

Q: Sempre tem algo para se fazer.
V.P.: sim.

Q: Como foi gravar em Nova York? Você teve uma energia especial para isso? É uma das suas cidades favoritas?
V.P.: sim. Eu vivi aqui 20 anos atrás, onde tive meu primeiro sentimento de liberdade adulta, porque eu já trabalhava e era famosa na França faziam alguns anos, e então eu vim para cá e me tornei uma pessoa comum, andando nas ruas e conseguindo aquela maluca e linda energia que existe aqui, então me apaixonei completamente por esse lugar. E eu não vinha muito para cá, não o suficiente pelo menos, e agora preciso ficar aqui por um mês e meio, trabalhando com Nova Iorquinos, indo para áreas que nunca visitei. Nunca estive em Williamsburg antes, tive que visitar vários lugares novos, mas também ser parte deles, porque estava trabalhando nisso. Ficamos muito tempo trabalhando nas ruas, andando por Manhattan, foi mágico, fiquei muito feliz.

Q: Qual o papel da religião e espiritualidade na sua vida?
V.P.: bem, eu não sigo sigo nenhuma religião, mas eu acho que exista algo. Eu sinto que há algo grande e sublime que eu posso rezar, que posso recorrer e agradecer pelo presente que consegui na vida. Eu só não sigo nenhum tipo de organização, regras ou qualquer coisa, mas o que eu sinto vem direto do meu coração.

Q: Qual é a maior diferença entre americanos e franceses?
V.P.: é uma cultura diferente, uma visão diferente das coisas, maneira diferente de viver. Na França quando chega 12:30, todos param de trabalhar e saem para comer, levam uma hora e meia para almoçar, e nós aproveitamos isso do mesmo jeito a noite durante o jantar e tudo mais, e aqui é diferente. Mas há vantagem em cada lugar, você só precisa fazer do seu jeito, limpar tudo e ficar com o que é melhor, e onde quer que vá, claro, você deve se comprometer, e eu não sei, mas algumas pessoas acham que as francesas são muito confiantes. Por exemplo, ouço muito na América, pessoas dizendo que as mulheres francesas são assim e eu não acho que somos mais ou menos confiantes, é só o nosso jeito de falar com as pessoas, se dirigir a elas, só temos maneiras diferentes. (risos)

Fonte.

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