Tradução: Vanessa em entrevista ao “Le Matin”

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Vanessa Paradis: “Eu nunca fiz um filme por ambição.”

Vanessa Paradis fala em inglês com sua voz doce, com seu assistente chegando para nosso encontro. É em um hotel de Manhattan que ela aceitou essa entrevista ao Le Matin. Jeans e camisa rosa pastel, ela está sorridente mesmo se a conhecemos por ser desconfiada. Nas telonas da Romandia, estreia amanhã Sous Les Jupes Des Filles, onde ela está rodeada de atrizes como Isabelle Adjani e Laetitia Casta. Ao mesmo tempo, seu primeiro filme americano, Amante a Domicílio, é um sucesso. Já o citamos na lista dos primeiros possíveis filmes concorrentes ao Oscar.

Você está nos recebendo em Nova York. E o início de uma longa carreira americana?
V.P.: Eu adoro NY, onde vivi há 20 anos. Mas não pretendo me instalar aqui para fazer um carreira. Eu gosto de me deixar ser levada conforme os projetos. Eu sempre me senti diferente longe da França e adoro isso. Eu amo ser original (risos). Quando falo em inglês sem parar, pareço perder meu sotaque francês e quase me passo por americana. Mas muitas vezes durante uma conversa,  tropeço em palavras que não conheço e paraliso de medo dizendo que estou me passando por idiota (risos).

Como foi a gravação de Sous Les Jupes Des Filles, com tantas atrizes como Isabelle Adjani e Laetitia Casta?
V.P.: Foi ótimo. Ficamos felizes em participar, porque a diretora, Audrey Dana, é um verdadeiro vulcão. Ela escreveu 11 papeis femininos bem diferentes para nós todas. E ela era cada uma de suas personagens enquanto nos dirigia.

Você incarna uma mulher de negócios formidável que decide reencontrar suas antigas amigas de escola. Você se reconhece nesse papel?
V.P.: Absolutamente não e foi isso que me seduziu. Minha personagem, Rose, é uma mulher insuportável, cheia de testosterona. Ela não tem nenhuma amiga. Cada atriz dessa comédia interpretou seu oposto. A mulher que eu incarno é uma peste. Ninguém pode a ver e ela não suporta ninguém. Nenhuma de nós pode dizer que somos parecidas com nossas personagens, o que é realmente raro no cinema.

Você tem ideia do imenso caminho que percorreu em mais de 27 anos de carreira?
V.P.: Eu não trabalho pela ambição. Eu nunca quis fazer um filme por causa do sucesso. Eu quero, antes de tudo, ler um belo roteiro e ter uma bela experiência com um diretor.

Sua filha Lily-Rose fez 15 anos dia 27 de Maio, idade que você tinha quando Joe Le Taxi te fez uma estrela. Você a impedirá de seguir seus passos se ela desejar?
V.P.: É complicado responder isso. Eu tenho muita vontade que ela possa viver sua vida… Mas ao mesmo tempo, se o desejo em ser uma artista é verdadeiro e profundo para minha filha como era quando eu tinha sua idade, então acredito que seria um desperdício dizer não.

Como você reage quando tua vida privada é estampa os tabloides?
V.P.: Eu passei minha adolescência sob os holofotes. Isso me ensinou a me conter quando me fazem uma questão pessoal. Eu sou nostálgica pela idade de ouro do cinema, onde fazíamos de tudo para manter os sonhos vivos nas telas, guardando a intimidade o mais privado possível.

Não é difícil ficar em silêncio quando seu antigo companheiro, Johnny Depp, pai de seus filhos, fala abertamente sobre seus amores?
V.P.: Eu compreendo a curiosidade das pessoas, mas não conte comigo para alimentá-la. Eu sempre recusei falar sobre minha privacidade. Acho que não há nada mais precioso para se preservar.

Johnny Depp fala de sua propriedade na Província como sendo seu refúgio longe de Hollywood. Então Los Angeles representa para você a tranquilidade longe da agitação de Paris?
V.P.: Não, eu vivo uma boa parte do ano em LA por causa da escola de nossos filhos. São eles que amam estudar na Califórnia. Eu entendo, porque o sistema escolar é maravilhoso. Eu teria adorado ir numa escola como essa na minha infância.

Você construiu um modelo reduzido da tua vida parisiense na Califórnia?
V.P.: Não, é o contrário. Eu levo coisas da Califórnia cada vez que vou para Paris, como ingredientes culinários ou vestuário.

Por exemplo?
V.P.: Leite sem lactose. Na minha família há pessoas alérgicas. É mais complicado encontrar esses gêneros de alimentos a base de soja na França. Eu também sou adepta de uma preparação que permite substituir ovos para fazer omeletes.

Você diz recusar a ditadura da cirurgia estética.
V.P.: Eu não julgo as mulheres que fazem, mas eu tenho medo. Eu acredito que a beleza está no olhos dos outros. O principal é se sentir bem na sua própria pele.

O filme Amante a Domícilio é um sucesso nos EUA. Você é uma mãe de família cansada de uma comunidade judaica ortodóxa em Nova York. É uma preparação um remake de Rabbi Jacob?
V.P.: Aí está uma excelente pergunta que nunca me fizeram (pela primeira vez ela parece sair da defensiva e cai no riso). Eu nunca pensei nisso. Mas porque não Rabbi Jacob como um musical? Eu reproduziria a dança de Louis de Funès (ela une o gesto a letra e levanta os braços para o céu).

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