Tradução: Entrevista para o Jornal l’Avenir

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“Lisonjeada de ser homenageada como atriz”

Vanessa Paradis está em Namur por dois dias. Tão louco quanto parece. Ela encontrará seus fãs amanhã à tarde. Vanessa Paradis estava em Namur ontem. A intérprete de “Joe le Taxi” se mostrou acessível, sorrindente. Encontro ultra casual.

É perto do meio-dia de ontem quando Vanessa Paradis chegou a Namur. Depois de um descanso no Espièglerie* (*restaurante do Hôtel des Tanneurs) e uma entrevista de rádio sob a tenda, em Place d’Armes, a protegida de Karl Lagerfeld (Chanel) visita o foyer do teatro. É 17h em ponto quando ela nos recebe.

Vanessa Paradis, porque você aceitou o convite «Coup de cœur»? Você já conhecia o festival?

Não. Mas após o convite, eu perguntei. Na verdade, eu tenho muito poucos filmes que fizeram parte de festivais. Eu também nunca subi as escadas em Cannes. Eu estava muito lisonjeada de ser homenageada como atriz. Eu estava muito emocionada ao ser solicitada a apresentar alguns dos meus filmes. Eu tive vontade porque aqui o amor ao cinema está sendo homenageado. Esse é o principal interesse. Me falaram que estava indo me encontrar com pessoas que são amantes do cinema. Então é algo casual, é na simplicidade.

Esta não é a primeira vez que você vem a Namur…

Parece que sim, mas eu não me lembro…

Foi na década de 80…

É por isso que eu não me lembro (risos). É possível…

Para um concerto?

Não, eu não fazia concertos nos anos 80. Mas eu talvez possa ter cantado uma canção para um programa de tv ou de rádio. Mas eu não me lembro. Isso foi há 28 anos.

Você está lá, em divulgação. Uma chance para Namur?

Com certeza eu estou lá porque eu tinha tempo. Eu não tenho filmes defender…

O festival lhe solicitou que escolhesse seus filmes favoritos. Como é que você fez a sua escolha?

Em primeiro lugar, eu escolhi «Le Diable par la queue» (O Diabo Pela Cauda) de Philippe De Broca, porque é um filme que eu amo desde a infância, é um filme feliz, engraçado. Um filme que faz bem. E então me pediram para escolher três filmes de minha filmografia. Não foi fácil… O primeiro que me veio à mente é «La Fille sur le pont» (A Garota da Ponte/A Mulher e o Atirador de Facas)? É o meu filme favorito. Eu o fiz porque é um filme completo. Ele tinha tudo. O roteiro, diretor, o preto e branco, e, em seguida, a magia e a equipe de trabalho e talento de Patrice Leconte.

Então, «L’Arnacœur» (Como Arrasar um Coração)…

Eu queria prestar homenagem a Pascal Chaumeil. Eu adoro este filme. Eu acho que é um filme que faz bem. Eu tive muita diversão ao filmar.

E, finalmente, «Café de Flore»…

Eu adoro Jean-Marc Vallée. O filme não teve o sucesso que merece na França, e este é um filme que eu sou muito orgulhosa. O papel permitiu-me provar que eu era capaz.

Um gênero que você gostaria de fazer?

Gostaria de fazer um musical, um filme de época, com espartilhos, perucas. Eu, que trabalho com Chanel, que pode ter uma imagem muito glamourosa, de cinema, estou muito muitas vezes em farrapos, com olheiras e cabelos oleosos. Eu gostaria de interpretar Gilda, algo chique, de glamour.

Gostaria de uma carreira nos Estados Unidos?

Uma carreira americana, não. Trabalhar com grandes diretores, sim. Eu gostaria de trabalhar com os irmãos Cohen ou Tarantino. Eu nunca recusaria um bom filme, um bom papel, com um bom diretor, um bom roteiro e um bom parceiro. Mas, o mais importante, é a história.

Você não filmou tantos filmes assim. Uma escolha?

Isso é porque eu realmente quero continuar a fazer música. Eu escolho meus filmes com muita precisão. A música toma um longo tempo. Fazer um filme, leva dois meses, um disco, leva três anos.

Você ama variar seus gostos…

Sim, um disco, uma turnê, é bastante desgastante. Depois disso, em geral, eu quero fazer um filme.

Você sempre tem medo do palco?

Sim. Antes da turnê. Mas quando vamos, o nervosismo torna-se um motor. No momento de ir, é como um salto de pára-quedas. Nós saltamos e tentamos pousar bem.

Você era uma estrela muito jovem. Você mudaria alguma coisa se pudesse repetir?

Eu faria exatamente o mesmo. Mesmo tendo sido difícil no início. Meu primeiro filme, «Noces blanches» (Boda Branca) foi trabalhoso, não havia nenhuma delicadeza, nenhum conforto. Mas valeu a pena para eu aguentar os primeiros anos.

Foi violento de qualquer maneira…

Sim, mas quando eu vejo o amor que eu recebo nas ruas da França todos os dias, eu fico surpreso. As pessoas são gentis, mesmo se não gostam de meus filmes ou de minha música. Eu acho que já faz tanto tempo que estou presente, eu me tornei uma figura familiar.

Sua filha estreou no cinema…

Eu adoraria ter tido mais alguns anos antes que ela não pudesse mais ser uma adolescente. Mas eu não estava em posição de dizer: você é muito jovem. Eu sinto que ela realmente queria. Ela tem um gosto requintado, ela sabe escolher seus projetos. Ela é muito inteligente. Quando a sorte passa, você tem que agarrar…

Estes são os ofícios de quem começa jovem. Obviamente, eu posso dar-lhe os conselhos que eu não tive. O ofício, as entrevistas, a imprensa, eu aprendi a fazer.

Planos para o futuro?

Projetos sim, mas eles são tão frágeis que eu não falo sobre. Eu tenho um projeto de filme e álbum. Eu escrevo músicas, eu escuto discos, eu reflito com quem eu quero fazer o próximo.

Um luxo poder escolher…

Sim. A reputação permite essa liberdade de escolha. Na vida pessoal, facilita as coisas. Obviamente, tem seu lado ruim pois hoje as pessoas não têm nenhum limite. Nós não tomamos os atores ou cantores como os seres humanos, nós podemos ferrar suas vidas. Nós achamos normal debater histórias sórdidas ou histórias que não existem. Eu acho que isso é horrível.

Como manter sua cabeça sob ombros?

Eu não olho a Internet, eu não tenho Instagram, Facebook, eu não quero. Eu parei de ler o que todos dizem o tempo todo em todos os lugares. O que conta, é o conselho que eu dei à minha filha, é o que você faz: filmes, álbuns. Isso é o que vai ficar com você.

Fonte

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